Crafting the ideal body: the role of injections in Brazilian bodybuilding
Palavras-chave:
antropologia dos medicamentos, bodybuilding, drogas para melhora de imagem e performance, risco, esteroides anabólicos androgênicos, antropologia médicaResumo
A injeção crônica de substâncias para aprimoramento de imagem e desempenho físico constitui um ritual complexo, culturalmente significativo e ainda pouco estudado no fisiculturismo competitivo. Esta etnografia multi-situada, conduzida em uma academia “hardcore” brasileira e sua comunidade digital associada, investiga como atletas iniciam, aprendem e normalizam o uso de injetáveis. Indo além de enquadramentos patologizantes, o estudo interpreta essas práticas como rituais corporificados de autoformação e transformação identitária, e não como mero abuso de substâncias. Por meio de um aprendizado social, os atletas dominam técnicas de injeção que convertem a dor e o risco biomédico em confiança estruturada e controle corporal. Com base na teoria da liminaridade de Victor Turner, o ritual de injeção surge como um rito de passagem contemporâneo que encena a morte e o renascimento simbólicos, conferindo novo status social e pertencimento comunitário. Os resultados mostram como essas práticas reconciliam a vulnerabilidade corporal com a busca por um físico idealizado, iluminando como as injeções ritualizadas produzem maestria simbólica e permitem que os atletas naveguem a incerteza biomédica, mantendo uma coerência moral e social.