Finisterra, LXI(131), 2025, e42713  
ISSN: 0430-5027  
doi: 10.18055/Finis42713  
Artigo de Investigação  
DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE NO  
CONTEXTO DOS PEQUENOS ESTADOS INSULARES EM  
DESENVOLVIMENTO  
ANDERSONE DA SILVA  
FRANCISCO SILVA  
2,3,4  
RESUMO Nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (Small Island Developing States - SIDS), o turismo  
é frequentemente apresentado como motor de crescimento económico, mas também pode reforçar vulnerabilidades estruturais,  
como a dependência externa e a limitada diversificação económica. Este artigo analisa criticamente o modelo de  
desenvolvimento turístico em São Tomé e Príncipe, um país-arquipélago que ilustra de forma paradigmática este paradoxo.  
Recorrendo a uma abordagem qualitativa de natureza interpretativa, foram realizadas 22 entrevistas semiestruturadas e um  
grupo focal com atores institucionais, operadores privados, organizações não-governamentais e especialistas internacionais. A  
análise evidencia a coexistência de dois modelos contrastantes: na ilha de São Tomé, um sistema híbrido, fragmentado, com  
vários polos regionais desconectados; e, na ilha do Príncipe, um modelo exógeno orientado para um turismo sustentável e de  
luxo. Esta dualidade resulta num padrão de desenvolvimento assimétrico que, no seu conjunto, se aproxima de modelos  
caraterizados pela ausência de uma estratégia nacional coerente. Em resposta, propõe-se o Modelo de Desenvolvimento  
Integrado e Sustentável (MDIS-STP), ancorado numa governação robusta e na articulação de quatro pilares estratégicos:  
turismo, agricultura, economia azul e logística regional. Este modelo visa promover um desenvolvimento mais equilibrado e  
resiliente, sendo potencialmente adaptável a outros SIDS.  
Palavras-chave: SIDS; desenvolvimento turístico; São Tomé e Príncipe; sustentabilidade; modelo integrado.  
ABSTRACT TOURISM DEVELOPMENT IN SÃO TOMÉ AND PRÍNCIPE IN THE CONTEXT OF SMALL  
ISLAND DEVELOPING STATES. In Small Island Developing States (SIDS), tourism is often presented as a driver of  
economic growth, but it may also reinforce structural vulnerabilities, such as external dependence and limited economic  
diversification. This article critically analyses the tourism development model in São Tomé and Príncipe, an island country that  
exemplifies this paradox. Based on a qualitative and interpretative methodology, 22 semi-structured interviews and a focus  
group were conducted with institutional actors, private operators, non-governmental organisations, and international experts.  
The analysis reveals the coexistence of two contrasting models: on the island of São Tomé, a hybrid and fragmented system  
with several disconnected regional poles; and on the island of Príncipe, an exogenous model focused on sustainability and  
luxury tourism. This duality results in an asymmetrical development pattern overall, aligns with models characterised by the  
absence of a coherent national strategy. As a response, the article proposes the Integrated and Sustainable Development Model  
for São Tomé and Príncipe (MDIS-STP), grounded in strong governance and the articulation of four strategic pillars: tourism,  
agriculture, the blue economy, and regional logistics. This model aims to promote more balanced and resilient development  
and is potentially adaptable to other SIDS.  
Keywords: SIDS; tourism development; São Tomé and Príncipe; sustainability; integrated model.  
HIGHLIGHTS  
MDIS-STP articula turismo, agricultura, economia azul e logística regional.  
Estudo evidencia dualidade de modelos turísticos entre as ilhas de São Tomé e do Príncipe.  
Fragilidade da governação e dependência externa comprometem o potencial do turismo.  
Proposta teórica inova ao expandir o modelo de Dredge (1999) no contexto dos SIDS.  
Contributo aplicável e adaptável a outros SIDS.  
Recebido: 12/08/2025. Aceite: 03/03/2026. Publicado: 10/04/2026.  
1 Universidade Lusíadas, São Tomé e Príncipe, Ministério dos Negócios Estrangeiros, Avenida Marginal 12 de Julho, Caixa Postal: 111, São Tomé e Príncipe.  
2 Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, Portugal.  
3 Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Turismo CiTUR, Estoril.  
4 Centro de Estudos Geográficos, IGOT, Universidade de Lisboa, Portugal.  
Published under the terms and conditions of an Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International license.  
   
Silva, A., Silva, F. Finisterra, LXI(131), 2026, e42713  
1.  
INTRODUÇÃO  
O turismo consolidou-se como um dos principais motores do crescimento socioeconómico global,  
assumindo um papel particularmente relevante em economias emergentes e vulneráveis (United Nations  
World Tourism Organization [UNWTO], 2012) , como é o caso dos Pequenos Estados Insulares em  
Desenvolvimento (Small Island Developing States SIDS). Este grupo de países é reconhecido pelas Nações  
Unidas pelas suas vulnerabilidades estruturais partilhadas, nomeadamente o isolamento geográfico, a  
reduzida escala económica, a limitação de recursos naturais e de capital, os défices comerciais persistentes e  
a forte dependência das importações (Briguglio, 1995).  
Devido às suas especificidades geográficas e constrangimentos socioeconómicos, muitos destes países  
têm vindo a apostar no turismo como motor de desenvolvimento (Cohen, 2020; Mihalič, 2015; Novelli, 2005;  
Scheyvens & Momsen, 2008). Contudo, a expansão do setor nestes territórios revela-se paradoxal. Por um  
lado, o turismo representa uma importante fonte de investimento direto estrangeiro, gera emprego e contribui  
para o crescimento económico; por outro, tende a acentuar a dependência em relação ao capital externo, a  
aumentar o custo de vida e a agravar a pressão sobre os ecossistemas (Britton, 1982; Hampton & Jeyacheya,  
2013). Esta dinâmica resulta frequentemente em fugas significativas de receitas e na perpetuação de  
desigualdades estruturais. Na região das Caraíbas, por exemplo, estima-se que, em média, cerca de 40% das  
receitas turísticas se percam para o exterior, podendo esse valor ultrapassar os 80%, beneficiando  
essencialmente empresas internacionais, em detrimento da economia nacional e das comunidades locais  
(Russell, 2020; Sharpley & Telfer, 2015; Telfer, 2015).  
São Tomé e Príncipe é analisado à luz destas dinâmicas contraditórias, inserindo-se no quadro mais  
amplo dos SIDS. Dotado de valiosos recursos naturais e culturais, o arquipélago tem sido promovido como  
um destino turístico singular (Costa, 2023). No entanto, devido às fortes limitações de acessibilidade e aos  
persistentes constrangimentos institucionais e infraestruturais, entre outros fatores, grande parte do seu  
potencial turístico permanece por desenvolver. Trata-se de um caso ilustrativo das ambivalências do turismo  
enquanto vetor de desenvolvimento, evidenciando os desafios inerentes à construção de um modelo turístico  
sustentável e eficaz.  
A investigação responde à seguinte dupla questão central: Até que ponto o desenvolvimento turístico  
de muitos SIDS, e em particular de São Tomé e Príncipe, depende de investimento externo? E como poderá  
ser assegurado um desenvolvimento mais sustentável, com maiores benefícios para as comunidades locais?  
Em articulação com esta questão, foram definidos quatro objetivos específicos:  
-
-
-
-
Examinar criticamente a evolução do desenvolvimento turístico nos SIDS e respetivas  
implicações estruturais;  
Analisar os modelos de desenvolvimento turístico dominantes em São Tomé e Príncipe e as  
suas dinâmicas operacionais;  
Recolher e sistematizar as perspetivas dos principais stakeholders envolvidos no planeamento  
e gestão do turismo;  
Propor um modelo que responda de forma adequada às especificidades do território e que possa  
ser aplicado a outros SIDS.  
2.  
DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO NOS SIDS E EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE  
Evolução dos modelos de desenvolvimento turístico  
2.1.  
O desenvolvimento turístico tem sido analisado de forma multidimensional, refletindo a complexidade  
crescente dos sistemas turísticos e os seus múltiplos impactes (Sharpley, 2020). Neste contexto, a análise dos  
modelos de desenvolvimento é essencial para compreender as dinâmicas e estratégias adotadas em diferentes  
territórios e contextos históricos.  
A conceptualização teórica sobre os modelos de desenvolvimento turístico tem evoluído  
substancialmente ao longo das últimas décadas, transitando de abordagens simplificadas e unidimensionais  
para modelos analíticos mais complexos e integrados (Baud-Bovy, 1982; Beni, 2004; Butler, 2020; Dredge,  
1999; Hall, 2008; Inskeep, 1991; Leiper, 1979; Miossec, 1977; Silva, 2013). Os primeiros modelos,  
predominantemente espaciais e descritivos, focavam-se na distribuição geográfica das atividades turísticas e  
nos padrões de deslocação dos visitantes, caracterizando-se por uma perspetiva incapaz de captar a natureza  
dinâmica e evolutiva dos sistemas turísticos.  
Esta limitação conceptual foi progressivamente superada pela emergência de modelos sistémicos, que  
reconhecem o turismo como um fenómeno multidimensional e interativo. Atualmente a literatura apresenta  
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Silva, A., Silva, F. Finisterra, LXI(131), 2026, e42713  
uma diversidade significativa de modelos e propostas de classificação. Entre os contributos teóricos mais  
relevantes destacam-se Baud-Bovy (1982), Britton (1982), Butler (2020), Hall (2008), Leiper (1992), Ma &  
Hassink (2013), Moscardo (2008), Miossec (1977), Oppermann (1993), Padin (2012), Tamayo (2018), entre  
outros. Entre os modelos que mais se adequam à realidade da maioria dos SIDS, destacam-se os modelos  
TOURAB (TOURism, Aid and Bureaucracy) e PROFIT (People, Resources, Overseas Engagement, Finance,  
Institutions, Tourism), predominantes em países insulares das Caraíbas e do Índico; o modelo MIRAB  
(MIgration, Remittances, Aid, and Bureaucracy), comum no Pacífico e em arquipélagos do Atlântico; e o  
modelo emergente SITE (Small Island Tourism Economies), associado à crescente dependência do turismo  
como motor económico (McElroy, 2006; Silva, 2025).  
Estes modelos coexistem frequentemente com dois grandes paradigmas turísticos: o turismo  
multinacional, de carácter exógeno, e o turismo alternativo, de base endógena. O primeiro, dominante nas  
Caraíbas, Sudeste Asiático e Oceano Índico, estrutura-se em torno do turismo de enclave, de massas ou de  
luxo; o segundo, mais presente no Pacífico, nas Caraíbas e em alguns SIDS africanos, dá mais peso ao turismo  
comunitário, ao agroturismo e ao turismo regenerativo. Ainda que não sejam categorias mutuamente  
exclusivas (Moscardo, 2008; Tamayo, 2018), a distinção entre modelos exógenos (baseados em capital  
estrangeiro) e endógenos (ancorados em iniciativas locais e na participação comunitária), assume particular  
relevância na análise do turismo nos SIDS (Rahmafitria et al., 2020).  
A literatura identifica diferentes tipologias de modelos de desenvolvimento turístico, embora sem  
consenso terminológico. É possível identificar categorias como: modelos especializados, espontâneos,  
exógeno, indutivos, neogénicos, de enclave, fechados, endógenos, de enfoque espacial, sistémicos,  
tradicional/convencional, integrado e alternativo (Díaz & Rocca, 2017; Hiernaux-Nicolas et al., 2002;  
Santos, 2007; Silva, 2013; Tamayo, 2018; Torres et al., 2013). A figura 1 apresenta uma síntese e  
reorganização destas classificações, propondo uma leitura comparativa simplificada.  
Nesta sistematização, entende-se que um modelo de desenvolvimento turístico pode assumir um  
enfoque sistémico e uma expressão mais ou menos espacial, dando origem a formas de desenvolvimento com  
carácter endógeno, exógeno ou misto. Estas formas concretizam-se em diferentes tipos de turismo: enclave,  
integrado, alternativo, clássico/massa. Dentro de cada uma destas configurações, é possível identificar  
distintos níveis de formalidade (Oppermann, 1993) e de especialização (Álvarez Valdez, 2009, citado em  
Díaz & Rocca, 2017). Os modelos de desenvolvimento são, por sua vez, influenciados por múltiplos fatores,  
nomeadamente a escala do território, o peso relativo do turismo na economia, o grau de diversificação  
produtiva e o contexto da economia política vigente.  
Modelos de  
Desenvolvimento  
Turístico  
Sistémico  
+ ou - espacial  
Endógeno  
Exógeno  
Misto  
Integrado /  
relativamente integrado  
Clássico /  
Massa  
Alternativo  
Enclave  
Especialização  
(in)formal  
Fig. 1 Estrutura conceptual que organiza os diferentes modelos de desenvolvimento turístico segundo a sua orientação  
sistémica, espacial e tipo de turismo.  
Fig. 1 Conceptual framework organizing the different tourism development models according to their systemic orientation,  
spatial focus, and type of tourism.  
Fonte: Os autores  
3
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No quadro dos modelos espaciais e normativos do destino turístico, o modelo de Dredge (1999)  
constitui o principal referencial teórico adotado neste estudo. A autora propõe uma abordagem sistémica ao  
planeamento da região de destino, estruturada em componentes interligados: mercados emissores, nós,  
distritos, rotas de circulação e gateways.  
Os nós, entendidos como concentrações de atrações e serviços, organizam-se hierarquicamente  
segundo o seu poder de atração e papel motivacional, podendo o destino assumir configurações de nó único,  
múltiplos nós ou modelo encadeado. O modelo de Região de Destino de Múltiplos Nós revela-se  
particularmente pertinente para contextos insulares, ao conceber o destino como um sistema policêntrico de  
áreas funcionalmente diferenciadas e articuladas. Contudo, a sua aplicação a SIDS exige adaptação às  
especificidades institucionais, infraestruturais e socioeconómicas destes territórios.  
2.2.  
Turismo nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento  
Os SIDS constituem uma categoria específica de países caracterizado por um conjunto distintivo de  
vulnerabilidades estruturais que moldam profundamente as suas trajetórias de desenvolvimento, em geral, e  
do turismo, em particular (Briguglio, 1995; McElroy, 2006; Moncada et al., 2021; Pratt, 2015; Read, 2008;  
Stephenson, 2023). Estas vulnerabilidades decorrem de múltiplos fatores, entre os quais se destacam:  
economias de pequena escala com fraca diversificação setorial; elevada dependência de importações,  
financiamento e investimento externo; isolamento geográfico e fortes constrangimentos de acessibilidade;  
baixa produtividade e qualificação dos recursos humanos; e reduzida resiliência às alterações climáticas  
(Briguglio, 1995; Briguglio & Vella, 2018; Reguero et al., 2019).  
Paradoxalmente, algumas destas vulnerabilidades podem ser, simultaneamente, fatores que potenciam  
a atratividade turística. O isolamento e as caraterísticas geográficas, a pequena escala e uma estrutura  
económica e social relativamente tradicional alimentam imaginários ocidentais de "paraísos tropicais" e  
"refúgios de tranquilidade", associados a experiências de "evasão" e "autenticidade" (Alipour et al., 2020;  
Belle & Bramwell, 2005; Brito-Henriques, 2009; Currie, 2018; Dodds et al., 2018; Echtner, 2010). Esta  
dualidade entre a vulnerabilidade estrutural e atratividade turística constitui um paradoxo central que  
caracteriza o desenvolvimento turístico nos SIDS.  
O turismo consolidou-se como o principal setor exportador e fonte de divisas em muitos SIDS,  
assumindo frequentemente uma importância económica desproporcionada, que gera uma dependência  
excessiva de um único setor (McElroy, 2003; United Nations Conference on Trade and Development  
[UNCTAD], 2021).  
Representa mais de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) em vários SIDS das Caraíbas e do Pacífico,  
contrastando com médias globais inferiores a 10% (UNCTAD, 2021; United Nations Office of the High  
Representative for the Least Developed Countries, Landlocked Developing Countries and Small Island  
Developing States [UN-OHRLLS], 2023). Esta centralidade, embora proporcione oportunidades de  
crescimento e criação de emprego, acarreta riscos de dependência externa e de vulnerabilidade a choques.  
Alguns SIDS registam ainda uma pressão turística muito acentuada sobre os recursos e as  
comunidades locais. Por exemplo, a intensidade turística (medida pelo rácio entre o número de chegadas de  
turistas e a população residente) atinge aproximadamente sete em Santa Lúcia, cinco em Palau, e quatro na  
Dominica e em Grenada. Por contraste, destinos mais afastados dos mercados emissores e rotas turísticas,  
como São Tomé e Príncipe, apresentam rácios significativamente inferiores (0.2 em 2019) (UNCTAD, 2023;  
World Bank, 2025a), o que sugere simultaneamente um elevado potencial de crescimento e uma oportunidade  
para um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável.  
Um dos principais desafios estruturais enfrentados pelos SIDS é a fuga sistemática de receitas  
turísticas, que limita o impacto do setor no desenvolvimento nacional e local. Esta fuga resulta de múltiplos  
fatores: domínio do capital estrangeiro nas infraestruturas turísticas (hotéis, resorts, companhias aéreas,  
agências de viagens); dependência de importações para fornecimento de bens e serviços turísticos; e produção  
local limitada ou dependente de cadeias de valor globais controladas por operadores externos (Britton, 1982;  
Hampton & Jeyacheya, 2013). Estimativas indicam que, nos SIDS caribenhos, a fuga de receitas turísticas  
pode variar entre 40% e 85%, dependendo do destino e do modelo de desenvolvimento adotado (Russell,  
2020; Sharpley & Telfer, 2015; Telfer, 2015).  
Esta dinâmica é particularmente acentuada nos modelos all-inclusive, frequentemente organizados  
como enclaves com ligações reduzidas à economia local. Embora atraiam grandes volumes de turistas e  
investimento estrangeiro, os efeitos multiplicadores na economia local são limitados e podem acentuar  
dualismos económicos entre setores "modernos", orientados para o turismo e setores "tradicionais",  
tendencialmente marginalizados.  
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2.3.  
São Tomé e Príncipe: geografia, economia e desenvolvimento turístico  
São Tomé e Príncipe é um Estado insular localizado na costa ocidental da África Central, com  
1001km² e cerca de 209 607 habitantes. Classificado como um país de desenvolvimento médio (Índice  
Desenvolvimento Humano IDH de 0.637 em 2023), continua dependente da ajuda externa e vulnerável a  
choques externos (Briguglio, 1995; Brito, 2004; International Monetary Fund [IMF], 2022; Loureiro &  
Ferreira, 2015). A sua economia, tradicionalmente assente na agricultura (cacau, café), tem no turismo um  
sector em crescimento, com estimativas a apontar para uma contribuição entre 14% e 16% do PIB (IMF,  
2022; World Bank, 2025a, 2025b).  
O país dispõe de recursos naturais excecionais. A Ilha do Príncipe, classificada como Reserva da  
Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (United Nations  
Educational, Scientific and Cultural Organization UNESCO), posiciona-se como um destino de ecoturismo  
e luxo, conferindo uma distinção única no contexto regional.  
O património cultural e histórico as antigas plantações coloniais de cacau e café conhecidas como  
"Roças" representa um património arquitetónico e cultural de elevado potencial, embora subaproveitado.  
No que tange às infraestruturas e conectividade, as acessibilidades aéreas e marítimas são limitadas e  
dispendiosas. A rede viária, o fornecimento de energia e água, e o saneamento básico são deficientes,  
condicionando a qualidade da oferta.  
O setor turístico revela uma forte dependência de capital estrangeiro predominante no Príncipe e  
correspondente a cerca de 41% em São Tomé (Costa, 2023) , o que acentua os riscos de fuga de receitas  
turísticas e limita uma maior integração com a economia local. Estes são desafios característicos dos SIDS  
(Britton, 1982; Loureiro & Ferreira, 2004, 2015).  
3.  
METODOLOGIA  
3.1.  
Modelo conceptual, definição da amostra e construção dos instrumentos  
Este estudo adota uma abordagem qualitativa, ancorada no paradigma interpretativista. A estratégia  
metodológica escolhida é a de estudo de caso, tendo São Tomé e Príncipe como exemplo representativo das  
dinâmicas turísticas nos SIDS. Esta opção justifica-se pela necessidade de compreender, de forma holística  
e contextualizada, como diferentes teorias, políticas e práticas se manifestam num território que combina  
vulnerabilidades típicas dos SIDS com caraterísticas contextuais singulares.  
A estrutura metodológica da investigação assenta num modelo conceptual que articula três dimensões  
centrais: o contexto económico e institucional de São Tomé e Príncipe; os modelos de desenvolvimento  
turístico adotados nas duas ilhas; e as perceções e propostas dos diferentes grupos de stakeholders.  
A recolha de dados foi operacionalizada através de uma estratégia de triangulação metodológica,  
combinando três técnicas complementares: revisão da literatura e caracterização do território; aplicação de  
entrevistas semiestruturadas; e realização de um grupo focal.  
A análise documental abrangeu fontes secundárias sobre modelos de desenvolvimento turístico,  
caracterização dos SIDS e de São Tomé e Príncipe.  
Relativamente às entrevistas, a definição da amostra seguiu uma lógica intencional e multietápica,  
ancorada em duas ferramentas de mapeamento e priorização: o Rainbow Diagram (Chevalier & Buckles,  
2008), utilizado para identificar atores relevantes por categoria funcional, e a Matriz Poder-Interesse  
(Freeman, 1984), que permitiu hierarquizar os stakeholders em função da sua influência no sector e grau de  
envolvimento. Com base neste mapeamento, recorreu-se a amostragem intencional, combinando critérios de  
diversidade, cobertura territorial e técnica de bola de neve.  
Este processo resultou na realização de 22 entrevistas semiestruturadas distribuídas por quatro grupos  
distintos de stakeholders (ver anexo 1):  
-
Representantes do setor público e governamental, incluindo ministérios, institutos e agências  
públicas com responsabilidades no turismo (identificados pelos códigos PBST para São Tomé  
e PBPR para Príncipe);  
-
-
-
Representantes do setor privado turístico, incluindo operadores turísticos, hoteleiros e  
prestadores de serviços (códigos PVST e PVPR);  
Representantes de organizações não-governamentais (ONG) e organizações internacionais  
ativas no país (códigos ONST e OIST);  
Especialistas e académicos internacionais com expertise reconhecida em SIDS e  
desenvolvimento turístico (códigos ESP seguida das iniciais do nome e apelido).  
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Face à diversidade de perfis dos entrevistados, foram elaborados dois guiões de entrevista, embora  
com questões em comum (ver anexo 2). O primeiro, dirigido a atores locais (sector público, privado e  
sociedade civil), estruturou-se em cinco dimensões analíticas: (i) caracterização dos respondentes; (ii)  
economia e desenvolvimento de São Tomé e Príncipe; (iii) desenvolvimento do destino turístico e dinâmicas  
territoriais; (iv) imagem, sustentabilidade e modelo de desenvolvimento turístico; outras questões (questões  
específicas por grupos de stakeholders).  
O segundo guião, destinado a especialistas internacionais, abordou três dimensões principais: (i)  
caracterização dos respondentes; (ii) turismo nos SIDS; (iii) desenvolvimento do destino turístico e dinâmicas  
territoriais. Ambos os instrumentos foram validados por especialistas externos antes da sua aplicação.  
A abordagem qualitativa foi complementada com a realização de um grupo focal com estudantes  
finalistas do curso de turismo da Universidade de São Tomé e Príncipe, (identificado pelo código GF seguida  
do P participante e numeração alfanumérica atribuída a cada intervenção GF_P1), representando a  
perspetiva da nova geração sobre o setor e proporcionando contributos sobre expectativas, aspirações e  
propostas de desenvolvimento turístico.  
3.2.  
Recolha e análise de dados  
A recolha de dados decorreu em junho de 2024 e as entrevistas tiveram uma duração média  
aproximada de 50 minutos, variando entre 40 e 70 minutos. As entrevistas com os stakeholders locais foram  
realizadas presencialmente nas ilhas de São Tomé e do Príncipe, enquanto as entrevistas com especialistas  
internacionais foram conduzidas por videoconferência, por razões logísticas. Todas as entrevistas foram  
gravadas com consentimento informado, transcritas na íntegra e tratadas com confidencialidade, sendo  
utilizados códigos de identificação. O grupo focal foi realizado nas instalações da Universidade de São Tomé  
e Príncipe, contando com a participação de 19 estudantes finalistas do curso de turismo. Foi seguido um  
protocolo estruturado, abordando temas como perceções sobre o desenvolvimento turístico atual,  
expectativas profissionais, visão sobre a sustentabilidade e propostas de melhoramento do setor.  
Os dados foram analisados com recurso ao software MaxQDA v.24, seguindo uma abordagem de  
análise temática mista.  
Numa primeira fase, de natureza dedutiva, as unidades de significado foram organizadas em função  
das dimensões analíticas previamente definidas no guião de entrevista, que orientam igualmente a  
organização da apresentação dos resultados.  
Numa segunda fase, de natureza indutiva, procedeu-se à identificação de padrões transversais e de  
categorias emergentes não antecipadas a priori. A agregação das categorias baseou-se na recorrência temática  
entre participantes, na convergência conceptual das unidades de significado e na sua coerência face aos  
objetivos do estudo. A triangulação de fontes (entrevistas, documentos e grupo focal) reforçou a validade  
interna e permitiu uma compreensão aprofundada do fenómeno em estudo. A agregação das categorias  
baseou-se na recorrência temática entre participantes, na convergência conceptual das unidades de  
significado e na sua coerência interna face aos objetivos do estudo.  
4.  
RESULTADOS E DISCUSSÃO  
4.1.  
Estrutura de apresentação dos resultados  
A apresentação e discussão dos resultados segue uma estrutura temática, organizada de acordo com as  
dimensões analíticas que orientaram os guiões de entrevista, excluindo-se a dimensão inicial relativa à  
caraterização dos respondentes. Em cada dimensão, cruzam-se os contributos dos diferentes instrumentos de  
recolha de dados (entrevistas com agentes locais, entrevistas com especialistas internacionais e grupo focal  
com estudantes), articulando-se os resultados empíricos com a revisão da literatura. Esta abordagem permite  
uma análise crítica e integrada das evidências, favorecendo a triangulação e a compreensão aprofundada do  
fenómeno em estudo.  
4.2.  
Turismo nos SIDS  
Os especialistas internacionais confirmam a literatura ao considerarem que o turismo é atualmente  
uma via essencial de desenvolvimento económico da generalidade dos SIDS, devido à sua capacidade de  
gerar emprego e atrair investimento externo, internacionalizar essas economias, numa realidade marcada por  
isolamento geográfico e limitações estruturais (ESP_BB; ESP_ES; ESP_GB; ESP_JJ; ESP_GB).  
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Defendem que se verifica uma transição progressiva de modelos massificados para propostas de  
ecoturismo e turismo de nicho, onde a sustentabilidade, a identidade cultural e a preservação ambiental  
ganham centralidade. Neste sentido, os especialistas apontam a necessidade de estratégias adaptadas ao  
contexto local, baseadas em planeamento integrado, capacitação e envolvimento comunitário (ESP_BB;  
ESP_ES; ESP_JJ).  
4.3.  
Economia e desenvolvimento de São Tomé e Príncipe  
A análise cruzada entre literatura e evidência empírica confirma que São Tomé e Príncipe partilha os  
desafios comuns a muitos SIDS, nomeadamente uma economia frágil, forte dependência da ajuda externa e  
elevada vulnerável a choques externos. Os stakeholders validam a caracterização da economia como "frágil  
e deficitária", sendo também confirmados, de forma recorrente, os constrangimentos infraestruturais, a  
elevada fuga de divisas e de capital humano e a instabilidade política.  
Existe ainda um consenso alargado quanto ao turismo ser o setor com maior potencial (14-16% PIB),  
mas o seu desenvolvimento sustentável requer uma abordagem integrada que enfrente as vulnerabilidades  
estruturais e fragilidades da governança. A evidência empírica corrobora as conclusões da literatura (Governo  
de São Tomé e Príncipe, 2022; Hampton & Jeyacheya, 2015, 2020; IMF, 2022), evidenciando a necessidade  
urgente de políticas coordenadas e orientadas para a sustentabilidade.  
4.4.  
Desenvolvimento do destino turístico e dinâmicas territoriais  
Os entrevistados destacaram o contributo efetivo do turismo para a economia nacional e local, mas  
simultaneamente alertaram para o facto de esse contributo ser muito limitado pela fuga de capitais e porque  
uma parte significativa do rendimento ficar ou sair para o exterior, o que limita os benefícios locais. O  
aumento do empreendedorismo local foi visto como sinal positivo, mas este enfrenta dificuldades como o  
fraco acesso ao crédito, cultura empresarial ainda pouco desenvolvida e a fraca capacidade competitiva e  
para desenvolver serviços de qualidade (PRST003; ONST001; OIST001; PRST001).  
Foi ainda destacado o importante papel do turismo na criação de empregos diretos e indiretos, com  
efeitos positivos em setores como a agricultura e as pescas. No entanto, persistem preocupações sobre a  
qualidade dos empregos e os baixos salários (PBST001; PBPR001; ESP_ES; ESP_JJ; GF_P1). A falta de  
profissionais qualificados no setor é um problema crítico, agravado pela emigração de quadros (brain drain),  
muito característico das economias MIRAB (Bertram & Poirine, 2007; Bertram, 2006; Connell, 2007).  
Apesar da criação da Escola Profissional de Turismo e Hotelaria, os esforços de formação ainda são  
insuficientes (ONST002; PVPR001; PVST001; PVST003). Os entrevistados destacaram que as principais  
vantagens competitivas de São Tomé e Príncipe residem nos seus recursos naturais excecionais,  
biodiversidade única, património cultural e tradição de hospitalidade. A segurança, especialmente na Ilha do  
Príncipe, foi também apontada como um fator diferenciador. A autenticidade da experiência turística, as  
praias pouco exploradas e o ambiente natural preservado foram referidos por diversos participantes como  
grandes atrativos (PVST001; PBST001). Contudo, para PBST001, o desenvolvimento do turismo depende  
do próprio desenvolvimento e modernização do país, perspetiva que vai ao encontro da literatura (Babu,  
2008; UNWTO, 2022).  
As limitações de infraestruturas e a fraca conetividade aérea e marítima que compromete o acesso ao  
destino e a logística de bens e serviços, foram identificados como os principais obstáculos ao  
desenvolvimento turístico (PBPR001; PVPR001, PVPR003; OIST001; OIST002; PBPR002; GF_P2;  
ESP_ES; ESP_GB; ESP_BB), à semelhança do que é evidenciado em alguns relatórios sobre a economia do  
país (Governo de São Tomé e Príncipe, 2022; IMF, 2022).  
A oferta turística atual é considerada limitada, com oferta de produtos e serviços turísticos  
insuficientes, pouco diversificados e muita de fraca qualidade (PVST004; PBST001; PVST003; PVST002).  
A herança histórica, que se materializa por exemplo com alguns monumentos e nas antigas roças, foi  
identificada como um recurso valioso. Contudo, muito do património histórico material encontram-se em  
avançado estado de degradação (ONST002; PVST003). Esta perspetiva foi igualmente abordada pela ESP_JJ  
referindo que muitas plantation houses, em algumas ilhas das Caraíbas, foram recuperadas e constituem um  
importante património turístico.  
Foram identificados vários polos turísticos nas ilhas, nomeadamente: a Ilha do Príncipe, a zona Sul de  
São Tomé (incluindo o Ilhéu das Rolas), a zona Norte, a cidade de São Tomé e o interior da ilha. No entanto,  
os stakeholders destacaram que estes polos enfrentam constrangimentos significativos: como uma fraca  
conectividade, estradas degradadas, saneamento básico insuficiente, fornecimento instável de água e energia,  
fraca infraestrutura turística, e o facto da cidade de São Tomé ter muitas zonas bastante degradadas.  
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É todo um conjunto de desafios que limitam a qualidade dos serviços e comprometem a sua  
competitividade (PVPR003; PBST001; PVST002; PVST001). Estes constrangimentos foram igualmente  
abordados na sessão de grupo focal (GF_P1,5,8) e por especialistas (ESP_GB; ESP_JJ; ESP_ES; ESP_BB).  
4.5.  
Imagem, sustentabilidade e modelo de desenvolvimento turístico  
O modelo de desenvolvimento turístico atual enquadra-se conceptualmente na proposta de Dredge  
(1999), sobre a "Região de destino de Múltiplos Nós", que caracteriza os destinos insulares como sistemas  
policêntricos, nos quais diferentes ilhas ou áreas desempenham funções hierarquicamente diferenciadas e  
complementares. A análise comparativa entre os elementos preconizados por este modelo e a realidade  
observada revela uma disfuncionalidade significativa, decorrente, por um lado, da inexistência de um Plano  
de Ordenamento Turístico devidamente enquadrado e, por outro, da limitada eficácia na implementação dos  
planos e políticas anunciados, frequentemente desconsiderados pelos decisores e atores locais, o que  
contribui para o agravamento dos problemas previamente identificados (ver secção 2.3).  
Embora o modelo de Dredge (1999) tenha sido concebido com aplicabilidade a contextos insulares, a  
sua operacionalização exige capacidades institucionais robustas, mecanismos eficazes de coordenação  
interinstitucional e infraestruturas de conectividade adequadas, requisitos cuja operacionalização continua  
comprometida no atual contexto institucional e infraestrutural do país. As entrevistas realizadas evidenciam  
uma dicotomia significativa entre as duas ilhas que compõem o arquipélago. A ilha de São Tomé apresenta  
um modelo de desenvolvimento turístico fragmentado, não planeado estrategicamente, com polos turísticos  
desarticulados e sem uma lógica de integração territorial (PBST001; PVST003; PBPR001; OIST001;  
PVST001).  
Em contrapartida, a ilha do Príncipe é caraterizada por um modelo de desenvolvimento exógeno,  
alicerçado em investimento estrangeiro, com forte orientação para o turismo de luxo e a conservação  
ambiental, beneficiando do reconhecimento internacional enquanto Reserva da Biosfera da UNESCO  
(PVST001; PBST001). Esta assimetria entre as duas ilhas contraria as orientações de diversos especialistas,  
que defendem um modelo de desenvolvimento integrado, equilibrado e cooperativo entre os dois territórios  
insulares (ESP_GB; ESP_JJ; ESP_ES; ESP_RB). Perante esta dualidade, os stakeholders identificam três  
modelos de desenvolvimento possíveis: endógeno, baseado em iniciativas locais; exógeno, dependente de  
investimento estrangeiro; e híbrido, combinado os anteriores (ver Quadro I).  
Quadro I Características comparadas dos modelos de desenvolvimento turístico endógeno, exógeno e híbrido.  
Quadro I Comparative characteristics of endogenous, exogenous and hybrid tourism development models.  
Dimensões  
Modelo Endógeno  
Local  
Modelo Exógeno  
Estrangeiro  
Modelo Híbrido  
Misto  
Fonte de capital  
Controlo  
Comunidade local  
Geralmente pequena  
Preservação  
Alta  
Investidores estrangeiros  
Potencialmente grande  
Risco de diluição  
Potencialmente baixa  
Alta  
Partilhado  
Escala  
Variada  
Impacto cultural  
Retenção de lucros  
Expertise técnica  
Autenticidade  
Equilibrado  
Moderada  
Limitada  
Moderada a alta  
Moderada a alta  
Alta  
Potencialmente baixa  
Fonte: Os autores  
A maioria manifesta preferência pelo modelo híbrido, por equilibrar capital externo e participação  
local (ONST001; PVPR001; ONST001; ONST002; PBST001; GF_P1,3,5; ESP_BG; ESP_ES; ESP_JJ). As  
principais diferenças entre estes três modelos encontram-se sintetizadas no quadro I. Aqueles que advogam  
pelo modelo híbrido justificam a sua escolha com base na necessidade de garantir sustentabilidade,  
diversificação da oferta, maior retorno para a comunidade local e superar a limitação de recursos,  
nomeadamente os financeiros: "There is nothing you can do. You need foreign investment" (PVPR001).  
Perspetiva partilhada por ONST001, que refere: "o empresário local não tem capacidades para satisfazer esse  
nível de exigência nem mesmo o Estado. Os grandes investimentos são estrangeiros".  
Importa também referir que alguns stakeholders defendem o modelo exógeno, salientando a maior  
capacidade das grandes empresas internacionais para controlar o mercado, implementar estratégias de  
marketing, assegurar padrões de qualidade e promover formação contínua. Consideram ainda que estas  
empresas dispõem de melhores condições para mitigar os impactos negativos das suas atividades e garantir  
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práticas sustentáveis. Em contraste, o crescimento desregulado das plataformas digitais de alojamento tem  
gerado vários problemas, enquanto as pequenas unidades locais enfrentam limitações significativas de capital  
e de gestão, o que dificulta a adoção, manutenção e difusão de práticas sustentáveis, bem como a sua  
capacidade de influenciar a procura (PVPR003). Por outro lado, há ainda especialistas que advogam por um  
modelo puramente endógeno, mesmo reconhecendo a limitada capacidade deste em gerar fluxos financeiros  
sustentáveis, nomeadamente ao nível das receitas e da rentabilidade do investimento (ESP_BB).  
No que diz respeito aos modelos de referência para São Tomé e Príncipe, as perspetivas dos  
especialistas são divergentes. O especialista ESP_RB posiciona-se contra a adoção de modelos específicos,  
sublinhando a importância de centrar a atenção nos objetivos desejados e nas particularidades locais:  
Forget about specific models, focus on what is wanted, at what level, and of what type. Avoid  
conflicting types of development, avoid or limit foreign influences, and be firm with transport  
agencies in the level of access, e.g. to cruise lines, which are allowed (ESP_RB).  
Embora reconheça que as Ilhas Shetland não integram o grupo dos SIDS, ESP_RB aponta este  
território como um exemplo interessante de gestão bem-sucedida do desenvolvimento. Por sua vez, ESP_ES  
menciona Cabo Verde no que respeita à valorização do capital humano; ESP_GB destaca as Maurícias e as  
Seicheles; e ESP_JJ refere também as Seicheles, acrescentando Trindade e Tobago como o caso que, na sua  
opinião, mais se aproxima da realidade de São Tomé e Príncipe. No entanto, importa ressalvar que estas ilhas  
possuem maior capacidade para selecionar o tipo de investimento e o modelo de desenvolvimento a adotar,  
pois beneficiam de uma economia assente na exploração petrolífera.  
Além disso, vários dos entrevistados apontam inúmeros desafios associados a governação: fraca  
capacidade de planeamento e de implementação das políticas, ausência de instrumentos eficazes de gestão  
de destinos, instabilidade política e descontinuidade de políticas públicas (ONST001; PBST001; PVST003;  
GF_P1,2). Os recursos naturais e culturais do país permanecem subexplorados, e os graves constrangimentos  
infraestruturais limitam a qualidade da experiência turística e a competitividade internacional (PBST001;  
PVPR003; PVST002). Investidores estrangeiros acabam por assumir responsabilidades públicas, agravando  
a pressão sobre os projetos turísticos:  
You need to invest in your project that you're specifically investing on, but you also then  
need to invest in the foundation of your concept in terms of your infrastructure, and then as  
well, the massive social obligation that is present in these small islands that have no minerals  
or resources to sell, no GDP (PVPR001).  
Numa linha semelhante, PVPR003 acrescenta:  
Enfrentamos um problema sério relativamente à viabilidade dessa empresa, pois, em diversas  
ocasiões, quando ocorre uma avaria no avião, não é apresentada qualquer solução, o que  
resulta em semanas sem ligação aérea entre as ilhas. Esta situação compromete a viabilidade  
do serviço e reduz a confiança das pessoas em viajar para o Príncipe (PVPR003).  
Não menos relevante são os desafios associados às desigualdades sociais e ao desenvolvimento. No  
caso concreto do Príncipe, persistem desigualdades profundas, sendo referido por um dos entrevistados que  
uma parte muito significativa da população vive em situação de grande precariedade, sem garantia de acesso  
regular a alimentos (PVPR001). Esta realidade ilustra como o crescimento económico associado ao turismo  
não se traduz, por si só, num desenvolvimento social justo e inclusivo. A situação é ainda agravada pela  
concentração de poder numa pequena elite local, que influência de forma determinante o rumo do  
desenvolvimento da ilha.  
4.6. Outras questões específicas por grupos de stakeholders  
Os entrevistados enfatizam a urgência de promover a diversificação da base económica nacional, com  
destaque para os setores estratégicos como a agricultura, as pescas e a economia azul (PBST001; PBST004;  
GF_P1; ESP_GB; ESP_ES_RB). Por sua vez, a fraca integração entre setores compromete a criação de  
cadeias de valor locais e potencia efeitos inflacionistas (PBST004).  
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A visão política para o turismo revela-se incipiente e desprovida de continuidade, sendo  
frequentemente desarticulada por sucessivas mudanças governativas (PBST001; PBST002; ESP_ES;  
GF_P4). A falta de coordenação intersectorial agrava esta limitação, contrastando com a maior estabilidade  
observada na ilha do Príncipe (PBPR001). Vários dos investimentos anunciados não são concretizados ou  
sofre sucessivos adiamentos, evidenciando um desfasamento entre a formulação das políticas e a sua efetiva  
implementação. Constata-se, igualmente, uma priorização das estratégias de marketing em detrimento de um  
verdadeiro Plano de Ordenamento Turístico e de investimentos infraestruturais estruturantes (PBST001).  
Neste contexto, a pertinência e eficácia da atual estratégia de comunicação também são questionadas, como  
ilustrado por PBST001: “Fomos para Sérvia um mercado que não nos diz nada”. As câmaras distritais  
apresentam competências reduzidas no planeamento turístico, devido à excessiva centralização governativa  
(PBST002; PBST003).  
O país continua pouco atrativo para investidores internacionais, devido a riscos elevados,  
instabilidade, limitações logísticas e jurídicas (PVST003; PBST001; PVST001; ONST002). O setor privado  
aposta na formação, mas enfrenta limitações estruturais, fuga de mão de obra qualificada e concorrência  
informal (PVST001; PVST003). Além disso, revela dificuldades associadas à sazonalidade, sobretudo na  
ilha do Príncipe. Para o PVPR002, as “pessoas precisam de ser educadas, pensam que quando chove não é  
bom, muito pelo contrário”. Por sua vez, PVPR001, defende uma mudança de foco do mercado, apostando  
mais na qualidade do que na quantidade. Esta perspetiva contrasta com a de PBPR001, que argumenta:  
“precisamos neste momento de mais hotéis de duas, três estrelas no Príncipe”.  
As ONGs contribuem com iniciativas relevantes, embora dependam de financiamento externo e  
careçam de mecanismos eficazes de monitorização (ONST001; ONST002). Apesar da sua intervenção em  
domínios associados ao turismo sustentável, a ausência de indicadores claros e sistemáticos para avaliar a  
sustentabilidade das suas ações levanta questões pertinentes sobre a sua eficácia e o real impacto gerado.  
5. CONCLUSÕES  
Esta investigação propõe uma análise crítica do modelo de desenvolvimento turístico em São Tomé e  
Príncipe enquadrando-o nas dinâmicas mais amplas dos SIDS. Em coerência com os objetivos definidos na  
introdução, nomeadamente analisar os modelos dominantes, avaliar as suas implicações territoriais e propor  
uma alternativa estratégica, a análise empírica evidenciou a coexistência de dois modelos contrastantes: um  
modelo fragmentado, com baixa regulação e que tem promovido a informalidade na ilha de São Tomé; e um  
modelo orientado para a sustentabilidade, mas fortemente dependente de capital externo, na ilha do Príncipe.  
Esta dualidade resulta, em grande medida, da ausência de uma estratégia nacional integrada,  
multissectorial e participativa, gerando assimetrias significativas entre ilhas, entre polos turísticos dentro de  
cada território e entre setores económicos com diferentes níveis de integração na cadeia de valor do turismo.  
Os dados recolhidos revelam que, apesar da existência de planos estratégicos e de orientações políticas  
declaradas, o setor turístico permanece desarticulado, sem coordenação institucional eficaz, com limitada  
capacitação interna e uma acentuada dependência de recursos e know-how externos. Este quadro limita a  
capacidade de o turismo assumir plenamente o seu papel como motor de desenvolvimento socioeconómico  
inclusivo e sustentável, acentuando desigualdades territoriais e restringindo a captação local dos benefícios  
gerados pela atividade turística.  
Considerando que o modelo atualmente prevalecente se aproxima do proposto por Dredge (1999), e  
que a sua adaptação às especificidades locais pode posicionar o país numa trajetória de economia orientada  
para o turismo (economia SITE), propõe-se o MDIS-STP como alternativa estratégica para a construção de  
uma economia mais diversificada e resiliente. Este modelo assenta numa lógica sistémica e híbrida,  
articulando o turismo com setores como a agricultura, a economia azul e a logística regional, sustentado por  
uma estrutura de governação colaborativa e territorialmente enraizada.  
Embora reconheça a necessidade de investimento e know-how internacional, sublinha a centralidade  
da participação local, da diversificação produtiva e da valorização dos recursos endógenos.  
Ao integrar princípios de sustentabilidade (ambiental, social e cultural), inclusão e resiliência  
institucional, o MDIS-STPconstitui uma proposta potencialmente replicável noutros SIDS que enfrentam  
desafios semelhantes, como a insularidade, a fragmentação territorial e a vulnerabilidade estrutural. Como  
assinalou um dos especialistas entrevistados, “diversification is super important. Do not put all your eggs in  
the tourism basket” (ESP_GB).  
A nível teórico, este estudo oferece quatro contributos principais para o campo dos estudos de turismo  
em contextos dos SIDS:  
10  
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1.  
A aplicação crítica do modelo da “Região de Destino de Múltiplos Nós” ao caso de São Tomé  
e Príncipe demonstrou que, em contextos marcados por fraca institucionalidade e limitada  
coordenação intergovernamental, a sua aplicabilidade é reduzida. Propõe-se, por isso, a sua  
reformulação teórica, incorporando dimensões de sustentabilidade, resiliência adaptativa e  
governação colaborativa, superando a sua orientação predominantemente infraestrutural e  
espacial.  
2.  
O MDIS-STP constitui uma proposta inovadora que ultrapassa os modelos tradicionais de  
desenvolvimento turístico. A sua natureza sistémica e modular valoriza a articulação entre  
setores estratégicos, a territorialização das políticas públicas e a centralidade da governação  
partilhada, favorecendo a replicabilidade noutros contextos insulares.  
3.  
4.  
O modelo proposto representa uma transição de uma abordagem centrada no crescimento  
económico para uma perspetiva transformadora e multidimensional do desenvolvimento  
turístico em SIDS.  
Inspirado em princípios do pós-desenvolvimento, o MDIS-STP promove a autonomia local, a  
resiliência comunitária e a redução da dependência de modelos exógenos.  
Apesar da sua relevância teórica e empírica, o estudo apresenta algumas limitações que importa  
reconhecer: dificuldades na aplicação de uma abordagem mista com recurso a inquéritos; constrangimentos  
logísticos no acesso a entrevistados e na realização do grupo focal; e complexidade da análise multinível  
(macro e micro). Com base nas lacunas identificadas, sugerem-se três eixos prioritários para investigação  
futura: (i) aprofundamento quantitativo através de estudos de perceção e impacto; (ii) análises longitudinais  
que acompanhem a evolução do setor; e (iii) estudos intersectoriais sobre integração económica e  
planeamento territorial. Estes caminhos poderão contribuir para um conhecimento mais robusto e para a  
formulação de políticas públicas mais eficazes e territorialmente ajustadas. Em última análise, trata-se de  
garantir que o turismo contribua, de forma estruturada e sustentável, para melhorar a qualidade de vida das  
populações locais e reforçar a resiliência dos territórios insulares face aos desafios globais.  
CONTRIBUTOS DOS AUTORES  
Andersone da Silva: Metodologia, Investigação, Curadoria de dados, Redação preparação do esboço  
original, Visualização. Francisco Silva: Conceptualização, Metodologia, Validação, Redação revisão e  
edição, Supervisão.  
ORCID  
Andersone da Silva  
Francisco Silva  
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Telfer, D. J. (2015). Tourism and Regional Development Issues. In R. Sharpley, & D. J. Telfer (Eds.), Tourism and  
development: Concepts and issues (pp. 140-177). Channel View Pulications.  
Torres, A. G. G., Flores, S. M. L. M., Serrano, J. I. B., Ceja, E. S., & Ramos, E. M. (2013). Análisis del sector turístico como  
clave para la definición de estrategias de mitigación y adaptación al cambio climático en la costa de Nayarit  
[Analysis of the Tourism Sector as a Key Element for Defining Mitigation and Adaptation Strategies to Climate  
United Nations Conference on Trade and Development. (2023). Country Profile General Profile. UNCTAD.  
United Nations Conference on Trade and Development. (2021). Building Resilience in small island developing States.  
United Nations Office of the High Representative for the Least Developed Countries, Landlocked Developing Countries and  
Small Island Developing States. (2023). Financing for development of small island developing states. UN-OHRLLS.  
United Nations World Tourism Organization. (2022). Global and regional tourism performance. UNWTO.  
United Nations World Tourism Organization. (2012). Challenges and opportunities for tourism development in small island  
developing states. UNWTO.  
World Bank Group. (2025a). São Tomé and Príncipe Circular Economy Diagnostic. WBG.  
World Bank Group. (2025b). São Tomé e Príncipe. WBG. https://data.worldbank.org/country/sao-tome-and-principe  
World Bank Group. (2023). Population density (people per sq.km of land area). WBG.  
14  
Silva, A., Silva, F. Finisterra, LXI(131), 2026, e42713  
ANEXOS  
Anexo I Entrevistas: Amostra  
Quadro I Amostra considerada nas entrevistas (Participantes das Entrevistas por Grupo, Função e Localização).  
Table I Sample considered in the interviews (Interview Participants by Group, Role and Location).  
Localização  
Ilha de São Tomé  
Ilha de São Tomé  
Ilha de São Tomé  
Ilha de São Tomé  
Ilha do Príncipe  
Ilha do Príncipe  
Ilha de São Tomé  
Ilha de São Tomé  
Ilha de São Tomé  
Ilha de São Tomé  
Ilha do Príncipe  
Ilha do Príncipe  
Ilha do Príncipe  
Ilha do Príncipe  
Ilha de São Tomé  
Ilha de São Tomé  
Ilha de São Tomé  
Ilha do Príncipe  
Ilha de São Tomé  
Malta, Valeta  
Grupo  
Público  
Público  
Público  
Público  
Público  
Público  
Privado  
Privado  
Privado  
Privado  
Privado  
Privado  
Privado  
Privado  
Função  
Código  
PBST001  
PBST002  
PBST003  
PBST004  
PBPR001  
PBPR002  
PVST001  
PVST002  
PVST003  
PVST004  
PVPR001  
PVPR002  
PVPR003  
PVPR004  
OIST001  
ONST001  
ONST002  
ONPR005  
GF_P1,2,3…19  
ESP_GB  
Ex-Dirigente da Administração Pública  
Autarca  
Autarca  
Economista  
Dirigente da Administração Pública  
Assessor da Administração Pública  
Proprietário de Hotel  
Diretora de Hotel  
Proprietário de Empreendimento Turístico  
Gestor da Agência de Viagens  
CEO de Empreendimento Turístico  
Diretor-Geral de Empreendimento Turístico  
Dirigente de Sustentabilidade de Empreendimento Turístico  
Presidente da Associação de Profissionais de Turismo  
Org. Internacional Dirigente do Banco Mundial  
ONG  
ONG  
Representantes da ONG  
Fundador e Presidente da ONG  
ONG  
Diretor Executivo da ONG  
Estudantes  
Especialista  
Especialista  
Grupo Focal  
Professor Universitário, área de Sociologia  
Professor Universitário, área de Economia e Desenvolvimento do Turismo  
Portugal, Lisboa  
ESP_ES  
Reino Unido,  
Glasgow  
Especialista  
Professor Universitário, área de Gestão  
ESP_RB  
Reino Unido,  
Manchester  
Especialista  
Especialista  
Professor Universitário, área de Desenvolvimento Internacional  
ESP_JJ  
Portugal, Lisboa  
Professor Universitário, área de Relações Internacionais  
Fonte: Os autores.  
ESP_BB  
Anexo II Guião dos questionários das entrevistas  
Questionário aplicado aos grupos de stakeholders na ilha de São Tomé e do Príncipe  
D 1 Caracterização dos respondentes  
1.  
Pode falar-nos um pouco sua formação, profissão atual, entidade que representa, e ligação que tem com o setor do  
turismo em São Tomé e Príncipe?  
D 2 Economia e desenvolvimento de São Tomé e do Príncipe  
2.  
Como caracteriza a economia e o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe? Quais os principais constrangimentos e  
desafios ao desenvolvimento do país e quais os setores que apresentam maior potencial para contribuir para o  
desenvolvimento de São Tomé e Príncipe?  
D 3 Desenvolvimento do destino turístico e dinâmicas territoriais  
3.  
Pode nos falar sobre o desenvolvimento do setor turístico no país e a importância do mesmo par a economia e sociedade  
são-tomense?  
15  
Silva, A., Silva, F. Finisterra, LXI(131), 2026, e42713  
4.  
Na sua opinião, quem são os principais impulsionadores/ investidores do turismo em São Tomé e Príncipe (Estado,  
comunidade local, diáspora, empreendedores locais, empresas internacionais)? Como essa dinâmica tem evoluído ao  
longo do tempo e qual é o peso do Estado nesse contexto?  
5.  
6.  
Identifica especificidades geográficas (distritos, ilhas, espaços turísticos) ao nível do desenvolvimento económico e  
turístico no país? Se sim, como as define e qual a sua potencialidade de desenvolvimento?  
Vamos agora especificar alguns campos de ação geralmente considerados essenciais para o desenvolvimento do  
turismo, em particular as vantagens competitivas, do destino, oferta, procura, oportunidades e limitações.  
6.1  
Quais as principais vantagens competitivas, forças, oportunidades, limitações e ameaças ao desenvolvimento  
turístico que identifica?  
6.2  
Como caracteriza o destino, em particular em termos de segurança, hospitalidade, autenticidade e qualidade?  
[Questionar apenas caso não tenha sido abordado na resposta anterior, ou adaptar a questão caso já tenha sido  
parcialmente respondida].  
6.3  
6.4  
6.5  
No caso específico da oferta turística (infraestruturas, equipamentos, serviços alojamento e de animação e  
outros serviços), considera que esta aproveita devidamente os recursos do país, é de qualidade e diversificada?  
O que está a ser promovido para acrescentar valor à oferta turística? [Adaptar a questão caso já tenha sido  
parcialmente respondida na questão anterior].  
Agradeço que desenvolva um pouco mais a questão da procura turística. Considera que esta está a ser  
devidamente assegurada e trabalhada? Os potenciais mercados estão a ser explorados? O que está a ser feito e  
é necessário fazer para impulsionar a procura? [Adaptar a questão caso já tenha sido parcialmente respondida  
na questão anterior].  
Por fim, outra questão considerada geralmente como crítica, especificamente a qualificação e capacidade  
empreendedora da sociedade. Como se posiciona São Tomé e Príncipe a este nível e o que o Estado e outras  
organizações têm feito para promover o aumento da qualificação, de conhecimento e de capacidade para  
empreender da sociedade de São Tomé e Príncipe? [Adaptar a questão caso já tenha sido parcialmente  
respondida na questão anterior].  
7.  
Considerando o diagnóstico que apresentou, qual a estratégia e medidas / ações que considera serem essenciais para  
promover o desenvolvimento do setor?  
D 4 Imagem, sustentabilidade e modelo de desenvolvimento turístico  
O Plano Estratégico e de Marketing para o Turismo de São Tomé e Príncipe 2018-2025, apresenta como visão  
estratégica para 2025, posicionar São Tomé e Príncipe como “o destino turístico insular mais preservado da África  
Equatorial, com uma natureza e biodiversidade únicas, praias paradisíacas, um legado histórico-cultural de roças de café e  
cacau e uma comunidade local hospitaleira que enriquece a experiência turística” (DGTH, 2008, p.7). “A necessidade por  
detrás do Plano centra-se na vontade do Governo em maximizar o contributo do turismo para o emprego nacional e a geração  
de receitas, garantindo que os benefícios sociais e económicos do turismo sejam distribuídos de forma equitativa” (ibid., p.  
6). O plano considera as seguintes metas: aumento de 73,4% da contribuição do setor do turismo para o PIB; aumento de  
5,8% no número de empregos no setor do turismo; acréscimo de 19,7% da taxa de ocupação quarto; aumento de 65,5% de  
chegadas internacionais; e um acréscimo em 81,2% do investimento no país.  
8.  
9.  
Concorda com esta visão? Considera que ela é realista? Agradeço que justifique.  
Quais têm sido os principais beneficiários do desenvolvimento turístico (país no geral, população, investidores  
externos, outros)? Considera importante atuar para que o peso e os benefícios do turismo seja alterado? Se sim em que  
direção e como?  
10.  
Em relação ao modelo de desenvolvimento turístico prevalente nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento,  
alguns especialistas identificam três principais desafios que afetam adversamente a economia desses territórios: 1) uma  
grande parte da receita turística não é retida localmente; 2) o turismo contribui para a inflação dos preços; e 3) há um  
aumento da dependência de importações, com uma baixa integração de produtos locais na economia. Concorda com  
esta análise? Acredita que essas questões se aplicam também a São Tomé e Príncipe (São Tomé e Príncipe)? Se sim,  
em que medida? Por favor, explique sua resposta.  
11.  
12.  
Como descreveria o modelo de desenvolvimento turístico que prevalece em São Tomé e Príncipe, ou modelos, caso  
identifique especificidades geográficas no território? Esse modelo atende às necessidades atuais e futuras do país, ou  
dever evoluir para outro modelo mais adequado? Agradeço que justifique.  
Como garantir a sustentabilidade da atividade turística em São Tomé e Príncipe, considerando os impactos das  
alterações?  
D 5 Outas questões ou específicas por grupos de stakeholders  
GRUPO DE STAKEHOLDER 1 (D6.G.S:1): Ministro do turismo, Diretor do Turismo, Diretora Desenvolvimento  
turístico, Presidente das Câmaras Distritais.  
13.  
14.  
Quais as perspetivas e principais evoluções a nível do desenvolvimento económico de São Tomé e Príncipe?  
Qual a visão para o turismo de São Tomé e Príncipe e quais os principais objetivos definidos pelo governo para  
promover o desenvolvimento do turismo e alcançar essa visão?  
16  
Silva, A., Silva, F. Finisterra, LXI(131), 2026, e42713  
15.  
Alguns stakeholders referem que em São Tomé e Príncipe tem havido mais ênfase na realização de planos e estratégias  
de marketing do que na elaboração de plano de ordenamento turístico e no desenvolvimento de infraestruturas  
necessárias para impulsionar o setor. Concorda com esta afirmação? Pode justificar a sua perceção?  
16.  
17.  
Qual a competência dos municípios em matéria de políticas de planeamento e desenvolvimento turístico?  
Que investimentos têm sido realizados para assegurar que o turismo atinja os objetivos estabelecidos pelo governo?  
Pode fornecer alguns exemplos concretos?  
18.  
19.  
Alguns stakeholders referem que em São Tomé e Príncipe tem havido mais ênfase na realização de planos e estratégias  
de marketing do que na elaboração de plano de ordenamento turístico (POT) e no desenvolvimento de infraestruturas  
necessárias para impulsionar o setor. Concorda com esta afirmação? Pode justificar a sua perceção?  
Não havendo um POT e considerando que os nacionais têm acesso a terra, cada um constrói espaços turísticos ondem  
lhe apetece? Como é que esta atitude contribui para a sustentabilidade do turismo? E como é que tem sido  
acompanhada/vigiada o cumprimento de práticas sustentáveis no setor?  
20.  
21.  
22.  
O Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Ilha do Príncipe é dependente de São Tomé ou é independente?  
Qual é o impacto classificação da biosfera na economia e no turismo da região?  
Gostaria de apresentar mais algum comentário no âmbito desta entrevista?  
GRUPO DE STAKEHOLDER 2 (D6.G.S:2): Presidente da Associação de turismo; Proprietários e Diretores de hotéis,  
Operadores Turísticos e Agências de Viagens Locais.  
23.  
Como é que o seu negócio se adapta às características e desafios específicos do país (São Tomé e Príncipe) no  
desenvolvimento da sua atividade turística, ao nível de: práticas de sustentabilidade, gestão da sazonalidade;  
valorização da cultura local; formação e qualificação da mão de obra?  
24.  
Uma das principais questões críticas sobre desenvolvimento turístico nos SIDS prende-se com quem domina a oferta,  
a escala dessa oferta e o nível de retorno financeiro do turismo para o país e comunidade local. É adequado e viável  
promover um desenvolvimento turístico de baixa escala com grande participação da comunidade, ou é mais vantajoso  
apostar no investimento de empresas internacionais, ou uma situação mista? Justifique.  
25.  
Gostaria de apresentar mais algum comentário no âmbito desta entrevista  
GRUPO DE STAKEHOLDER 3 (D6.G.S:3): ONG  
26.  
27.  
28.  
Quais são as principais iniciativas das ONG para promover o turismo sustentável e responsável em São Tomé e  
Príncipe? Como monitoram e quais são os indicadores que utilizam para avaliar o desenvolvimento do turismo  
sustentável no país?  
Qual é o papel percebido da colaboração entre ONG, governos locais e outras partes interessadas na promoção do  
desenvolvimento turístico sustentável no país, e quais são os principais obstáculos ou oportunidades para essa  
colaboração na prática?  
Gostaria de apresentar mais algum comentário no âmbito desta entrevista?  
GRUPO DE STAKEHOLDER 4 (D6.G.S:4): Banco Mundial  
29.  
Qual é a sua análise sobre o potencial do turismo como motor de crescimento económico em São Tomé e Príncipe, e  
quais são as áreas prioritárias de intervenção para apoiar o desenvolvimento turístico no país?  
30.  
31.  
Pode falar-nos como é que a organização que representa, influencia o desenvolvimento turístico no país?  
Gostaria de apresentar mais algum comentário no âmbito desta entrevista?  
Questionário aplicado ao grupo de especialistas  
E.D1 Caracterização dos respondentes  
1.  
Pode falar-nos um pouco da sua ligação ao desenvolvimento turístico nos SIDS e dar nota dos estudos realizados nesse  
âmbito, sobre esses territórios?  
E.D2 - Turismo nos SIDS  
2.  
Qual a importância do turismo para o desenvolvimento dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS)  
e quais as tendências de evolução?  
3.  
4.  
Quais são as principais oportunidades, ameaças e desafios relacionado com o desenvolvimento turístico nos SIDS?  
Quais os principais modelos de desenvolvimento turístico que identifica e quais as suas principais vantagens e  
desvantagens?  
17  
Silva, A., Silva, F. Finisterra, LXI(131), 2026, e42713  
5.  
Qual, ou quais, a(s) estratégia(s) e medidas essenciais a serem tomadas pelos SIDS para promoverem o  
desenvolvimento mais sustentável do turismo e minimizarem os impactos negativos da atividade?  
E.D3 - Desenvolvimento do destino turístico e dinâmicas territoriais  
O próximo grupo de questões debruça-se sobre o desenvolvimento turístico de São Tomé e Príncipe. Antes de colocar  
essas questões vou fazer uma breve apresentação do país:  
São Tomé e Príncipe é um pequeno país insular composto por duas ilhas localizado no Golfo da Guiné. A ilha de São  
Tomé tem cerca de 230 mil habitantes e a do Príncipe apenas 8.000. O país é muito dependente da ajuda externa e a sua  
economia é baseada na agricultura e serviços. A exportação concentra-se em produtos agrícolas e serviços de turismo.  
Contudo, a procura turística é ainda muito reduzida (35 mil visitantes em 2019), em particular, por ter grandes limitações de  
voos e ficar longe das principais rotas turísticas.  
O Plano Estratégico e de Marketing para o Turismo de São Tomé e Príncipe 2018-2025, apresenta como visão  
estratégica para 2025, posicionar São Tomé e Príncipe como “o destino turístico insular mais preservado da África  
Equatorial, com uma natureza e biodiversidade únicas, praias paradisíacas, onde a hospitalidade Santomense, baseada no seu  
legado histórico-cultural de roças de café e cacau, partilha o seu modo de vida e a forma calorosa de receber” (DGTH, 2008,  
p.7). “A necessidade por detrás do Plano centra-se na vontade do Governo em maximizar o contributo do turismo para o  
emprego nacional e a geração de receitas, garantindo que os benefícios sociais e económicos do turismo sejam distribuídos de  
forma equitativa” (ibid., p. 6).  
6.  
Já visitou São Tomé e Príncipe e/ou conhece a realidade deste país? Perante a informação transmitida e seu  
conhecimento sobre o desenvolvimento dos SIDS, quais são os principais fatores críticos para o desenvolvimento  
turístico de São Tomé e Príncipe?  
7.  
Considerando as limitações de acessibilidades, de recursos financeiros, de infraestrutura, de know-how e a dependência  
de recursos externos, consegue identificar um modelo de desenvolvimento, ou as bases de um modelo, que seja mais  
apropriado para que o turismo possa afirmar-se em São Tomé e Príncipe como um setor estratégico e que contribua  
para um desenvolvimento efetivo e sustentável do país?  
8.  
9.  
Apesar da homogeneidade cultural e geográfica das duas ilhas, constata-se que a ilha do Príncipe tem especificidades  
no que se refere ao desenvolvimento turístico, e em particular por ter uma dupla insularidade, uma dimensão e  
população muito reduzida e o domínio da oferta turística de empresas internacionais, que estão direcionadas para um  
segmento de procura de elevado rendimento e com grande valorização de destinos de baixa escala. Considera este  
modelo apropriado para o desenvolvimento desta ilha? Este modelo será também o mais adequado para todo o país, ou  
faz sentido coexistirem modelos de desenvolvimento turísticos distintos no país?  
Será adequado promover uma maior participação da economia e empreendedores locais no turismo? Se sim, não será  
um problema coexistirem empresas de alojamento e de outros serviços com dimensões e caraterísticas distintas, como  
é o caso do que acontece com a oferta de alojamento na ilha de São Tomé, onde prevalecem as unidades de pequena  
escala, de investidores locais, com níveis de qualidade muito distintas?  
10.  
11.  
Considera viável e adequada a visão e o objetivo proposto pelo Governo de São Tomé e Príncipe de desenvolver um  
turismo de pequena escala que contribua para a redução da pobreza, a geração de empregos e divisas, e a revitalização  
da cultura? Qual a real capacidade desse modelo para gerar os impactos desejados em São Tomé e Príncipe?  
Existem exemplos de países que implementaram com sucesso modelos semelhantes de turismo de pequena escala?  
Quais as lições que podem ser aprendidas com essas experiências para o caso de São Tomé e Príncipe?  
18