Perceção dos professores sobre a avaliação do desempenho docente

Maria Piedade Alves, Pedro Fernando Cunha, Abílio Afonso Lourenço, Ana Paula Monteiro

DOI: https://doi.org/10.21814/rpe.14082

Resumo


Existe um consenso de que o desenvolvimento de um país depende da qualidade da sua educação. Assim, a Avaliação de Desempenho Docente (ADD) surgiu porque o Ministério da Tutela acredita que esta pode contribuir para a qualidade da educação, bem como para a valorização e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. Todavia, o tema é complexo, tendo dado origem a intensa contestação docente e sindical em Portugal. Este estudo pretendeu conhecer como os professores percecionam a avaliação de desempenho. Para tal, procedeu-se a uma investigação quantitativa numa amostra constituída por 240 professores a exercerem funções em Portugal Continental, aos quais administrámos um inquérito por questionário. Os dados recolhidos foram tratados e analisados utilizando a técnica de modelação de equações estruturais. As principais conclusões apontam, quanto ao género, habilitações académicas e tempo de serviço, para a existência de algumas associações com a perceção que os professores possuem sobre a adequação da avaliação de desempenho. Os resultados revelam ainda que os professores que apresentam um melhor entendimento sobre a avaliação de desempenho consideram cumprir mais os objetivos e manifestam ter melhor prática científica e pedagógica, sendo também aqueles que manifestam menor perceção da adequação do processo de avaliação docente.

Palavras-chave: Avaliação; Desempenho; Professores

 

ABSTRACT

There is a consensus about the idea that the development of a country depends on the quality of its education. The Teaching Performance Assessment arises because the Ministry of Education believes that it can contribute to the quality of education, as well as to the personal and professional development of the teachers. However, the issue is complex and it gave origin to intense teaching and union´s contestation in Portugal. This research aimed to know how teachers perceive teaching performance assessment. We carried out a quantitative research study with a sample of 240 teachers, to whom we applied a questionnaire. The data were treated and analyzed using the structural equation modeling technique. The main conclusions point to, concerning gender, academic abilities and time of service, the existence of some associations with the perception that teachers have about the adequacy of the performance assessment. Results reveal that the teachers who present a better understanding about the performance evaluation consider to better attain its objectives; they also demonstrate a better scientific and pedagogical practice, and show less appreciation of the adequacy of the teacher evaluation process. 

KeywordsAssessment; Performance; Teachers

 

 


Texto Completo:

PDF

Referências


Àlvarez, C. S. (2007). Práticas de avaliação de professores – Perspectiva espanhola. In C. C. Ramos (Dir.), Avaliação de professores – Visões e realidades. Actas da Conferência Internacional (pp. 60-67). Lisboa: Ministério da Educação – Conselho Cientifico para a Avaliação de Professores.

Alves, M. P. (2016). Avaliação de desempenho – Uma ferramenta de gestão. Lisboa: Escolar Editora.

Beatty, I. (2016). Oklahoma teachers’ perceptions of the qualitative portion of the teacher evaluation system (Doctoral dissertation). University of Oklahoma, Oklahoma.

Bentler, P. M. (1990). Comparative fit indexes in structural models. Psychological Bulletin, 107, 238–246.

Bollen, K. A. (1989). A new incremental fit index for general structural equation models. Sociological Methods and Research, 17, 303–316.

Braz, A. B. (2013). A avaliação do desempenho docente enquanto estratégia promotora do desenvolvimento profissional dos professores (Tese de doutoramento). Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, Lisboa.

Browne, M. W., & Cudeck, R. (1993). Alternative ways of assessing model fit. In K. A. Bollen & J. S. Long (Eds.), Testing structural equation models (pp. 445–455). Newbury Park, CA: Sage.

Bullis, B. B. (2014). The perceived impact of teacher performance ratings on the teacher evaluation process: Voices from the field (Doctoral dissertation). Loyola University Chicago, Chicago.

Byrne, B. M. (2001). Structural equation modelling with AMOS – Basic concepts, applications, and programming. New Jersey: Lawrence Erlbaum.

Cassettari, N. (2014). Avaliação de professores: Uma questão de escolhas. Estudos em Avaliação Educacional, 25(57),166–197.

Coelho, M. (2013). Avaliação de desempenho docente: Efeitos no desenvolvimento (Dissertação de Mestrado não publicada). Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Lisboa, Lisboa.

Comissão Europeia/EACEA/Eurydice. (2013). Números-chave sobre os professores e os dirigentes escolares na Europa. Relatório Eurydice. Luxemburgo: Serviço de Publicações da União Europeia.

Costa, L., & Fialho, I. (2012). Avaliação do desempenho docente – Perceção dos professores sobre o último modelo de ADA e os seus efeitos nas práticas docentes (Um estudo de caso). In O. Magalhães & A. Folque (Orgs.), I Jornadas de Investigação em Educação (pp. 195–216). Évora: Departamento de Pedagogia e Educação, Universidade de Évora.

Danielson, C. (2001). New trends in teacher evaluation. Educational Leadership, 58(5), 12–15.

Fernandes, D. (2008). A avaliação do desempenho docente: Desafios, problemas e oportunidades. Lisboa: Texto Editores.

Ferreira, C. A., & Oliveira, C. (2015). Auto-avaliação docente e melhoria das práticas pedagógicas: Perceções de professores portugueses. Estudos em Avaliação Educacional, 26(63), 806–836.

Finney S. J., & DiStefano C. (2006). Non-normal and categorical data in structural equation modeling. In G. R. Hancock & R. O. Mueller (Eds.), Structural equation modeling. A second course (pp. 269–314).Greenwich, CT: Information Age Publishing.

Graça, A., Duarte, A., Lagartixa, C., & Tching, D. (2011). Avaliação do desempenho docente: Um guia para a ação. Lisboa: Lisboa Editora.

Hadji, C. (2010). A avaliação de professores em França. Da inspeção ao acompanhamento? In M. A. Flores (Org.), A avaliação de professores numa perspectiva internacional – Sentidos e implicações (pp. 111–139). Maia: Areal.

Hair, J., Anderson, R., Tatham, R., & Black, W. (2005). Análise multivariada de dados. Porto Alegre: Bookman.

Hu, L.-T., & Bentler, P. M. (1995). Evaluating model fit. In R. H. Hoyle (Ed.), Structural equation modelling: Concepts, issues, and applications (pp. 76–99). Thousand Oaks, CA: Sage.

Isoré, M. (2010). Evaluación docente: Prácticas vigentes en los países de la OCDE y una revisión de la literatura. Santiago: PREAL.

Jöreskog, K. G., & Sörbom, D. (1983). LISREL – 6 User’s reference guide. Mooresville, IN: Scientific Software.

Lima, J. (2008). Análise comparativa dos sistemas de avaliação do desempenho docente a nível europeu. Ozarfaxinars, 3. Disponível em: http://www.cfaematosinhos.eu/Analise%20Comparativa%20ADD.pdf

Lowe, B., Winzar, H., & Ward, S. (2007). Essentials of SPSS for Windows versions 14 & 15: A business approach. South Melbourne, Victoria: Thomson Learning Australia.

Machado, A. R, & Portugal, M. N. (2014). Dicionário de recursos humanos. Lisboa: Clássica Editora.

Morgado, J. (2014). Avaliação e qualidade do desenvolvimento profissional docente: Que relação. Avaliação, 19(2), 345–361.

Murillo, F. J. (2007). Uma visão panorâmica da avaliação do desempenho docente na Europa e na América. In. C. C. Ramos (Coord.), Avaliação de professores – Visões e realidades, Atas da Conferência Internacional (pp. 33-54). Lisboa: Ministério da Educação, Conselho Científico para a Avaliação de Professores.

Pires, A. F. (2014). Avaliação de desempenho e desenvolvimento profissional do pessoal docente do ensino não superior: Dos normativos às práticas vigentes nas escolas de São Vicente, Cabo Verde (Tese de mestrado). Universidade Lusófona do Porto, Porto.

Raymond, M., & Negassi, Y. (2015). O quinto compromisso. Desenvolvimento de um sistema de garantia do desempenho educativo em Portugal. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Rodrigues, S. (2012). Políticas de avaliação docente: Tendências e estratégias. Ensaio: Avaliação e Políticas Pública sem Educação, 20(77), 749–768.

Schmid, G. (2007). A perspetiva austríaca. In C. C. Ramos (Dir.), Avaliação de professores – Visões e realidades, Atas da Conferência Internacional (pp. 33–54). Lisboa: Ministério da Educação, Conselho Científico para a Avaliação de Professores.

Schreiber, J. B., Nora, A., Stage, F. K., Barlow, E. A., & King, J. (2006). Reporting structural equation modeling and confirmatory factor analysis results: A review. The Journal of Educational Research, 99(6), 323–337.

Serrano, N. (2015). Perceção dos professores face à avaliação e face ao modelo de avaliação do desempenho docente (Dissertação de mestrado não publicada). Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Castelo Branco, Castelo Branco.

Streiner, D. L. (2003). Being inconsistent about consistency: When coefficient alpha does and doesn´t matter. Journal of Personality Assessment, 80, 217–222.

Ullman, J., & Bentler, P. (2004). Structural equation modeling. In M. Hardy & A. Bryman (Eds.), Handbook of data analysis (pp. 431–458). London: SAGE.

Urriola, K. M. (2013). Sistema de evaluación del desempeño profesional docente aplicado en Chile. Percepciones y vivencias de los implicados en el proceso (Tese de doutoramento). Universidade de Barcelona, Barcelona.

Ventura, A. (2012). Avaliação do desempenho dos professores como processo de desenvolvimento pessoal e profissional. Aprendizagem: A revista da prática pedagógica, 5(30), 56–57.

West, S. G., Finch, J. F., & Curran, P. J. (1995). Structural equation models with non-normal variables: Problems and remedies. In R. Hoyle (Ed.), Structural equation modeling: Concepts, issues and applications (pp. 56–75). Newbury Park: Sage.


Apontadores

  • Não há apontadores.


A Revista Portuguesa de Educação (ISSN 0871-9187) é uma publicação semestral do Centro de Investigação em Educação (CIEd) do Instituto de Educação da Universidade Minho (UM) e conta com o apoio de fundos nacionais da FCT/MCTES-PT através do projeto UID/CED/1661/2013.