Finisterra, LX(130), 2025, e44086  
ISSN: 0430-5027  
doi: 10.18055/Finis44086  
Comentário de autor  
SUZANNE DAVEAU.  
CONTRIBUTO PARA A FINISTERRA  
Maria João Alcoforado1  
Maria Fernanda Alegria2  
RESUMO Suzanne Daveau foi uma das fundadoras da Finisterra em 1966. Assinalando os seus 100 anos de  
vida, analisa-se a grande diversidade dos 98 textos que publicou nesta Revista, entre 1966 e 2016, assim como as suas  
principais obras de referência. Fica evidenciada a variedade de interesses da autora, desde a Geografia Histórica,  
passando por estudos de Geografia Física (particularmente Geomorfologia e Climatologia), Geografia Regional,  
Cartografia, entre outros. Em todos estes campos foi inovadora, assim como na aplicação de técnicas que iam surgindo  
como  
a
deteção remota, de que foi uma das precursoras em Portugal. Sempre defendeu  
e
praticou  
a
pluridisciplinaridade, em desfavor da especialização, sobretudo quando precoce. Muitos dos textos analisados ou  
referidos têm carácter pedagógico bem marcado, pois a vertente de investigadora de Suzanne Daveau está  
estreitamente interligada com a de professora e orientadora de numerosos discípulos. A vontade de manter viva a  
memória de muitos investigadores fica também aqui registada. Referem-se ainda alguns testemunhos do incentivo que  
Suzanne Daveau deu a discípulos de “segunda geração. Suzanne Daveau esteve sempre presente nas diversas  
iniciativas da Finisterra, de que se apontam algumas, sempre com palavras de estímulo para os seus seguidores.  
Palavras-chave: Suzanne Daveau; Geografia; Finisterra.  
ABSTRACT SUZANNE DAVEAU. CONTRIBUTOR TO FINISTERRA. Suzanne Daveau was one of the founders of  
Finisterra in 1966. On the occasion of her 100th birthday, this paper examines the great diversity of the 98 works she  
published in the journal between 1966 and 2016, as well as her main reference works. The breadth of the author’s  
interests is evident, ranging from Historical Geography to studies in Physical Geography (particularly Geomorphology  
and Climatology), Regional Geography, Cartography, among others. In all these fields, she was innovative, including in  
the application of emerging techniques such as remote sensing, of which she was one of the pioneers in Portugal. She  
always defended and practised multidisciplinarity, favouring it over early specialisation. Many of the works analysed  
or cited have a strong pedagogical character, since Suzanne Daveau’s research activity was closely intertwined with her  
role as a teacher and supervisor to numerous students. Her commitment to preserving the memory of many researchers  
is highlighted. The text also refers to several accounts of the encouragement that Suzanne Daveau gave to “second-  
generation” students. She was always present at the various Finisterra initiatives, consistently offering support and  
encouragement to her followers.  
Keywords: Suzanne Daveau, Geography, Finisterra.  
1.  
INTRODUÇÃO  
A Professora Suzanne Daveau completou 100 anos a 13 de julho de 2025. Pareceu apropriado  
fazer uma síntese do seu trabalho na Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, que tanto lhe deve.  
Suzanne Daveau é uma eminente geógrafa, conhecida internacionalmente, que tratou de quase  
todos os temas de Geografia, contrariando a tendência de especialização científica, muito nítida a partir  
de meados do século XX. De personalidade muito rica, viva inteligência e curiosidade insaciável, possui  
também qualidades artísticas, que a levaram, desde muito cedo, a desenhar, pintar, fotografar  
Recebido: 12/11/2025. Aceite: 22/12/2025. Publicado: 30/12/2025.  
1
Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa. Edifício IGOT,  
Universidade de Lisboa, R. Branca Edmée Marques, 1600-276, Lisboa, Portugal. E-mail: mjalcoforado@campus.ul.pt  
2
Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal. E-mail: mfalegriab@gmail.com  
Published under the terms and conditions of an Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International license.  
Alcoforado, M. J., Alegria, M. F. Finisterra, LX(130), 2025, e44086  
(seguindo a tradição familiar) e, em anos mais recentes, a realizar tapeçarias a partir dos seus próprios  
desenhos. Viveu a guerra de 1939-45, grande parte do tempo em Paris, pelo que segue com apreensão  
a presente situação política mundial, estabelecendo paralelismos com o que ela própria passou na  
juventude.  
A sua biografia científica foi já tratada em diversas publicações. Salientamos aqui o texto bio-  
bibliográfico de J. C. Garcia (1997), numerosos artigos sobre a sua obra no número 63 da Finisterra,  
que lhe foi dedicado (Medeiros, 1997a; Gaspar, 1997) e o livro coordenado por Maria Fernanda Alegria  
(Alegria et al., 2015), ilustrado com sugestivas fotografias, celebrando os seus 90 anos. Ao longo da  
vida recebeu prémios, condecorações e doutoramentos Honoris Causa: Senegal (1964), França (1981)  
e Portugal (1997, 1998, 2001, 2002, 2017e 2025).  
Quando, em 1965, se estabeleceu em Portugal dedicou-se a este espaço de estudo e começou a  
percorrer o país com Orlando Ribeiro. Mas já antes fizera carreira em França e na África Ocidental.  
Estudou Geografia na Universidade de Paris, foi professora dos ensinos primário, secundário e  
superior (Universidades de Besançon e Reims) e fez o Doutoramento ès Lettres na Sorbonne sobre os  
habitantes da montanha franco-suíça do Jura (Daveau, 1959a). A sua tese complementar versou a  
Geomorfologia da região de Bandiagara, na África Ocidental (Daveau, 1959b). De 1957 a 1964 foi  
Professora na Universidade de Dakar, onde desenvolveu notáveis trabalhos de Geomorfologia e de  
diversos temas de Geografia Tropical (Alegria et al., 2015; Garcia, 2001; Pélissier, 1997).  
Uma das principais preocupações de Suzanne Daveau foi de divulgar amplamente o  
conhecimento geográficoi. Importantes para o “grande público” foram O Ambiente Geográfico Natural  
(Daveau, 1976b) e Portugal Geográfico (Daveau, 1995). A aparente simplicidade destas obras esconde  
elaboradas sínteses, que várias gerações de alunos e outros interessados têm usado com proveito.  
Também o livro La Zone Intertropicale Humide (Daveau & Ribeiro, 1973) é uma síntese geográfica  
notável. Lembre-se ainda o interesse revelado pela forma como a Geografia era ensinada em Portugal  
(Daveau & Sirgado, 1983).  
2.  
A FUNDAÇÃO DA FINISTERRA  
Orlando Ribeiro, Suzanne Daveau e Ilídio do Amaral perceberam que a divulgação internacional  
dos trabalhos científicos portugueses e o conhecimento da investigação dos geógrafos estrangeiros se  
faria mais facilmente se se dispusesse de um “instrumento” de comunicação, ou seja de uma revista  
científica, amplamente permutada com universidades internacionais. Em 2025, em que o acesso a  
qualquer artigo de investigação está à distância de um clic (sem falar da inteligência artificial,  
largamente utilizada), será talvez difícil entender o isolamento científico em que Portugal se  
encontrava nos anos 1960, apenas quebrado pelos esporádicos congressos internacionais de  
Geografia, os estágios no estrangeiro dos professores e os contactos que estes aí estabeleciam. Foi  
neste contexto que, em 1966, nasceu a Finisterra Revista Portuguesa de Geografia.  
Os fundadores e primeiros diretores foram Orlando Ribeiro, Suzanne Daveau e Ilídio do Amaral.  
Criar uma revista do nada não é tarefa fácil, particularmente num país que vivia isolado e em que havia  
dificuldades financeirasii. É por isso natural que, nos primeiros números, a colaboração dos diretores  
e seus colegas tivesse sido essencial. Mas cedo a Finisterra recebeu textos de geógrafos de outros  
países. Claro que a França veio em primeiro lugar, graças aos contactos de Orlando Ribeiro e Suzanne  
Daveau. Logo nos primeiros 10 números foram publicados textos de Pierre Gourou (no número 1),  
Georges Chabot (3), Jean Demangeot (6), Etienne Juillard (6 e 9). Artigos de autores de outras  
nacionalidades apareceram também desde os primeiros números: Brasil, Orlando Valverde (4, 6), Aldo  
Paviani (5), Suécia, Torsten Hägestrand (7), Canadá, Pierre Dansereau (6) e Alemanha, Bodo Freund  
(9). Num país salazaristaesta abertura ao mundo era extraordinária.  
Os inúmeros afazeres do Professor Orlando Ribeiro e a partida do Professor Ilídio do Amaral  
para Munique, por um ano, quando o primeiro número da revista estava na tipografia (Alcoforado,  
2017), fizeram com que Suzanne Daveau se tornasse, desde o início, a principal âncora da Finisterra.  
Era Suzanne Daveau quem auxiliava os autores a preparar e a rever os textos, com a colaboração de A.  
Machado Guerreiro, quem contactava novos colaboradores, quem ajudava a preparar mapas, gráficos  
e fotografias. Note-se que o rigor e a clareza são característicos dos trabalhos de Suzanne Daveau, que  
os transmitiu aos autores da Finisterra e aos seus alunos. As suas observações críticas, nem sempre  
bem recebidas, eram valiosas e muitos aprenderam a apreciá-las. As regras da elaboração de mapas e  
outras figuras foram também transmitidas nesse contexto, incluindo aspetos como a escolha do  
2
Alcoforado, M. J., Alegria, M. F. Finisterra, LX(130), 2025, e44086  
tamanho das letras e de outros símbolos para poderem ser legíveis, tendo em conta a redução  
necessária para a impressão à manchada Finisterra. Este será um tema difícil de entender por uma  
geração hoje habituada ao zoom para ler um texto ou uma imagem.  
Em 1981 juntam-se aos três diretores da Finisterra Jorge Gaspar e Carlos Alberto Medeiros, que  
se mantiveram no cargo até 1985. Nesse ano, a revista passa a ter como único diretor Carlos Alberto  
Medeiros (1985-2000), seguindo-se Maria João Alcoforado (2000-2015), Margarida Queirós (2016-  
2021), Marcelo Fragoso (2022-2024) e atualmente Eduardo Brito Henriques.  
3.  
PARTICIPAÇÃO EM INICIATIVAS DA FINISTERRA  
Ao longo do tempo, Suzanne Daveau sugeriu, participou e apoiou as iniciativas da Revista, de  
que são dados alguns exemplos.  
No ano de 2002, foi organizado um colóquio comemorativo dos 35 anos da Finisterra, em que se  
lançou um número temático sobre “Paisagem” (Finisterra, 2001, 36(72)). Contou-se com a participação  
de dois dos fundadores (S. Daveau e I. do Amaral) e foi recordado o Professor Orlando Ribeiro. Os  
vários oradores debruçaram-se sobre o conceito de paisagem, confrontando definições e  
sensibilidades. Suzanne Daveau participou no painel “Paisagem - Inovação e tradição” com Carlos  
Alberto Medeiros, Romero de Magalhães, Nicole Devy-Vareta e Denise de Brum Ferreira. “A  
intervenção de Suzanne Daveau foi marcada por várias considerações sobre a dificuldade de fazer  
Geografia sem considerar a paisagem. Recorreu a um exemplo de excepção para confirmar a regra –  
relativo ao estudo do artesanato na cidade de Lisboa” (Ramos et al., 2002, p. 96), assim como a outros  
estudos que entraram em consideração com a paisagem, que “incorpora elementos de temporalidade  
diferente. Citou vários casos portugueses, por exemplo o litoral da Estremadura, onde as obras para  
as autoestradas destruíram inúmeras marcas paisagísticas muito instrutivas(idem).  
Suzanne Daveau participou na homenagem da Finisterra a Carlos Alberto Medeiros, seu diretor  
entre 1985 e 2000. Num artigo (Daveau, 2005), apreciou muito positivamente o trabalho de Geografia  
tropical, levado a cabo pelo homenageado sobre a colonização nos planaltos de Huíla (Sul de Angola),  
de que descreve os principais resultados.  
António Machado Guerreiro foi durante muitos anos um pilar do Centro de Estudos Geográficos.  
No número 86 da Revista (2008), vários membros do Centro de Estudos Geográficos prestaram-lhe  
homenagem. Num artigo de Suzanne Daveau e Carlos Alberto Medeiros (2008), recorda-se que “A  
Finisterra deve-lhe tanto a cuidadosa revisão lexical, como a exigente e necessária administração” e é  
apresentada a obra deste filólogo, amigo dos geógrafos, cuja formação resultou de um enorme esforço  
pessoal. Muitos de nós que trabalhámos na Finisterra lucrámos muito com os sábios ensinamentos  
linguísticos (e não só) de A. Machado Guerreiro.  
Em 2003, foi inaugurada a Biblioteca Orlando Ribeiro, no bairro lisboeta de Telheiras, ainda hoje  
centro cultural importante desta parte da cidade. A partir dos textos de Suzanne Daveau (2008a,  
2008b, 2008c, 2008d), percebe-se que levou muito a peito esta homenagem a Orlando Ribeiro,  
comentando que ela se adaptava perfeitamente “à sua personalidade e à sua ação cultural”. Refere  
ainda que o Geógrafo Jorge Gaspar e o então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, João Soares,  
foram as personalidades que mais impulsionaram o projeto. No período que se seguiu à inauguração  
dessa Biblioteca, foram levadas a cabo diversas exposições e conferências. Os artigos preparados pelos  
conferencistas foram publicados no número 85 da Finisterra (2008), conjuntamente com uma série de  
textos inéditos de Orlando Ribeiro, compilados e organizados por Suzanne Daveau, outro exemplo de  
como tem enaltecido a memória e preservado o legado do marido.  
Em 2015, o lançamento do número 100 e a celebração do 50º aniversario da Revista contou mais  
uma vez com a presença de Suzanne Daveau. Participou numa sessão moderada por Diogo de Abreu e  
em companhia de Ilídio do Amaral, Jorge Gaspar e Maria João Alcoforado, refletiu sobre a vida da  
Revista que ajudara a fundar e incentivou os colegas mais novos a prosseguir com este projeto.  
4.  
A COLABORAÇÃO DE SUZANNE DAVEAU NA FINISTERRA COMO AUTORA  
A intensa colaboração de Suzanne Daveau manteve-se, mesmo depois de, em 1985, deixar de ser  
responsável pela revista. Não há melhor prova do que esta: entre 1966 e 2016, data do seu último texto  
na revista, Suzanne Daveau publicou 98 entradas, entre artigos, notas, recensões e documentos para o  
3
Alcoforado, M. J., Alegria, M. F. Finisterra, LX(130), 2025, e44086  
ensino. Nenhum autor tem na Finisterra mais textos do que ela. Nunca se escusou a rever artigos,  
sempre com o espírito crítico que tão bem lhe conhecemos. Além disso, foi ela própria a fazer os  
resumos em francês, durante muitos anos. Os seus textos versaram temas e lugares muito diversos.  
Foi aplicada uma classificação regional e temática para sintetizar a variedade dos trabalhos de Suzanne  
Daveau e a sua variabilidade no tempo.  
4.1. Classificação regional e temática dos textos publicados na Finisterra  
A conceção da classificação é da autoria de S. Daveau (em 2022), reportando-se ao conjunto das  
suas obras. Embora todas as classificações sejam discutíveis, esta, sendo muito sucinta, tem a vantagem  
de realçar os principais espaços e assuntos.  
É bem visível que Portugal é a categoria regional principal (56 textos), a que se segue o Mundo  
(26). Com muito menos publicações ocorrem África (7), Europa (6) e a América (3) (fig. 1).  
60  
50  
40  
30  
20  
10  
0
Portugal  
Mundo  
África  
Europa  
América  
Fig. 1 Classificação regional das 98 publicações de S. Daveau na Finisterra entre 1966 e 2016.  
Fig. 1 Regional classification of the 98 publications of S. Daveau in Finisterra between 1966 and 2016.  
Se esses textos forem ordenados por décadas (fig. 2), nota-se que Portugal domina em todas  
elas, com maior presença em 1976-85, mas sempre a relativa distância da categoria seguinte, o Mundo.  
África é o 3.º grupo com mais publicações, mas, como a autora deixou de viver nesse continente em  
meados da década de 1960, o total de textos é reduzido. À Europa e à América dedicou 1 a 3 publicações  
por década. Relembre-se que apenas se analisam aqui os trabalhos posteriores ao ano da criação da  
Finisterra (1966).  
Há maior equilíbrio entre os 6 grupos temáticos, do que nos 5 conjuntos regionais (figs. 3 e 4).  
Embora a História (ou melhor, a Geografia Histórica) tenha a primazia, Relevo, Clima e mesmo  
Geografia Regional seguem-se a relativamente pouca distância. Estudos específicos sobre Geografia  
Humana e Geografia da População são menos numerosos (fig. 3).  
No entanto, esta classificação esconde ou, pelo menos, torna pouco visíveis algumas facetas da  
Geografia, que Suzanne Daveau praticou, nomeadamente em tudo o que se refere a técnicas e  
metodologias de estudo. Por exemplo, não mostra que os blocos-diagramas foram introduzidos na  
comunidade científica portuguesa por ela (Gonçalves, 1997, p. 77). Poder-se-iam acrescentar mais  
exemplos: a utilização da fotografia aérea, da teledeteção e, sobretudo, o impulso que deu à Cartografia.  
Este é um exemplo paradigmático dos problemas da classificação temática aqui utilizada.  
Comparando as figuras 2 e 4, verifica-se que, na década 1966-75, Suzanne Daveau se dispersou  
por diversos temas e locais, nomeadamente concluindo trabalhos iniciados quando da sua estadia na  
África Ocidental. A década 1976-85 correspondeu à publicação dos trabalhos iniciados após a sua  
instalação em Portugal, particularmente obras de Geomorfologia e Climatologia, incluindo a aplicação  
da deteção remota. Nas décadas mais recentes os trabalhos de Geografia Histórica (e Cartografia, não  
incluída na classificação) vão-se tornando predominantes, como à frente se verá.  
4
Alcoforado, M. J., Alegria, M. F. Finisterra, LX(130), 2025, e44086  
Décadas  
1966 - 1975  
1976 - 1985  
1986 - 1995  
1996 - 2005  
2006 - 2016  
0
3
6
9
12  
15  
18  
Nº de artigos  
Portugal  
Mundo  
África  
Europa  
América  
Fig. 2 - Classificação regional por décadas das publicações de S. Daveau na Finisterra.  
Fig. 2 - Regional classification by decades of S. Daveau’s publications in Finisterra.  
30  
25  
20  
15  
10  
5
0
História  
Relevo  
Clima  
G. Regional G. Humana G. População  
Fig. 3 - Classificação temática das publicações de S. Daveau na Finisterra entre 1966 e 2016.  
Fig. 3 - Thematic classification of S. Daveau s publications in Finisterra between 1966 and 2016.  
Do mesmo modo, se compararmos a figura 4 com a figura 2 do artigo de Alcoforado et al. (2015),  
em que se mostram por décadas os artigos publicados na Finisterra desde a sua fundação, pode-se  
verificar que os artigos sobre temas tratados por Suzanne Daveau aumentaram muito no tempo; por  
exemplo a Climatologia, a Cartografia (hoje também associada aos SIG), as Metodologias e a História  
da Geografia. Embora a relação não seja direta (pois muitas publicações de investigadores do Centro  
de Estudos Geográficos não são feitas na Finisterra e a Professora tem vários discípulos noutras  
instituições), sabemos, por exemplos concretos, que Suzanne Daveau entusiasmou alunos e discípulos  
a seguir os seus passos e a aprofundar diversos temas.  
5
Alcoforado, M. J., Alegria, M. F. Finisterra, LX(130), 2025, e44086  
Décadas  
1966 - 1975  
1976 - 1985  
1986 - 1995  
1996 - 2005  
2006 - 2016  
0
3
6
9
12  
15  
18  
Nº de artigos  
História  
Relevo  
Clima  
Geog. Regional  
Geog. Humana  
Geog. População  
Fig. 4 Classificação temática das publicações de S. Daveau na Finisterra por décadas.  
Fig. 4 - Thematic Classification of S. Daveau´s publications by decades in Finisterra.  
Comentam-se a seguir os principais temas tratados pela autora.  
4.2. Exemplos de temas tratados por Suzanne Daveau  
Como recorda Carlos Alberto Medeiros, quando Suzanne Daveau começou a trabalhar em  
Portugal, era considerada uma especialista em Geografia Física, mas cedo se verificou que tinha outros  
interesses, incluindo a sua tese de doutoramento em Geografia Humana (Daveau, 1959a) que C. A.  
Medeiros (1997b) considerou notável. De facto, no início da sua estadia em Portugal, dedicou-se mais  
à Geografia Física, por ainda não dominar a língua portuguesa. Na figura 4, nota-se que os textos mais  
frequentes na década 1966-75 são sobre Geomorfologia e Climatologia (referidos por “Relevo” e  
“Clima”, seguindo a classificação de S. Daveau).  
Embora já existisse uma tradição de estudo de Geomorfologia muito sólida em Portugal, a  
contribuição de Suzanne Daveau para o estudo do relevo de Portugal foi muito importante,  
nomeadamente com extensos artigos sobre a Serra da Estrela (Daveau, 1969a, 1969b, 1971) e uma  
nota sobre o Gerês (Daveau, 1977c), entre outros. Os trabalhos de Suzanne Daveau (conjuntamente  
com a pesquisa de A. de Brum Ferreira (1978, 2005)) incitaram numerosas investigações sobre esta  
interessante área de estudo, que ainda se prolongam (Mora, 2006; Mora & Vieira, 2025; Vieira, 2004;  
Vieira et al., 2020). Carla Mora refere que, além de ter sido incentivada por Suzanne Daveau, ela  
também lhe deu acesso aos seus documentos de trabalho relativos à Serra da Estrela(Mora, 2006, p.  
XV), o que exemplifica a “generosidade científica” que caracteriza a Professora. Sem expressão direta  
na Finisterra, Suzanne Daveau desenvolveu importantíssimas investigações sobre a evolução da  
Cordilheira Central e das bacias tectónicas circundantes, em colaboração com dois cientistas que havia  
bastante tempo se dedicavam a este assunto: Orlando Ribeiro e Pierre Birot (Daveau et al., 1985-86).  
6
Alcoforado, M. J., Alegria, M. F. Finisterra, LX(130), 2025, e44086  
Segundo A. de Brum Ferreira (1997, p. 50), a publicação dos três autores sobre este assunto constitui  
“uma obra de referência da geomorfologia peninsular”. De referir também a coordenação de Suzanne  
Daveau e de Mariano Feio de uma importante obra de síntese e actualização sobre o relevo de Portugal  
(Feio e Daveau, 2004). Este livro constituiu também uma homenagem a Mariano Feio, promotor da  
ideia desta compilação.  
No entanto, foi na Climatologia portuguesa que Suzanne Daveau teve um papel de inovação  
essencial, também sublinhado por A. de Brum Ferreira (1997). Começa nas décadas 1966-75 com a  
apresentação da técnica de termoisopletas. Apresenta as estações meteorológicas representativas dos  
grandes conjuntos climáticos de Portugal Continental, em que se inserem: o estudo foi levado a cabo a  
partir das “Normais” climatológicas 1931-60, publicadas em 1965 pelo então denominado Serviço  
Meteorológico Nacional (Daveau, 1976a). A autora localiza as estações e analisa a informação  
disponível, fazendo, no entanto, notar que estes dados médios escondem a forte variabilidade do clima  
português. Evidencia a influência da continentalidade, num país tão pouco largo como Portugal  
(Daveau, 1975), mostrando que, por exemplo, as massas de ar quente podem chegar ao litoral e  
originar temperaturas quase uniformemente altas à latitude de Lisboa ou, então, haver diferenças de  
20ºC entre Lisboa e o litoral ocidental a norte da Serra de Sintra.  
Não se pode ignorar uma das obras mais significativas da autora sobre a repartição e o ritmo da  
precipitação em Portugal, acompanhada de dois mapas fora do texto, excelente imagem de conjunto,  
esteticamente muito apelativa e de enorme precisão (Daveau et al., 1977). A obra foi publicada na  
coleção “Memórias do Centro de Estudos Geográficos” (tal como o trabalho sobre a Lousã) e constitui  
um importante tratado sobre a influência dos diversos tipos de Relevo (altitude, orientação, forma) na  
ocorrência de precipitação. Os principais resultados foram sintetizados na revista internacional  
Geoforum (Daveau, 1978a). Suzanne Daveau interessou-se também por eventos meteorológicos  
extremos tão estudados atualmente, nomeadamente pela repartição de precipitação intensa e suas  
consequências (Daveau, 1972). Na sua dissertação de doutoramento, Marcelo Fragoso (2003, p. 14)  
reconhece que “os trabalhos de Suzanne Daveau constituíram um impulso importante no  
conhecimento da diversidade espacial das precipitações intensas em Portugal” e “na frequência de dias  
de precipitação muito abundante”. Neste mesmo tema, e em colaboração com colegas de vários pontos  
do país, reconstituiu os danos causados pelos temporais de 1978, explicando as suas causas (Daveau,  
1978b). No intuito de contribuir para um futuro atlas de Portugal, edita em colaboração com  
numerosos colegas mais dois mapas climáticos de Portugal (Contrastes térmicos e Nevoeiro e  
Nebulosidade) e respetivo comentário (Daveau, 1985). Estes trabalhos têm sido muito utilizados por  
várias gerações de geógrafos na investigação e em vários níveis de ensino.  
Estas publicações de cartografia temática constituem trabalhos de grande valor científico e  
pedagógico. “Em toda a obra de Suzanne Daveau se nota a forma cuidada e a expressividade científica  
das representações gráficas” (Moreira, 1997, p. 63). Exigia aos seus alunos e discípulos o mesmo rigor  
na preparação de documentos gráficos e cartográficos e foi uma das impulsionadoras da introdução  
da disciplina de Expressão Gráfica no Curriculum do curso de Geografia.  
Aberta a novos temas, incentivou nos anos 1980 e 1990 numerosas pesquisas de Climatologia  
urbana e histórica. No âmbito desta última é interessante o estudo pioneiro que Suzanne Daveau faz  
da evolução do estado do tempo em Coimbra entre 1663 e 1665, a partir das cartas do Padre António  
Vieira (Daveau, 1997), entusiasmando vários discípulos a aprofundar a investigação em Climatologia  
histórica.  
No ensino, desde cedo privilegiou o uso de fotografia aérea. A partir de 1977 fez em França  
estágios diversos de teledeteção (nome então usado para a deteção remota). Foi das primeiras, com  
Maria Eugénia Soares de Albergaria Moreira e Denise de Brum Ferreira, a divulgar a utilização deste  
espantoso instrumento de análise em pequenos fascículos fotocopiados e na Finisterra. Começou com  
notas didáticas sobre a técnica em si e sua aplicação à Geografia (Daveau, 1977a 1977b; Moreira,  
1997). Posteriormente publicou artigos mais desenvolvidos, por exemplo sobre a repartição da  
temperatura de superfície a partir das imagens analógicas (únicas então disponíveis) no visível e  
infravermelho térmico dos satélites Météosat e HCMM, de 2 dias de julho de 1978, destacando a grande  
riqueza de informação obtida pelos satélites (Daveau, 1982). Mais tarde, participou num estudo levado  
a cabo a partir de informação digital de duas imagens diurnas dos satélites NOAA-AVHRR do Oeste da  
Península Ibérica (Alcoforado et al., 1995), em que já foi possível estabelecer uma correlação entre a  
temperatura do ar e do terreno e que teve continuidade também por discípulos de segunda geração”  
(ou seja, estudantes dos seus discípulos mais diretos). António Lopes, na sua tese de doutoramento  
7
Alcoforado, M. J., Alegria, M. F. Finisterra, LX(130), 2025, e44086  
(Lopes, 2003) cita e utiliza com proveito estes e outros trabalhos de Suzanne Daveau, no  
desencadeamento da sua pesquisa sobre a ilha de calor de superfície de Lisboa.  
A maior parte do trabalho em Geografia Histórica de Suzanne Daveau foi enaltecido por José  
Mattoso com quem trabalhou de perto, por exemplo em várias edições do Círculo de Leitores (Mattoso  
et al., 2010). Muitos estudos foram editados em revistas de História, Arqueologia, História dos  
Descobrimentos Portugueses (nacionais e estrangeiras), em publicações da Academia das Ciências e  
da Fundação Calouste Gulbenkian. José Mattoso refere que, para um historiador, “os trabalhos de  
Geografia Histórica de Suzanne Daveau são verdadeiramente preciosos” (Mattoso, 1997, p. 67); e  
reconhece: “Creio que foi sobretudo a partir do impulso metodológico dado por Suzanne Daveau que  
a Geografia Histórica portuguesa começou de facto a ganhar clareza e rigor”. Na Finisterra, dos 98  
textos de Suzanne Daveau há 28 de Geografia Histórica, mas a maior parte diz respeito a comentários  
à obra de personalidades que tiveram importante repercussão geográfica. Sem surpresa, há 8 textos  
sobre Orlando Ribeiro (entre 1994 e 2008) e 12 sobre outras figuras importantes para o  
desenvolvimento da Geografia e de ciências afinsiii. Suzanne Daveau foi uma das geógrafas que mais  
contribuiu para manter viva a memória desses investigadores.  
A relatividade das noções de espaço e tempo no conhecimento da evolução do ambiente  
geográfico em Portugal em diversas épocas do passado estiveram presentes em muitos trabalhos de  
Suzanne Daveau. O artigo “Espaço e tempo. Evolução do ambiente geográfico em Portugal ao longo dos  
tempos pré-históricos”, publicado na revista Clio do Centro de História da Universidade de Lisboa  
(Daveau, 1980), assim como outros editados na Finisterra (Daveau, 1979, 1987 e 1988) são exemplo  
do rigor das suas análises paleo-geográficas e do conhecimento que tinha das então novas técnicas de  
estudo e datação.  
Recordem-se ainda duas obras notáveis, em que Suzanne Daveau constrói mapas a partir de  
dados alfanuméricos, ou seja, torna visíveis longas listas de dados numa única imagem cartográfica,  
muito utilizadas por estudiosos de várias disciplinas, nomeadamente por historiadores. É o caso do  
estudo em que Suzanne Daveau (2010) consegue pacientemente decifrar um complexo e enigmático  
registo das coordenadas de cerca de 1500 lugares de Portugal, conhecido por Códice de Hamburgo  
(c.1525) e reconstituir um mapa de Portugal de 1525. Esse mapa, a existir, antecederia em mais de 30  
anos o de Fernando Álvaro Seco (c. 1561)! Num outro trabalho, Daveau e Galego (1986) apresentam o  
mapa da distribuição da população de Portugal, construído a partir do censo populacional  
(“Numeramento”) de 1527-32, muito útil para estudiosos do passado da população portuguesa.  
A divulgação, fora do País, do que se sabe sobre a História dos Descobrimentos Portugueses  
particularmente no que diz respeito à Cartografia deve-lhe também muito, particularmente após o  
falecimento, em 1992, de Luís de Albuquerque. A colaboração, em 2007, na importante obra da  
Universidade de Chicago, Portuguese Cartography in the Renaissance é um marco a assinalar. Esse  
estudo seria editado em Portugal em 2012, com adaptações (Alegria et al., 2007, 2012). Recordem-se  
por fim pesquisas sobre a evolução do povoamento da Serra da Estrela (Daveau & Ribeiro, 1978).  
Destes exemplos, conclui-se a diversidade dos estudos de Geografia de Suzanne Daveau, assim  
como a sua estreita ligação a investigações em ciências vizinhas da Geografia como Geologia,  
Palinologia, História, Arqueologia, entre outras, de que resultaram grande número de textos e que  
inspiraram numerosos discípulos.  
5.  
REMATE  
Será difícil encontrar hoje qualquer geógrafo com obra tão valiosa, em campos tão  
diversificados, como Suzanne Daveau. A escolha dos temas apresentados foi forçosamente  
influenciada pelo trajeto das autoras no seio da Geografia, pelos seus contactos científicos e pela sua  
convivência assídua com Suzanne Daveau, que admiram como Cientista, como Professora, como  
Orientadora e como Pessoa de quem prezam a Amizade. Limitámo-nos à referência de algumas obras,  
não tendo sido feita uma descrição exaustiva do seu riquíssimo Curriculum Vitae. Tal não era o objetivo,  
pois essa informação encontra-se noutros locais já indicados. Da mesma maneira referimos alguns  
discípulos de “segunda geração”, que escreveram terem sido incentivados por Suzanne Daveau. Seria  
um trabalho interessante verificar a difusão do conhecimento e dos ensinamentos de Suzanne Daveau,  
mas tal estudo transcende os apontamentos que aqui se coligem para marcar o centésimo aniversário  
da Professora.  
8
Alcoforado, M. J., Alegria, M. F. Finisterra, LX(130), 2025, e44086  
Confirmámos que a obra de Suzanne Daveau vai muito para além da Finisterra, mas ao mesmo  
tempo foi ancorada na Revista, que ajudou a fundar e na qual trabalhou com tanto afinco, gosto e rigor.  
ORCID  
Maria João Alcoforado  
Maria Fernanda Alegria  
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  
Alcoforado, M. J. P. (2017). Ilídio do Amaral (1924-2017): fundador, colaborador e amigo da Finisterra [Ilídio do  
Amaral (1924-2017): Finisterra’s Founder, Colaborator and Friend]. Finisterra Revista Portuguesa, LII(105),  
Alcoforado, M. J. P., Alegria, M. F., Queirós, M., Garcia, R. A. C., Morgado, P., & Vieira, R. (2015). Finisterra. Biografia de  
uma revista de Geografia (1966-2015). [Finisterra. Biography of a geographical journal]. Finisterra, L(100), 9 -  
Alcoforado, M. J. P., Daveau, S., Lopes, A., & Baumgartner, M. (1995). Regional thermal patterns in Portugal using  
satellite images (NOAA AVHRR). Finisterra, XXX(59/60), 123-138. https://doi.org/10.18055/Finis1818  
Alegria, M. F., Rentzsch, F., Freund, B., & Garcia, J. C. (2015). GEOgrafias de Suzanne Daveau [Suzanne Daveaus  
GEOgraphies]. Centro de Estudos Geográficos.  
Alegria, M. F., Daveau, S., Garcia, J. C., & Relaño F. (2007). Portuguese Cartography in the Renaissance. In D. Woodward  
(Ed.), The History of Cartography. III, Cartography in the European Renaissance, I (p. 975-1066). The University  
Alegria, M. F., Daveau, S., Garcia, J. C., & Relaño F. (2012). História da Cartografia Portuguesa. Séculos XV a XVII [History  
of Portuguese Cartography between the 15th and the 17th centuries]. Fio da Palavra.  
Daveau, S. (2010). Um Antigo Mapa Corográfico de Portugal (c. 1525). Reconstituição a partir do Códice de Hamburgo  
[An ancient chorographic map of Portugal (c.1525). Reconstruction based on the Hamburg Codex]. Centro de  
Estudos Geográficos.  
Daveau, S. (2008a). A Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro e a homenagem ao seu titular [The Orlando Ribeiro  
Municipal Library and the tribute to its name-holder]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XLIII(85),  
Daveau, S. (2008b). Os anos de formação de Orlando Ribeiro [The formative years of Orlando Ribeiro]. Finisterra –  
Revista Portuguesa de Geografia, XLIII(85), 19-34. https://doi.org/10.18055/Finis1405  
Daveau, S. (2008c). O Investigador, o Professor Universitário e o Director do Centro de Estudos Geográficos [The  
researcher, the University Professor and the CEG’s Director]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XLIII  
Daveau, S. (2008d). O espólio científico do Professor Orlando Ribeiro [The scientific legacy of Professor Orlando  
Ribeiro]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XLIII (85), 123-138.  
Daveau, S. (2005). Uma contribuição notável para a Geografia da Colonização [A valuable contribution to the  
geography of colonization]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XL(79), 29-33.  
Daveau, S. (1997). Os tipos de tempo em Coimbra (Dez. 1663 - Set. 1665), nas cartas do Padre António Vieira  
[Weather types in Coimbra (Dec 1663-Sep 1665) within the correspondence of Father António Vieira].  
Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XXXII(64), 109-115. https://doi.org/10.18055/Finis1753  
Daveau, S. (1995). Portugal Geográfico [Geographical Portugal]. Ed. Sá da Costa.  
Daveau, S. (1988). Progressos recentes no conhecimento da evolução holocénica da cobertura vegetal em Portugal e  
nas regiões vizinhas [Advances in the knowledge of vegetation cover Holocene evolution in Portugal and  
adjacent regions]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XXIII(45),101-115.  
Daveau, S. (1987). Flutuações climáticas quaternárias no Mediterrâneo Ocidental [Quaternary climatic fluctuations in  
the Western Mediterrannean regions]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XXII(43), 199-202.  
Daveau, S. (1982). Les températures des 3 et 4 juillet 1978, au Portugal et dans l’ Ouest de l’ Espagne, d’ après les  
satellites Météosat et HCMM [The temperatures of 3 and 4 July 1978 in Portugal and Western Spain according  
to Météosat and HCMM satellites]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XVII(33), 53-96.  
9
Alcoforado, M. J., Alegria, M. F. Finisterra, LX(130), 2025, e44086  
Daveau, S. (1980). Espaço e tempo. Evolução do ambiente geográfico de Portugal ao longo dos tempos pré-históricos  
[Space and Time. Evolution of Portugal’s geographical environment during prehistoric times]. Clio, 2, 13-37.  
Daveau, S. (1979). Técnicas novas em Paleogeografia - o Atlântico Norte há 18 000 anos [New techniques in  
Paleogeography The Northern Atlantic area 18 000 years ago]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia,  
Daveau, S. (1978a). La répartition des précipitations en fonction du relief: étude du cas portugais [Precipitation  
distribution due to relief: Portuguese study case]. Geoforum, 9(6), 425-433.  
Daveau, S. (1978b). Os temporais de Fevereiro / Março de 1978 [The February/March 1978 storms]. Finisterra –  
Revista Portuguesa de Geografia, XIII(26), 236-260. https://doi.org/10.18055/Finis2252  
Daveau, S. (1977a). O interesse das imagens dos satélites Erts para o estudo do clima às escalas regional e local em  
Portugal [The use of Erts satellite images for the study of regional and local climate in Portugal]. Finisterra –  
Revista Portuguesa de Geografia, XII(23),148-156. https://doi.org/10.18055/Finis2290  
Daveau, S. (1977b). Significação das técnicas de teledetecção para a pesquisa geográfica [The use of remote sensing  
techniques for geographical research]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XII(23), 85-86.  
Daveau, S. (1977c). Um exemplo de aplicação da teledetecção à investigação geográfica [An example of remote sensing  
application to geographical research]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XII(23), 156-159.  
Daveau, S. (1976a). Estações meteorológicas exemplificativas dos principais tipos climáticos de Portugal Continental.  
[Meteorological stations illustrative of the main climatic types in Continental Portugal]. Finisterra Revista  
Portuguesa de Geografia, XI(21), 171-177. https://doi.org/10.18055/Finis2309  
Daveau, S. (1976b). O ambiente geográfico natural. Aspectos fundamentais. [The natural geographical environment.  
Fundamental aspects]. Imprensa Nacional / Casa da Moeda. (Novas edições em 1990 e 1996)  
Daveau, S. (1975). Influence de la continentalité sur le rythme thermique au Portugal [Influence of continentality on  
the thermal rhythm in Portugal]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, X(19), 5-52.  
Daveau, S. (1972). Répartition géographique des pluies exceptionnellement fortes au Portugal [Geographical  
distribution of extreme precipitation events in Portugal]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, VII(13),  
Daveau, S. (1971). La glaciation de la Serra da Estrela [The glaciation of Serra da Estrela, Portugal]. Finisterra Revista  
Portuguesa de Geografia, VI(11), 5-40. https://doi.org/10.18055/Finis2431  
Daveau, S. (1969a). Structure et relief de la Serra da Estrela [Structure and Relief of Serra da Estrela, Portugal],  
Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, IV(7), 31-63. https://doi.org/10.18055/Finis2490  
Daveau, S. (1969b). Structure et relief de la Serra da Estrela (suite) [Structure and Relief of Serra da Estrela, Portugal,  
2nd part]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, IV(8), 159-197. https://doi.org/10.18055/Finis2482  
Daveau, S. (1959a). Les Régions Frontalières da la Montagne Jurassienne. Étude de Géographie Humaine [The border  
regions of the Jura Mountains. Human Geography Study]. Mémoires et Documents, Institut des Études  
Rhodaniennes de l’Université de Lyon, 14.  
Daveau, S. (1959b). Recherches Morphologiques sur la Région de Bandiagara [Morphological Researches in Bandiagara  
Region]. Mémoires de lInstitut Français dAfrique Noire, 56.  
Daveau, S., Coelho, C., Gama e Costa, V., & Carvalho, L. (1977). Répartition et rythme des précipitations au Portugal  
[Rainfall distribution and rhythm in Portugal]. Memórias do Centro de Estudos Geográficos, 3.  
Daveau, S.(1985). Mapas Climáticos de Portugal. Nevoeiro e Nebulosidade. Contrastes térmicos [Climatic Maps of  
Portugal. Fog, Nebulosity and Thermal contrasts]. Memórias do Centro de Estudos Geográficos, 7.  
Daveau, S., Birot, P., & Ribeiro, O. (1985-86) - Les bassins de Lousã et dArganil. Recherches géomorphologiques et  
sédimentologiques sur le massif ancien et sa couverture à l’ est de Coimbra. [The tectonical bassins of Lousã and  
Arganil. Geomorphological and sedimentological Research]. Memórias do Centro de Estudos Geográficos, 8.  
Daveau, S., & Galego, J. (1986). O Numeramento de 1527-1532. Tratamento cartográfico [The Census of 15271532:  
Cartographic treatment]. Memórias do Centro de Estudos Geográficos, 9.  
Daveau, S., & Medeiros, C. A. (2008). Contribuição para a bibliografia de António Machado Guerreiro [Contribution to  
the bibliography of António Machado Guerreiro]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XLIII(86), 111-  
Daveau, S., & Ribeiro, O. (1973). La zone intertropicale humide [The humid tropical zone]. Collection U., Armand Colin.  
Daveau, S., & Ribeiro, O. (1978). L’occupation humaine de la Serra da Estrela [The human occupation of Estrela  
Mountain, Portugal]. In S. Daveau (Ed.), Études Géographiques offertes à Louis Papy (pp. , 263-275). Bordeaux.  
Daveau, S., & Sirgado, C. (1983). Como se situam no mundo os alunos, ao saírem do Ensino Secundário? [How do  
students position themselves in the world upon completing Secondary Education?]. Finisterra Revista  
Portuguesa de Geografia, XVIII(36), 411-418. https://doi.org/10.18055/Finis2110  
Feio, M. & Daveau, S. (2004). O Relevo de Portugal. Grandes Unidades Regionais. [The relief of Portugal. Main Regional  
Units],Associação Portuguesa de Geomorfólogos, Coimbra.  
10  
Alcoforado, M. J., Alegria, M. F. Finisterra, LX(130), 2025, e44086  
Ferreira, A. B. (1978). Planaltos e Montanhas do Norte da Beira [Plateaus and Mountains of Northern Beira, Portugal].  
Lisboa, Memórias do Centro de Estudos Geográficos, 4.  
Ferreira, A. B. (1997). Suzanne Daveau. Cinquenta anos de actividade científica e académica [Suzanne Daveau, Fifty  
years of scientific and academic activity]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XXXII(63), 47-53.  
Ferreira, A. B. (Coord.). (2005) O Ambiente Físico [Physical environment], In C. A. Medeiros (Ed.), Geografia de  
Portugal [Geography of Portugal]. Vol.1, Círculo de Leitores.  
Fragoso, M. (2003). Climatologia das Precipitações intensas no Sul de Portugal. [Climatology of Heavy Rainfalls in  
Southern Portugal]. [PhD in Physical Geography, University of Lisbon]. Repositório da Universidade de Lisboa.  
Garcia, J. C. (1997). Suzanne Daveau. Vida e obra geográfica [Suzanne Daveau. Life and Geographical work]. Finisterra  
Revista Portuguesa de Geografia, XXXII(63), 11-44. https://doi.org/10.18055/Finis1769  
Garcia, J. C. (2001). Doutoramento Honoris Causa da Professora Suzanne Daveau [Honoris Causa PhD of Professor  
Suzanne Daveau], Faculdade de Letras, Universidade do Porto.  
Gaspar, J. (1997). Testemunho [Testimony]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XXXII(63), 7-8.  
Gonçalves, V. (1997). Suzanne Daveau e a Arqueologia: tempo e espaço [Suzanne Daveau and archeology: time and  
space]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XXXII(63), 71-80. https://doi.org/10.18055/Finis1785  
Lopes, A. (2003). Modificações no clima de Lisboa como consequência do crescimento urbano. Vento, ilha de calor de  
superfície e balanço energético [Lisbon Climate Modification due to the Urban Growth. Wind, Surface Heat  
Island and Energy Balance]. [PhD in Physical Geography, University of Lisbon]. Repositório da Universidade de  
Mattoso, J. (1997). A reconstituição dos espaços do passado [The reconstruction of past landscapes]. Finisterra –  
Revista Portuguesa de Geografia, XXXII(63), 67-70. https://doi.org/10.18055/Finis1774  
Mattoso, J., Daveau, S., & Belo, D. (2010). Portugal. O Sabor da Terra. Um retrato histórico e geográfico por regiões  
[Portugal. The taste of the Earth: A historical and geographical portrait by region]. Círculo de Leitores.  
Medeiros, C. A. (1997a). Homenagem a Suzanne Daveau [Tribute to Suzanne Daveau]. Finisterra Revista Portuguesa  
de Geografia, XXXII(63), 5-6. https://doi.org/10.18055/Finis1767  
Medeiros, C. A. (1997b). Por uma Geografia humana e regional [Towards a human and regional Geography]. Finisterra  
Revista Portuguesa de Geografia, XXXII(63), 59-61. https://doi.org/10.18055/Finis1772  
Mora, C. (2006). Climas da Serra da Estrela. Características regionais e particularidades locais dos planaltos e do alto  
vale do Zêzere [Climates of the Serra da Estrela. Regional and local characteristics of the plateaus and upstream  
sector of the Zêzere valley]. [PhD in Physical Geography. University of Lisbon]. Repositório da Universidade de  
Mora, C., & Vieira, G. (2025). The vanishing snow cover in Serra da Estrela: Leveraging scarce data for diagnostics and  
future scenarios. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, LX(129) 3-26, e37506.  
Moreira, M. E. S. A. (1997). Cartografia e Teledetecção na obra científica de S. Daveau [Cartography and remote  
sensing in the scientific work of Suzanne Daveau]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XXXII(63), 63-  
Pélissier, P. (1997). L’étape africaine d’une carrière géographique [The African stage of a geographical  
career]. Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XXXII(63), 55-58. https://doi.org/10.18055/Finis1771  
Ramos, C., Vale, M., Moreno, L., & Simões, J. M. (2002). Colóquio Paisagem [Landscape Conference in Lisbon in 2002].  
Finisterra Revista Portuguesa de Geografia, XXXVII(74), 193-198. https://doi.org/10.18055/Finis1601  
Vieira, G. (2004). Geomorfologia dos planaltos e altos vales da Serra da Estrela. Ambientes frios do Plistocénico superior.  
[Geomorphology of the plateaux and high valleys of Serra da Estrela]. [PhD in Physical Geography, University  
of Lisbon]. Repositório da Universidade de Lisboa. http://hdl.handle.net/10400.5/98057  
Vieira, G., Zêzere, J. L., & Mora, C. (Eds.) (2020). Landscapes and Landforms of Portugal. World Geomorphological  
i Pode ser estabelecido um paralelismo com a notável divulgação científica do geólogo António Galopim de Carvalho, seu parceiro de investigação e amigo.  
ii Deve ser realçada a importância da Fundação Calouste Gulbenkian no financiamento dos números iniciais da Finisterra.  
iii Casos de: René Rainal, Jules Daveau, Pierre Birot, Hermann Lautensach, Emmanuel de Martonne, Georges Chabot, Michel Drain, André Guilcher, Xavier  
de Planhol, Albert Silbert, Jules Danserau, Pierre Dansereau, Amorim Girão, Manuel Viegas Guerreiro, Pierre Gourou, Mariano Feio, Joaquim Cerqueira  
Gonçalves, Soares de Carvalho, Antonio López Gomez, Jean Gottmann, Assane Seck, Fernando Rebelo, Leite de Vasconcellos.  
11