Lesões purpúricas - que diagnóstico?

Ana Brett, Fernanda Rodrigues, Manuel Salgado

Resumo


Lactente de 9 meses, previamente saudável, observado três dias após ter sido medicado com cefprozil por rinofaringite febril, que foi suspenso por aparecimento de exantema macular. Apresentava-se clinicamente estável, com exantema petequial e purpúrico na face e membros e edema das mãos e pés, com restante exame normal. Foi colocada a hipótese de edema hemorrágico agudo da infância (EHAI), mas a febre e exuberância das lesões levaram a que fosse excluída infecção. Apresentava leucocitose (18.200/ìL, PMN 71%), trombocitose (490.000/ìL), coagulação, proteína C-reactiva, bioquímica e exame sumário de urina normais. Ficou apirético, manteve-se hemodinamicamente estável e clinicamente bem. Teve alta com o diagnóstico de EHAI. Surgiram novas lesões e agravamento do edema durante a primeira semana, com resolução na terceira.

O EHAI, descrito pela primeira vez em 19131, é uma vasculite cutânea leucocitoclástica benigna, rara, ocorrendo geralmente abaixo dos dois anos. A etiologia é desconhecida, podendo estar associado a infecções, fármacos ou vacinação2-3. Caracteriza-se por aparecimento de lesões purpúricas nos membros,face e pavilhões auriculares e edema das extremidades, com envolvimento visceral raro, associado ou não a febre, numa criança com bom estado geral. Faz diagnóstico diferencial com meningococcémia, púrpura fulminante, eritema multiforme e abuso infantil4. Tem resolução espontânea em menos de 3 semanas2-4.


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