Instituto Nacional de Meteorologia da Guiné-Bissau, Avenida do Brasil, Cx.P. 75 1038 Bissau, Guiné-Bissau.
,
2
2
Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa.
G
ABRIEL
G
ARBANZO
3
3
Laboratorio de Suelos y Foliares, Centro de Investigaciones Agronómicas, Universidad de Costa Rica.
M
ARCELO
F
RAGOSO
2,
4
4
Laboratório Associado TERRA, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa.
RESUMO
– Este estudo analisa a variabilidade interanual da estação chuvosa na Guiné-Bissau entre 1981 e 2020, com
enfoque no seu início, fim, duração, ocorrência de falsos inícios da estação chuvosa (FIEC) e períodos secos. Verificou-se que
o início das chuvas varia significativamente entre as regiões, sendo mais precoce no Sul (17 de junho) e mais tardio no Norte
e Leste (29 de junho), com desvios padrões elevados. A duração da estação chuvosa varia entre 124 e 143 dias, com maior
variabilidade nas regiões do interior. Identificaram-se elevadas taxas de FIEC, especialmente em Bissorã e Bafatá, bem como
a ocorrência frequente de períodos secos superiores a 10 dias em maio e junho, que comprometem o sucesso das sementeiras.
Com
base
nestes
dados,
foi
proposto
um
calendário
agrícola
otimizado,
diferenciado
por
região,
que
visa
reduzir
riscos
associados ao clima e melhorar a produtividade agrícola. O estudo reforça a importância de práticas adaptativas e planeamento
suportado pelo conhecimento climático para a resiliência do setor agrícola guineense.
Palavras-chave:
Variabilidade climática; estação das chuvas; falsos inícios da estação chuvosa
(FIEC); planeamento agrícola;
resiliência climática
.
ABSTRACT
–
VARIABILITY
OF
THE
RAINY
SEASON
AND
IMPLICATIONS
FOR
AGRICULTURAL
PLANNING IN GUINEA
-
BISSAU: A PROPOSAL FOR AN OPTIMISED AGRICULTURAL CALENDAR
.
This study
examines the interannual variability of the rainy season in Guinea
-
Bissau between 1981 and 2020, focusing on its onset,
cessation, duration,
the occurrence of false
onsets
of rainy season
(
FORS
) and dry spells. Results show that the onset of rains
varies considerably across regions, occurring earlier in the
south (June 17)
and later in the
N
orth
and East (June 29)
, with high
standard deviations. The duration of the rainy season ranges from 124 to 143 days, with greater instability in inland regions
.
High
FORS
rates were identified, particularly in Bissorã and Bafatá
, along with the frequent occurrence of dry spells exceeding
10 days in May and June, which undermine the success of sowing. Based on these findings, an optimised, region
-
specific
agricultural calendar was proposed to reduce climate
-
related risks and enhan
ce agricultural productivity. The study underscores
the importance of adaptive practices and climate
-
informed planning for the resilience of Guinea
-
Bissau’s agricultural sector.
Keywords:
Climate variability;
rainy season;
false onset of the rainy season
(FORS)
;
agricultural planning; climate
resilience
.
DESTAQUES
•
Forte variabilidade espacial do início da estação chuvosa na Guiné-Bissau.
•
Elevada frequência de falsos inícios no interior do país e maior risco de sequências secas em maio
e junho.
•
Diferenças regionais no calendário agrícola recomendado.
•
Proposta de calendário agrícola otimizado para reduzir riscos climáticos.
Finisterra
,
LXI
(131), 2026, e45505
ISSN: 2182-2905
doi: 10.18055/Finis45505
Artigo de Investigação
Published under the terms and conditions of an Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International license.
1.
INTRODUCÃO
As alterações climáticas representam um dos principais desafios ao desenvolvimento socioeconómico
e à conservação dos ecossistemas à escala global, afetando de forma particularmente severa o continente
africano,
dada
a
sua
elevada
vulnerabilidade
a
múltiplos
riscos
climáticos
de
acordo
com
o
Painel
Intergovernamental Sobre as Alterações Climáticas (IPCC). As projeções climáticas indicam que África
continuará
a
ser
uma
das
regiões
mais
afetadas
no
futuro,
comprometendo
assim
o
seu
progresso
(
Intergovernmental Panel on Climate Change
[IPCC], 2022).
Na Guiné-Bissau, a agricultura de sequeiro constitui a principal fonte de rendimento e segurança
alimentar para grande parte da população (Mendes, 2017). No entanto, este sistema agrícola é altamente
dependente das condições climáticas, com especial destaque para a precipitação (Roudier
et al
., 2011). Nas
últimas décadas, registaram-se alterações significativas na variabilidade intra e interanual das chuvas na
África Ocidental, com impactos diretos na produtividade agrícola e na segurança alimentar (Mendes
et al.
,
2025). A imprevisibilidade do início da estação das chuvas, bem como a ocorrência de secas intra-estacionais
e a duração irregular do período chuvoso, dificultam a eficácia dos calendários agrícolas tradicionais, que se
baseiam sobretudo em saberes empíricos e práticas ancestrais.
A elevada variabilidade interanual das datas de início e fim da estação chuvosa observada nas séries
históricas de precipitação, com tendência para inícios mais tardios e términos mais precoces em determinados
anos, representa uma séria ameaça para o estabelecimento e desenvolvimento das culturas.
A fragilidade estrutural do continente africano está fortemente ligada à sua dependência direta da
precipitação, sendo o clima um elemento determinante para a agricultura (Hansen, 2008). A variabilidade da
precipitação conduz a perturbações nos sistemas de cultivo, compromete os calendários agrícolas e afeta
negativamente tanto o tecido económico como o social
(Badiane
,
2022; Badiane
et al
.,
2026; Mendes
et al
.
,
2025;
Mendes
&
Fragoso
,
2023,
2024)
.
Este
fenómeno
assume
maior
gravidade
nos
países
em
desenvolvimento, cuja vulnerabilidade estrutural é agravada por políticas públicas insuficientes (Yegbemey
et
al
.,
2014),
numa
conjuntura
em
que
a
procura
por
produtos
agrícolas
tem
vindo
a
crescer
de
forma
acelerada, especialmente nas economias emergentes (Hollinger & Staatz, 2015). Em resposta a este cenário,
os agricultores têm desenvolvido estratégias de adaptação, embora estas nem sempre se revelem eficazes
(Allé
et al.
, 2014). Uma das práticas mais comuns consiste em iniciar as sementeiras com as primeiras chuvas,
numa tentativa de maximizar o ciclo produtivo.
Contudo,
a
irregularidade
das
chuvas
nesse
período
inicial
muitas
vezes
obriga
à
replantação,
resultando na perda de sementes e no aumento do esforço físico e económico (Yegbemey
et al
., 2014). Este
fenómeno, conhecido como falso início da estação chuvosa (FIEC), caracteriza-se por uma breve precipitação
inicial seguida de uma interrupção significativa, que pode comprometer o desenvolvimento das culturas
(Adama
et al
., 2019). Outras estratégias incluem a introdução de variedades adaptadas à redução do período
chuvoso. Os calendários agrícolas na África Ocidental são fortemente influenciados pelas monções regionais
(Descroix
et
al
.,
2015),
sendo
moldados
por
ciclos
de
precipitação
cada
vez
mais
incertos
e
sujeitos
a
alterações climáticas que afetam os ciclos de cultivo (Hippolyte
et al
., 2022). Neste contexto, a definição de
um calendário agrícola ajustado às condições climáticas locais assume uma importância crucial para reforçar
a
resiliência
dos
sistemas
agrícolas.
Esta
abordagem procura
sincronizar
as
operações
agrícolas
com
os
períodos de maior previsibilidade climática, minimizando assim os riscos de perdas na produção
(
Sultan
et
al
., 201
7
;
Yegbemey
et al
.
,
2014)
.
Através da análise de séries temporais da precipitação, torna-se possível identificar as datas mais
apropriadas para o início da campanha agrícola, considerando tanto o início provável da estação chuvosa
como a sua duração efetiva, contribuindo, deste modo, para a melhoria da produtividade e a mitigação dos
impactos da variabilidade climática (Allé
et al.,
2014; Roudier
et al.,
2011). Estas medidas ganham especial
relevância num cenário de alterações climáticas globais, caracterizado pela maior frequência e intensidade
de fenómenos extremos e por mudanças nos padrões sazonais da precipitação (IPCC, 2022).
A Guiné-Bissau apresenta uma elevada heterogeneidade edáfica, com solos que evidenciam múltiplas
limitações físico-químicas à produção agrícola (Teixeira, 1962). Entre os principais problemas destacam-se
a
baixa
fertilidade
natural, níveis
elevados
de
salinidade,
processos
de
acidificação
e,
em
alguns
casos,
compactação (Garbanzo
et al
., 2024; Merkohasanaj
et al
., 2022, 2025). Os solos agrícolas da Guiné-Bissau
têm sido pouco caracterizados, em grande medida devido às dificuldades de acesso às zonas rurais e à
limitada aplicação de recursos públicos na investigação agrícola, o que tem restringido até o conhecimento
de propriedades básicas, como a textura do solo (Garbanzo, Céspedes
et al
., 2024; Marius & Lucas, 1982,
1991). A diversidade dos solos na Guiné-Bissau é reflexo das condições do clima tropical, que favorece uma
formação dos solos mais rápida e heterogénea, associada a processos de meteorização acelerados (Teixeira,
1962). Esta diversidade manifesta-se nas suas propriedades físicas, as quais estão estreitamente relacionadas
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
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2
com a disponibilidade de água no solo (Kirkham, 2005). As primeiras chuvas do ano permitem que práticas
como
a
preparação do
solo
sejam
realizadas
de
forma
oportuna, otimizando
o
tempo
disponível
para
a
produção agrícola (Garbanzo
et al
., 2024; Guei
et al
., 1997).
Um exemplo desta dinâmica observa-se particularmente nas zonas costeiras da Guiné-Bissau onde se
cultiva arroz de mangal. Nestes sistemas, o maneio eficiente da água é fundamental, uma vez que a janela de
disponibilidade hídrica e o período livre de sais são muito limitados para o desenvolvimento da cultura
(Garbanzo
et al
., 2025). A preparação do solo é condicionada principalmente pela sua consistência, a qual
pode ser avaliada a partir dos limites de plasticidade (Boekel & Peerlkamp, 1956) os quais são atingidos nos
primeiros meses da chuva. Estes parâmetros permitem identificar o momento ótimo em que o solo apresenta
menor resistência mecânica às operações de mobilização.
Vários estudos têm analisado os limites de plasticidade com o objetivo de determinar o período mais
adequado para a preparação manual das parcelas de arroz. Na Guiné-Bissau, verificou-se menor plasticidade
do solo quando são atingidos teores de humidade volumétrica próximos de 18,6% em solos de textura franco-
arenosa e de 35,5% em solos de textura argilosa (Garbanzo
et al
., 2024). O final do período chuvoso está
igualmente estreitamente associado ao surgimento de problemas fenológicos nas culturas. Em zonas com
elevada salinidade do solo, a estação das chuvas permite a diluição dos sais e a abertura de uma janela
produtiva (Guei
et al
., 1997).
No entanto, após o término das chuvas, o sistema tende a regressar a condições salinas, em resultado
dos
processos
de
evaporação
da
água
e
do
movimento
de
sais
dos
horizontes
mais
profundos
para
os
superficiais,
conduzindo
novamente
à
acumulação
de
sais
no
solo
(Carmona
et
al
.,
2010;
Machado
&
Serralheiro, 2017; Ramos
et al
., 2024). Este aumento da concentração salina intensifica o gradiente osmótico,
afetando processos fisiológicos das culturas e reduzindo de forma significativa a sua produtividade (Machado
& Serralheiro, 2017; van Genuchten & Hoffman, 1984). No caso do arroz de mangal na Guiné-Bissau, têm
sido modeladas perdas de rendimento até cerca de 60% associadas a estes processos (Garbanzo
et al
., 2025).
As características edáficas têm implicações diretas no planeamento agronómico. Particularmente na
definição dos momentos ótimos para a preparação do solo e o estabelecimento das culturas, uma vez que a
disponibilidade de água para as plantas está estreitamente relacionada com a ocorrência de precipitação, bem
como
com
propriedades
físicas
do
solo,
tais
como
a
textura,
a
plasticidade
e
a
porosidade
(Boekel
&
Peerlkamp, 1956; Keller & Dexter, 2012; Kirkham, 2005). Adicionalmente, a extensa faixa costeira do país
favorece a ocorrência de solos afetados pela salinidade, o que reduz a fração de água disponível para as
plantas, devido ao aumento do potencial osmótico do solo (Fageria, 1985; Kronzucker
et al
., 2013).
Como
consequência,
em
muitos
sistemas
produtivos
observam-se
janelas
de
produção
limitadas,
condicionadas pela interação entre as propriedades do solo, a disponibilidade hídrica e a tolerância das
culturas, sobretudo em condições de stress salino (Garbanzo
et al
., 2025). Face a estas limitações estruturais
e à elevada variabilidade climática, impõe-se o desenvolvimento de ferramentas que apoiem o planeamento
agrícola
com
base
em
informação
climática
robusta.
A
proposta
de
um
calendário
agrícola
ajustado
à
realidade agroclimática da Guiné-Bissau baseia-se na análise detalhada da variabilidade e da distribuição
temporal da precipitação ao longo de quatro décadas (período 1981-2020), com o objetivo de disponibilizar
uma ferramenta técnica de apoio à tomada de decisão para agricultores, técnicos e agentes de extensão rural.
Esta abordagem procura orientar o planeamento das atividades agrícolas a partir da identificação de
janelas
temporais
de
menor
risco
climático
para
as
diferentes
fases
do
ciclo
de
desenvolvimento
dos
diferentes tipos de culturas existentes no país, com especial enfoque na instalação de viveiros e na sementeira
direta, reduzindo perdas associadas à falha de germinação, ao estabelecimento das culturas e à instabilidade
produtiva.
Ao
integrar
informação
climática
histórica
e
padrões
de
risco
associados
à
variabilidade
pluviométrica, o estudo visa fortalecer a resiliência dos sistemas agrícolas frente às alterações climáticas e
promover uma agricultura mais eficiente, sustentável e adaptada às condições ambientais locais.
2.
MATERIAIS E MÉTODOS
2.1.
Área de estudo
A área de estudo localiza-se na Guiné-Bissau, país situado na África Ocidental, com uma extensão
territorial aproximada de 36 125km², limitado a norte pelo Senegal, a leste e a Sul pela Guiné-Conakri, e a
Oeste pelo Oceano Atlântico. De acordo com o último censo realizado em 2009 e atualizado em 2022 pelo
Instituto Nacional de Estatística (INE), a população total do país foi estimada em 1 747 193 habitantes. Deste
total, 25% residia no Sector Autónomo de Bissau, enquanto as restantes principais regiões apresentavam as
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
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3
seguintes percentagens: Oio com 14,9%, Gabú com 14,2%, Bafatá com 13,9% e Cacheu com 12,8%. No
período referido, a taxa de crescimento médio anual da população foi de 2,2% (INE, 2009, 2022).
Na figura 1 apresenta-se a distribuição espacial dos postos pluviométricos e estações meteorológicas
cujas séries de precipitação, à escala diária, servem de suporte à realização deste estudo. O período analisado
abrange quatro décadas, de 1981 a 2020, permitindo uma abordagem robusta do ponto de vista climatológico.
Note-se que, para este estudo da estação chuvosa na Guiné-Bissau, não estão disponíveis séries de estações
meteorológicas situadas no sudoeste do país, cobrindo as regiões de Quinara e Tombali, assim como o
noroeste (Cacheu).
Fig.1 – Estações meteorológicas principais e postos pluviométricos Guiné-Bissau.
Fig. 1
–
Main meteorological stations and rainfall stations of Guinea
-
Bissau.
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia da Guiné-Bissau (INM-GB, 2025)
Em termos climáticos, o território da Guiné-Bissau enquadra-se predominantemente no domínio do
clima tropical húmido com estação seca (Aw), segundo a classificação de Köppen-Geiger (Beck
et al
., 2018),
caracterizado por uma estação chuvosa bem definida e concentrada entre os meses de junho e setembro,
ocasionalmente estendendo-se até outubro. O regime de precipitação está associado à Monção da África
Ocidental,
responsável
pelo
transporte
sazonal
de
humidade
do
Oceano
Atlântico
para
o
interior
do
continente (Dia-Diop
et al
., 2020; Lélé & Lamb, 2010; Quagraine
et al
., 2020).
A precipitação anual apresenta um gradiente latitudinal, com valores médios próximos de 1500mm
nas regiões setentrionais e superiores a 2500mm no sul do país, enquanto as temperaturas médias anuais
variam entre 24°C e 27°C, com reduzida variação sazonal (Mendes & Fragoso, 2024). De acordo com o
sistema de zonas de vida de Holdridge, distinguem-se duas principais unidades ecológicas: a região sul,
classificada como floresta tropical húmida; e as regiões central e norte, caracterizadas como floresta tropical
seca
(Harris,
1973;
Holdridge,
1947),
o
que
condiciona
de
forma
significativa
os
sistemas
agrícolas
predominantes e a disponibilidade hídrica ao longo do ciclo produtivo.
Do
ponto
de
vista
pedológico,
os
solos
da
Guiné-Bissau
apresentam
marcada
heterogeneidade
espacial, refletindo a interação entre material de origem, relevo, regime hidrológico e influência marinha,
particularmente
nas
zonas
costeiras.
Nestas
áreas,
predominam
solos
de
origem
aluvial
formados
por
processos
de
sedimentação
associados
à
dinâmica
dos
canais
mareais
que
penetram
no
continente,
frequentemente utilizados para a produção agrícola após conversão de ecossistemas de mangal (Céspedes
et
al
., 2025). Em posições topográficas mais elevadas ocorrem solos mais antigos e fortemente intemperizados,
geralmente associados a elevados níveis de acidez, baixa fertilidade natural e limitações químicas à produção
agrícola (Teixeira, 1962).
Durante a estação chuvosa, a dinâmica físico-química dos solos agrícolas, especialmente nos sistemas
de arroz estabelecidos em antigos mangais, é fortemente condicionada por processos de oxidação e redução,
resultantes da flutuação do nível freático e da influência das marés. Estes solos enquadram-se, em geral, num
regime de humidade ústico, caracterizado por períodos prolongados de défice hídrico superiores a 90 dias
consecutivos em anos típicos (
United States of America
, 2022), o que impõe restrições adicionais ao maneio
da água, à disponibilidade de nutrientes e à estabilidade produtiva dos sistemas agrícolas do país.
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
LXI
(131), 2026, e45505
4
2.2.
Dados diários de precipitação
Neste estudo foram utilizados dados diários de precipitação das estações meteorológicas
i
2.3.
Determinação de parâmetros agrometeorológicos
2.3.1.
Data de início da estação das chuvas
de Bissau-
Observatório, Bolama, Bafatá, Gabú, Bissorã, Mansabá e Sonaco, com séries contínuas para o período de
1981 a 2020. Estas estações constituíram a base das análises agrometeorológicas desenvolvidas. Para reforçar
a
representatividade
espacial
dos
resultados
à
escala
nacional,
foram
ainda
utilizados,
de
forma
complementar, dados das estações de Cacheu, Bula, Fulacunda, Buba, Quebo e Catió. Apesar das séries
destas estações apresentarem algumas lacunas, os seus dados contribuíram para a caracterização espacial do
regime pluviométrico e para a diferenciação regional do calendário agrícola proposto.
Para a determinação dos principais indicadores agrometeorológicos para o planeamento da campanha
agrícola, designadamente as datas de início e fim da estação chuvosa, a sua duração, bem como as sequências
secas, o risco e a probabilidade de ocorrência de períodos sem precipitação, foram analisadas séries diárias
de precipitação no período 1981-2020, relativas a sete localidades do território nacional.
A data de início da estação chuvosa (dia juliano) foi determinada com base em dados diários de
precipitação do período 1981-2020, através do cumprimento de dois critérios. Assumiu-se que, a partir de 1
de
maio,
se
pode
definir
determinado
dia
como
o
início
da
estação
das
chuvas
se:
(i)
a
quantidade
de
precipitação
acumulada durante um ou dois dias consecutivos for igual ou superior a 20mm e se (ii) durante
os 30 dias seguintes não houver uma pausa na chuva superior a 7 dias, para evitar os FIEC (
Akinseye
et al
.,
2016; Ati
et al
., 2002; Balme
et al
., 2005; Marteau
et al
.
, 2009, 2010; Paiva, 1996; Pereira
et al
., 2009;
Sivakumar, 1988; Stern, 1981)
.
Aplicando estas condições, na figura 2 ilustram-se dois casos hipotéticos de
definição de início de estação chuvosa, incluindo uma situação de FIEC.
Fig. 2 – Definição do início da estação das chuvas, segundo Sivakumar (1988) e Stern (1981).
Fig. 2
–
Definition of the onset of the rainy season, according to Sivakumar (1988) and Stern (1981).
Fonte: INM-GB, 2025
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
LXI
(131), 2026, e45505
5
2.3.2.
Data de fim da estação das chuvas
2.3.3.
Duração da estação chuvosa
2.3.4.
Períodos secos, probabilidade e risco da sua ocorrência após a sementeira
2.3.5.
Critérios para a elaboração do calendário agrícola otimizado
Estes
critérios
agronómicos
propostos por
Sivakumar
(1988)
e
Stern
(1981),
foram
baseados
nas
observações
e
estudos
realizados
no
Instituto
Internacional
de
Pesquisa
de
Culturas
para
os
Trópicos
Semiáridos (ICRISAT), no Níger. A escolha desta metodologia permitirá, desta forma, a identificação de um
começo da estação chuvosa não confundível com um FIEC, marcando o início do período de chuvas úteis
(Correia, 1998).
As falsas datas de início ou FIEC referem-se a períodos iniciais de precipitação que apontam para o
começo da estação chuvosa, mas são seguidos por uma interrupção significativa das chuvas, o que pode ser
fatal para o estabelecimento das culturas (Adama
et al
., 2019; Marteau
et al
., 2010; Sultan & Janicot, 2003),
ao levar a perdas na germinação das plantas (se uma chuva inicial for seguida de precipitação inferior a
0,85mm as sementes podem desidratar e morrer). Por outro lado, o replantio necessário após um
FIEC
significa custos adicionais para os agricultores e um atraso no ciclo produtivo, com possíveis efeitos nas
colheitas.
A data de fim da estação chuvosa (dia juliano) foi determinada com base no critério do balanço
hídrico entre a precipitação e a evaporação do solo, calculado à escala diária. Assim, definiu-se o fim da
estação chuvosa a partir de setembro, quando o balanço hídrico entre a água no solo e a evaporação fosse
inferior
a
0,05mm,
considerando
uma evaporação
diária
de
4mm,
num
solo
com
reserva
útil
de
70mm
(Dekoula
et al
., 2018; Stern
et al.,
2006; Yao
et al
., 2020). Note-se que a taxa de evaporação de 4mm
corresponde
à
média
diária
observada
durante
outubro
e
novembro
nas
três
principais
regiões
do
país,
adotando o limiar estimado num estudo anterior (Samuel
et al.,
2019).
A duração da estação foi calculada pela diferença entre a data de fim da estação chuvosa e a data de
início
da
mesma
estação
chuvosa,
definidas
em
dias
julianos,
e
tomando
1
de
janeiro
como
ponto
de
referência.
O
período
seco
(
dry
spell
)
é
um
indicador
da
perturbação
das
atividades
agrícolas
e
do
desenvolvimento das culturas após o início da chuva (Adama
et al
., 2019; Sultan
et al
., 2017; Yao
et al
.,
2020).
Tendo
em
atenção
a
sua
relevância
para
a
presente
investigação,
foi
estimada,
com
recurso
à
ferramenta
Instat
+ (
Statistical Services Centre
), a probabilidade de ocorrência de períodos consecutivos com
precipitação diária inferior a 0,85mm, superiores a 7 e 10 dias, nos meses de maio, junho e julho, para cada
localidade
analisada.
Foi
igualmente
avaliado
o
risco
de
ocorrência
de
períodos
consecutivos
com
precipitação diária inferior a 0,85mm, superiores a 7 e 10 dias após a sementeira, através da simulação de
datas de sementeira entre 15 de maio e 30 de junho, com intervalos de 3 dias, utilizando séries diárias de
precipitação do período 1981-2020.
A escolha dos limiares de 7 e 10 dias consecutivos com precipitação diária inferior a 0,85mm justifica-
se pelo facto de estas condições poderem comprometer a germinação, o estabelecimento e o desenvolvimento
inicial das culturas, devido ao défice hídrico nas fases mais sensíveis após a sementeira.
A simulação de datas de sementeira com intervalos de 3 dias permitiu identificar as janelas temporais
com menor risco de ocorrência de períodos sem chuva, contribuindo para uma definição mais adequada das
datas ótimas de sementeira.
O calendário agrícola otimizado foi elaborado com base na análise das características da precipitação
nas diferentes localidades da Guiné-Bissau, utilizando séries diárias de precipitação do período 1981-2020.
Para a definição das janelas temporais mais adequadas às atividades agrícolas, consideraram-se as datas de
início, fim e duração da estação chuvosa, a frequência de FIEC, a probabilidade de ocorrência de períodos
secos superiores a 7 e 10 dias e o risco de défice hídrico após a sementeira. A calendarização foi definida
em função das diferenças espaciais do regime pluviométrico, distinguindo-se a Região Norte e Centro da
Região Sul e Ilhas, com o objetivo de reduzir os riscos associados à irregularidade da precipitação e melhorar
o planeamento das atividades agrícolas. O calendário agrícola abrange a totalidade do ciclo produtivo,
incluindo
atividades
preparatórias
anteriores
ao
estabelecimento
da
estação
chuvosa
e
operações
pós-
colheita que se prolongam para além do seu término.
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
LXI
(131), 2026, e45505
6
3.
RESULTADOS
3.1.
Caracterização do início, fim e duração da estação chuvosa na Guiné-Bissau
A estação chuvosa na Guiné-Bissau inicia-se, em média, em junho, embora existam variações entre
as diferentes regiões do país. Excecionalmente, o seu início pode ocorrer mais cedo, em maio, ou mais tarde,
em julho (quadro I).
A estação chuvosa inicia-se primeiramente na zona Sul do país, seguida pela zona do centro e Leste,
e por fim na zona Norte, nas regiões de Oio e Cacheu. A data média de início da estação chuvosa no Sul do
país é 15 de junho, correspondendo ao dia juliano 167 e com uma grande variabilidade interanual, expressa
num desvio padrão de 16 dias. As datas mais precoces nas séries cronológicas são observadas no mês de
maio, a partir da terceira semana, e as mais tardias no mês de julho.
Para os territórios que correspondem ao setor autónomo de Bissau (no centro do país), as regiões de
Bafatá e Gabú no Leste, e as regiões de Oio no Norte, o início médio da estação chuvosa ocorre a partir de
21 a 30 de junho, com um desvio padrão estimado entre 13 e 20 dias, apresentando uma maior variabilidade
em relação à zona Sul do país. As datas de início mais precoce observadas na série ocorreram no mês de
maio, e as mais tardias variaram entre os meses de julho e agosto, como se pode observar no quadro I.
Quadro I – Caracterização do início da estação chuvosa em diferentes localidades da Guiné-Bissau, 1981-2020.
Table I
–
Characterization of the onset of the rainy season in different localities of Guinea
-
Bissau, 1981
-
2020
.
Estação met.
Região do país
Data média
Data mais tardia
Data precoce
Data mediana
Desvio Padrão (dias)
Bissorã
OIO
30/jun
12/ago
19/mai
29/jun
17
Mansabá
OIO
30/jun
09/ago
30/mai
27/jun
18
Bafatá
Bafatá
23/jun
14/ago
07/mai
23/jun
20
Sonaco
Gab
ú
28/jun
09/ago
07/mai
30/jun
20
Gab
ú
Gabú
27/jun
30/jul
29/mai
27/jun
17
Bissau
-
Obs
Setor Autónomo
21/jun
22/jul
07/mai
22/jun
13
Bolama
Bolama/Bijagós
15/jun
22/jul
28/mai
15/jun
16
Fonte: INM-GB, 2025
A data média do fim da estação chuvosa (quadro II) é sempre observada entre os dias 1 e 9 do mês de
novembro, começando no Norte e Leste do país, entre as regiões de Cacheu, Oio, Gabú e Bafatá, ocorrendo
mais tarde no centro e, por último, na zona Sul. O desvio padrão médio do fim da estação chuvosa situa-se
entre 9 e 10 dias, o que significa que a variabilidade interanual é inferior comparativamente à que caracteriza
o começo da época chuvosa. O fim precoce das chuvas pode ser observado ainda no mês de outubro, enquanto
o mais tardio pode suceder na terceira semana de novembro, e raras vezes, no mês de dezembro, conforme
se pode ver no quadro II.
Quadro II – Caracterização do fim da estação chuvosa em diferentes localidades da Guiné-Bissau, 1981-2020.
Table II
–
Characterization of the end of the rainy season in different locations in Guinea
-
Bissau, 1981
-
2020
.
Estação met.
Região do país
Data média
Data mais tardia
Data precoce
Data mediana
Desvio
Padrão (dias)
Bissorã
OIO
03/nov
21/nov
03/out
04/nov
10
Mansabá
OIO
01/nov
23/nov
12/out
03/nov
9
Bafatá
Bafatá
02/nov
12/dez
15/out
03/nov
10
Sonaco
Gab
ú
03/nov
23/nov
15/out
04/nov
10
Gab
ú
Gabú
03/nov
24/nov
12/out
05/nov
9
Bissau
-
Obs
Setor Autónomo
09/nov
25/nov
24/out
09/nov
9
Bolama
Bolama/Bijagós
05/nov
23/nov
19/out
05/nov
9
Fonte: INM-GB, 2025
A duração da estação chuvosa (quadro III) é muito variável de um ano para outro. A análise das séries
climatológicas em estudo mostra que a duração média do período chuvoso no território guineense varia entre
124 e 143 dias. As regiões de Oio, Gabú e Bafatá apresentam a estação chuvosa mais curta, compreendida
entre 124 e 132 dias, enquanto no centro e no Sul do país, a duração média do período chuvoso é mais longa,
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
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3.2.
Avaliação sobre os falsos inícios da estação das chuvas
3.2.1.
Probabilidade de ocorrência de períodos secos em maio, junho e julho
variando entre 141 e 143 dias. O desvio padrão da duração da estação das chuvas é mais elevado nas estações
mais setentrionais (Bissorã, Mansabá, Sonaco), onde varia entre 20 e 25 dias, enquanto no restante território
oscila entre os 16 e os 19 dias.
Para os agricultores das bolanhas (terreno pantanoso e fértil, usado especialmente para o cultivo de
arroz) de arroz de mangal, esta forte variabilidade tem um impacto crítico, pois significa que o período ideal
de desenvolvimento da cultura pode ser encurtado ou alargado, sendo essa incerteza ainda maior no caso da
região de Oio (Bissorã, Mansabá).
Quadro III – Caracterização da duração da estação chuvosa em diferentes localidades da Guiné-Bissau, 1981-2020.
Table III
–
Characterization of the duration of the rainy season in different locations in Guinea
-
Bissau, 1981
-
2020
.
Estação met.
Região do país
Data média
Data mais tardia
Data precoce
Data mediana
Desvio
Padrão (dias)
Bissorã
OIO
126
176
83
126
20
Mansabá
OIO
124
174
74
129
23
Bafatá
Bafatá
132
183
73
132
18
Sonaco
Gab
ú
128
188
69
127
25
Gabú
Gabú
129
160
91
132
16
Bissau-Obs
Setor Autónomo
141
172
114
142
16
Bolama
Bolama/Bijagós
143
185
116
142
19
Fonte: INM-GB, 2025
A avaliação do registo de FIEC é um aspeto muito importante no âmbito do estudo da irregularidade
interanual da precipitação. Assim, procedeu-se ao levantamento dos anos em que, no período 1981-2020
houve registo de FIEC; este apuramento está sintetizado no quadro do anexo I, relativamente às sete estações
meteorológicas/postos pluviométricos analisados.
Os casos em que os FIEC ocorreram mais cedo foram registados em Bolama, a 6 de maio de 1981;
em Bissorã, a 17 de maio de 1986, em Mansabá, a 11 de maio de 2014; em Bafatá, a 16 de maio de 2010;
Em Gabú e Sonaco, 9 e 8 de maio de 1997, respetivamente, conforme indicado no quadro do anexo I.
A ocorrência de FIEC varia de modo expressivo no território. A frequência de FIEC nestes 40 anos
foi muito menor nos locais costeiros e insulares (Bissau e Bolama) comparativamente aos locais situados no
interior, onde essa probabilidade empírica variou de 70% em Bafatá, até aos 92% em Bissorã. No norte e
centro
interior
do
país,
o
arranque
mais
irregular
das
chuvas é,
portanto,
um
fator
que
acrescenta
mais
incerteza à programação das tarefas de cultivo. Os FIEC sucedem sobretudo do final de maio até meados de
junho, sendo relativamente pouco frequente que esse fenómeno se registe de forma mais antecipada ou mais
tardia.
Um dado visualmente sugerido pelo histórico apresentado no quadro do anexo I reside no facto de
que, nos anos mais recentes (2010-2020), os FIEC tenham sido observados de uma forma praticamente
consecutiva em quase todos os locais, quando na primeira metade do período se constatava uma maior
alternância de anos com FIEC e anos de arranque efetivo das chuvas. Bissorã, na região de Oio (Norte do
País), é a estação onde os FIEC denotam uma maior prevalência de ocorrência no mês de junho.
Desde 2020, nas restantes estações, constata-se que os FIEC têm sido uma realidade em cada ano,
podendo dar-se quer em junho, quer mês de maio, sendo que os FIEC verificados neste mês comportam ainda
maiores riscos, por poderem induzir os agricultores a semeio prematuro, com perdas irremediáveis se a chuva
tardar a estabelecer-se de modo regular.
Realizando
os
necessários
procedimentos
de
cálculo
na
ferramenta
Instat
+,
calculou-se
a
probabilidade empírica de períodos secos nos meses de transição e de arranque da época chuvosa na Guiné-
Bissau, isto é, maio, junho e julho. Uma vez mais, o período analisado foi o de 1981-2020. Foram adotadas
duas durações mínimas de períodos secos: 7 e 10 dias; os resultados detalham-se no quadro IV.
Em maio, tradicionalmente considerado o mês de início da estação das chuvas, a probabilidade de
ocorrerem períodos sem precipitação superiores a 7 e 10 dias é de 100% em todas as localidades analisadas.
À medida que se avança para junho, essa probabilidade começa a diminuir. Para períodos superiores a 7 dias
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
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8
3.2.2.
Períodos secos mais longos
3.2.3.
Risco de ocorrência dos períodos secos após a sementeira
sem chuva, a probabilidade situa-se entre 70% e 90%, enquanto, para períodos superiores a 10 dias, varia
entre 52% e 78%. Em julho, um dos meses mais chuvosos, a probabilidade de uma sequência de mais de 7
ou 10 dias sem precipitação é menor, variando entre um máximo de 30% e um mínimo de 2% (quadro IV).
A reflexão sobre estes resultados suporta a recomendação de alerta aos agricultores de que semear em
maio, mesmo com condições de humidade adequadas, envolve um risco extremamente elevado de perda da
sementeira, devido à elevada probabilidade de períodos secos superiores a 10 dias. Estas condições não
favorecem o desenvolvimento da planta do arroz, mesmo que ela germine, podendo a perda ser irremediável
ou implicar nova sementeira, significando sempre custos acrescidos e necessidades de tempo e trabalho
laboral ulterior.
Quadro IV – Probabilidades empíricas de ocorrência de períodos secos, a partir da 1 de maio, 1 de junho e 1 de julho.
Table
I
V
–
Empirical probabilities of dry spell occurrence from May 1, June 1, and July 1
.
Localidades
1º de maio
1º de junho
1º de julho
Probabilidade (P) de ocorrência dos períodos secos (SS)
P SS>7 dias
P
SS>10 dias
P SS>7 dias
P SS>10 dias
P SS>7 dias
P SS>10 dias
Bissau
100%
100%
78%
65%
2%
2%
Bafatá
100%
100%
81%
69%
17%
4%
Bolama
100%
100%
71%
59%
4%
2%
Gab
ú
100%
100%
70%
52%
20%
2%
Mansab
á
100%
100%
90%
78%
26%
9%
Bissorã
100%
100%
85%
65%
30%
13%
Sonaco
100%
100%
80%
60%
29%
16%
Fonte: INM-GB, 2025
Para
a
elaboração
de
um
calendário
de
recomendação
para
os
períodos
ótimos
de
sementeira,
é
fundamental
compreender
o
comportamento
das
chuvas,
analisando
os
períodos
secos,
ou
seja,
os
dias
consecutivos em que a precipitação diária é inferior a 0,85mm nas séries climatológicas de longo prazo
(anexo
II).
Nos
anos
em
que
não
foi
registada
precipitação
no
mês
de
maio,
os
períodos
secos
foram
contabilizados desde o último episódio de chuva ocorrido no ano anterior, incluindo assim todo o período
correspondente
à
estação
seca.
O
conhecimento
destes
períodos
secos
é
crucial
para
evitar
o
risco
de
sementeiras em momentos caracterizados por FIEC, que frequentemente resultam em atrasos na germinação
de algumas culturas e num crescimento limitado das plantas.
Nos meses de junho e julho, tradicionalmente considerados favoráveis à sementeira, a análise destes
períodos secos permite identificar os períodos mais adequados para o cultivo. Em anos sem precipitação
registada em junho, os períodos secos chegaram a prolongar-se por 30 dias, como ocorreu em 1985, 1991,
2003, 2018 e 2019, quando este fenómeno afetou quase todo o país. No entanto, noutros anos, como 1990,
1991, 1993, 1995, 1998, entre 2000 e 2004, 2007, 2009, 2011, 2013 e de 2018 a 2020, os períodos secos de
30 dias não afetaram todo o território nacional, manifestando-se apenas em algumas regiões ou localidades.
Compreender
estes
períodos
secos
é
essencial
para
minimizar
os
riscos
de
perdas
na
sementeira,
frequentemente causadas por FIEC, que constituem a principal razão para atrasos na germinação e para o
desenvolvimento inadequado das plantas.
Por
outro
lado,
julho
não
registou
períodos
secos
prolongados
e
recorrentes
ao
longo
da
série
analisada,
ao
contrário
de
junho,
embora
tenham
sido
observados
alguns
episódios
pontuais
em
certas
localidades.
A figura 3 ilustra o risco de ocorrência de períodos secos após sementeiras simuladas em diferentes
datas. A sua análise é fundamental para compreender este condicionante crítico na definição de um calendário
agrícola otimizado.
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
LXI
(131), 2026, e45505
9
Fig. 3 – Riscos de ocorrência dos períodos secos em diferentes localidades do país (1981-2020). À esquerda, períodos secos
de 7 ou mais dias; à direita, períodos secos de 10 ou mais dias.
Fig
.
3
–
Risks of occurrence of dry spells in different localities of the country (1981
-
2020). On the left, dry spells of 7 or more
days; on the right, dry spells of 10 or more days
Fonte: INM-GB, 2025
A simulação de sementeiras realizadas entre 15 de maio e 30 de junho, com intervalos de três dias,
revela que o risco de ocorrência de períodos secos diminui progressivamente à medida que a estação avança.
Uma sementeira realizada a 15 de maio apresenta um risco médio de 95% de enfrentar uma sequência seca
superior a sete dias consecutivos e de 79% para períodos superiores a 10 dias sem precipitação.
Se o plantio for adiado para 30 de maio, o risco de uma sequência seca superior a sete dias reduz-se
para 65%, enquanto para períodos superiores a 10 dias baixa para 37%, em média.
A partir de 14 de junho, esses riscos tornam-se ainda menores, situando-se em 36% para períodos de
mais de 7 dias e em apenas 13% para períodos secos superiores a 10 dias, embora possam variar conforme
as características de cada localidade (figura 3). Como se ilustra na figura, o risco associado à sementeira
devido à ocorrência de períodos secos é, de um modo geral, menor em Bissau e Bolama, enquanto tende a
ser mais elevado nas localidades do interior e do Norte, como Bissorã, Mansabá, Bafatá e Sonaco.
O
calendário
agrícola
otimizado
evidencia
diferenças
espaciais
marcantes
no
comportamento
da
estação chuvosa entre as regiões da Guiné-Bissau, refletindo-se na calendarização das principais atividades
agrícolas ao longo da época das chuvas. De uma forma geral, a Zona Sul e Ilhas apresenta um início mais
precoce e maior duração da estação chuvosa em relação à Zona Norte e Centro, que se caracteriza por maior
irregularidade das chuvas no início da campanha agrícola.
i)
Planeamento das atividades agrícolas, por região
Na Região Norte e Centro: durante todo o mês de maio (1ª a 3ª década), os agricultores podem iniciar
a preparação dos seus instrumentos agrícolas (arados, pás, enxadas e tubos de canalização), bem como a
seleção de sementes e a limpeza das áreas destinadas a viveiros e bolanhas. A manutenção dos diques de
proteção, essenciais para evitar a entrada de água salgada nas parcelas, ocorre entre a 1ª e 2ª décadas de
junho.
A instalação dos viveiros inicia-se a partir da 3ª década de junho, prolongando-se até à 1ª década de
agosto, beneficiando da humidade do solo acumulada. O período considerado de maior risco para a instalação
de viveiros ocorre, na Região Norte e Centro, entre a 1ª e 2ª décadas de junho. Este risco deve-se à ocorrência
frequente de períodos secos, causados pelos FIEC.
Na Região Sul e Ilhas: manutenção dos diques de proteção pode começar já na 3ª década de maio,
depois da preparação dos instrumentos agrícolas, realizada na 1ª e 2ª décadas do mesmo mês. A instalação
dos viveiros tem início na 2ª década de junho, prolongando-se até à 1ª década de agosto. Nesta região (Sul e
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
LXI
(131), 2026, e45505
10
3.3.
Calendário agrícola otimizado
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Risco de sequência seca de mais de 7 dias em %
Diferentes datas de semeio
Sonaco
Gabu
Bafata
Mansaba
Bissorã
Bissau
Bolama
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Risco de sequência seca de mais de 10 dias em %
Diferentes datas de semeio
Sonaco
Gabu
Bafata
Mansaba
Bissorã
Bissau
Bolama
Ilhas) o período de maior risco para a instalação de viveiros situa-se entre a 3ª década de maio e a 1ª década
de junho.
ii)
Fases da lavoura e transplante
Na Região Sul e Ilhas, a lavoura e a sementeira direta iniciam-se na 1ª década de julho, enquanto na
Região Norte e Centro estas atividades começam um pouco mais tarde, a partir da 2ª década de julho, quando
a humidade do solo nas bolanhas já é suficiente. Os primeiros transplantes dos viveiros ocorrem no início da
2ª
década
de
julho
no
Sul,
enquanto
no
Norte
e
Centro
este
processo
começa
na
3ª
década
de
julho,
prolongando-se até ao final da 1ª década de setembro. Note-se que muitas atividades agrícolas são realizadas
simultaneamente.
Por exemplo, enquanto os homens executam a lavoura, as mulheres encarregam-se do transplante do
arroz. Os últimos transplantes ocorrem na Região Norte e Centro até ao dia 20 de setembro (final da 2ª
década) e na Região Sul e Ilhas até ao final de setembro. As zonas com maior disponibilidade de água
permitem transplantes mais tardios, enquanto as zonas altas, sem acesso à água suficiente, tornam-se críticas
para esta prática.Períodos não favoráveis ao transplante do arroz na Região Norte e Centro definem-se a
partir do início da 3ª década de setembro e na Região Sul e Ilhas a partir do início de outubro.
iii)
Colheita
3.3.1.
Recomendações para a calendarização das atividades agrícolas
Na Região Norte e Centro inicia-se no princípio de novembro e prolonga-se até ao final de dezembro,
devido à utilização de variedades de ciclo curto e médio. Na Região Sul e Ilhas, a colheita começa mais tarde,
apenas na última década de novembro, estendendo-se até janeiro, dado que as comunidades desta região
recorrem maioritariamente a variedades de ciclo médio e longo, beneficiando da maior regularidade das
chuvas.
Este
planeamento
estruturado,
através
de
um
calendário
agrícola
ajustado
às
características
pluviométricas de cada região, garante uma produção agrícola mais eficiente e sustentável, maximizando o
aproveitamento
da
estação
chuvosa
e
reduzindo
os
riscos
associados
à
variabilidade
climática,
nomeadamente a irregularidade das chuvas, os FIEC e a ocorrência de períodos secos após a sementeira,
contribuindo assim para um melhor planeamento e uma maior resiliência dos sistemas agrícolas.
As operações agrícolas devem ser cuidadosamente planeadas em todo o país no início de cada estação
chuvosa,
tendo
em
conta
as
especificidades
de
cada
região.
O
calendário
agrícola
proposto
sublinha
a
importância deste planeamento para garantir um melhor aproveitamento do período chuvoso, promovendo
uma
produção
agrícola
sustentável
e
eficiente.
Como
se
analisou
detalhadamente,
o
comportamento
da
estação das chuvas, nomeadamente no que diz respeito ao seu início, fim e duração, varia ao longo do
território nacional. Como já foi largamente evidenciado, a Região Sul e Ilhas é a mais chuvosa e apresenta
um período chuvoso mais prolongado ao longo do ano.
Assim, para a calendarização das atividades agrícolas das diferentes culturas praticadas no país e com
enfoque particular na cultura do arroz de mangal neste estudo, torna-se pertinente considerar a divisão do
território em duas grandes regiões: Região Norte e Centro e Região Sul e Ilhas.
O quadro V descreve as diversas atividades agrícolas que podem ser realizadas de acordo com o
calendário
agrícola
otimizado,
concretizando
recomendações
que
se
fundamentam
no
conhecimento
substanciado na presente investigação.
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
LXI
(131), 2026, e45505
11
Quadro V. Calendário agrícola para diferentes atividades durante época da chuva.
Table V. Agricultural calendar for different activities during the rainy season.
Períodos de diferentes atividades agrícolas
Meses/décadas
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Janeiro
Localidade
1ª
2ª
3ª
1ª
2ª
3ª
1ª
2ª
3ª
1ª
2ª
3ª
1ª
2ª
3ª
1ª
2ª
3ª
1ª
2ª
3ª
1ª
2ª
3ª
1ª
2ª
3ª
Cacheu*
Norte e centro
Bula*
Bissorã
Mansabá
Bafatá
Sonaco
Gabú
Bissau-Obs
Bolama
Zona Sul + ilha
Fulacunda*
Buba*
Quebo*
Catió*
Fonte: INM-GB, 2025
* Localidades com informações meteorológicas incompletas, mas com características climáticas semelhantes com a zona da sua localização
Década (período de 10 ou 11 dias durante um mês)
Preparação dos instrumentos agrícolas (arados, pás, enxada, tubos de canalização), seleção de sementes, limpeza de espaços para viveiros e de bolanhas
Trabalhos de manutenção dos diques de proteção e corresponde ao período de risco para a instalação de viveiros ou semeio direito nas bolanhas devido à irregularidade da chuva
Instalação de viveiro e manutenção dos diques
Continuação de instalação de viveiros, início de lavouras e semeio direto para aqueles que não fazem transplante.
Continuação de instalação de viveiros (ciclo médio e curto), lavoura, semeio direto e transplante dos primeiros viveiros nas Bolanhas
Continuação de lavoura e de transplante do arroz na Bolanha
Último transplante para a zona com mais água e muito risco para as zonas mais altas e sem reserva de água. É o período dedicado também para a limpeza das palhas no arroz
Período em que devem ser evitados os transplantes
Período de colheita
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
LXI
(131), 2026, e45505
12
4.
DISCUSSÃO
4.1.
Momento de sementeira e estação chuvosa
4.2.
Implicações da diversidade edáfica e do regime pluviométrico no maneio agrícola na Guiné-
Bissau
Os resultados obtidos confirmam uma elevada variabilidade interanual da estação chuvosa na Guiné-
Bissau, refletida nas datas de início, fim e duração, bem como na ocorrência frequente de FIEC e períodos
secos prolongados. Este comportamento representa um risco considerável para culturas sensíveis, como o
arroz de mangal, e compromete a previsibilidade agrícola.
A distribuição da precipitação apresenta fortes contrastes espaciais, com uma estação mais longa no
Sul e mais curta no Centro, Norte e zona Leste. Em média, as chuvas iniciam-se a 15 de junho no Sul e mais
tarde nas demais regiões, com elevada variabilidade (desvio-padrão de 13-20 dias). Este padrão é consistente
com dinâmicas regionais documentadas na África Ocidental (Liebmann
et al
., 2012; Rauch
et al
., 2019;
Sultan & Gaetani, 2016; Vellinga
et al
., 2013), fortemente influenciadas pelo avanço meridional da monção
e pelo deslocamento da Frente Intertropical.
O início das chuvas mostra tendência para ocorrer cada vez mais tarde, ao contrário do término,
relativamente estável. Esta assimetria foi igualmente identificada por Mendes (2017) e Kouassi
et al
., 2018),
que salientam maior variabilidade nas datas de início. A duração da estação varia entre 124 e 143 dias,
justificando abordagens diferenciadas de planeamento agrícola (Sivakumar
et al.,
2005).
A frequência de FIEC, particularmente elevada em Oio, induz sementeiras prematuras seguidas de
perdas
de
germinação
e
impactos
socioeconómicos
(Agali
et
al
.,
2013).
A
tendência
crescente
destas
ocorrências
entre
2010
e
2020
pode
refletir
alterações
climáticas
(Biasutti,
2013),
exigindo
sistemas
comunitários de alerta precoce e capacitação técnica para interpretação de indicadores meteorológicos.
A análise estatística demonstra que, em maio, a probabilidade de períodos secos superiores a 10 dias
é de 100%, mantendo-se elevada até meados de junho. Tal constatação sustenta a recomendação de adiar as
sementeiras para o final de junho, reduzindo o risco de perdas. A ocorrência de períodos secos de até 30 dias
no mês de junho, registada nos anos de 1991, 2003, 2018 e 2019, sublinha a importância de uma maior
prudência na decisão sobre as datas de início das sementeiras.
Os calendários de produção agrícola na Guiné-Bissau estão fortemente dependentes da quantidade e
da distribuição da precipitação (van Oort & Zwart, 2018). No contexto das alterações climáticas, o país tem
sido cada vez mais afetado pela concentração das chuvas em períodos mais curtos, o que provoca dificuldades
na preparação do solo e um aumento dos fatores de stress abiótico nas plantas (Qin
et al
., 2020; Strawn
et
al
., 2015; van Oort, 2018). Estas condições afetam diretamente os rendimentos das culturas, sobretudo nos
sistemas agrícolas que dependem exclusivamente da precipitação.
Com
base
nestes
resultados,
propõe-se
um
calendário
agrícola
regionalizado,
diferenciado
para
norte/centro e sul/ilhas, sustentado por uma análise estatística de risco climático. Esta estratégia, alinhada
com os princípios da agrometeorologia aplicada (Stigter
et al
., 2005), constitui uma medida prioritária para
aumentar
a
resiliência
agrícola,
permitindo
alinhar
operações
como
a preparação
do
solo,
instalação
de
viveiros, transplante e colheita com períodos de menor risco climático, maximizando o aproveitamento da
estação chuvosa e minimizando perdas por stress hídrico.
5.
CONCLUSÃO
O calendário agrícola proposto funciona como um guia para os agricultores, indicando as diferentes
atividades e operações de cultivo distribuídas ao longo do tempo e no espaço, sendo condicionado pela
chegada da chuva, que pode ser precoce, média ou tardia. A variação do início das chuvas ao longo dos anos
tem sido a principal causa de perturbação das atividades orizícolas dos camponeses, especialmente na zona
de mangais, afetando as datas de cultivo, semeio e outras atividades agrícolas relacionadas em diferentes
regiões
do
país.
Os
FIEC,
que
são
sempre
seguidos
por
longos
períodos
sem
precipitação
antes
da
intensificação das chuvas, dificultam o início das atividades agrícolas. Um final precoce da estação chuvosa
compromete o desenvolvimento das culturas e contribui para a redução da produção, devido à falta de água
durante a formação e enchimento dos grãos de arroz no período de maturação. Outros fatores que podem
estar associados à baixa produtividade incluem a irregularidade e a diminuição da precipitação. As atividades
de lavoura e semeio, que são o foco principal do calendário agrícola e dependem do início das chuvas, são
Mendes, O., Garbanzo, G., Fragoso, M.
Finisterra,
LXI
(131), 2026, e45505
13
i
Os dados pluviométricos utilizados nesta investigação foram fornecidos oficialmente pelo Instituto Nacional de Meteorologia da Guiné-Bissau
(INM-GB), entidade responsável pela monitorização meteorológica nacional. A base de dados utilizada corresponde aos registos históricos das
estações meteorológicas e postos pluviométricos do país, disponibilizados diretamente pelo Instituto para fins de investigação científica. Estes
dados não se encontram atualmente disponíveis em acesso público no sítio eletrónico da instituição.
precedidas
por
diversas
atividades
preparatórias.
Entre
estas
incluem-se
a
preparação
dos
instrumentos
agrícolas (arados, pás, enxadas, tubos de canalização), a seleção de sementes, a limpeza de áreas para viveiros
e bolanhas, bem como a manutenção dos diques de proteção, entre outras. As precipitações do mês de maio
observadas nas últimas décadas representam um risco elevado para a implantação de viveiros, no caso de
semeio
direto,
pois
frequentemente
são
seguidas
por
vários
dias
consecutivos
sem
chuva. O
semeio
na
primeira quinzena de junho também apresenta riscos, embora menores do que no mês de maio. De uma
maneira geral, o período com menor risco de perda de sementes ocorre a partir da terceira década de junho e
ao longo do mês de julho. O plantio de variedades de ciclo longo no final de julho apresenta alto risco,
sobretudo em anos de término precoce da estação chuvosa. Por seu turno, variedades de ciclo curto semeadas
em
junho
podem
atingir
a
maturidade
durante
o
período
de
chuvas
intensas,
aumentando
o
risco
de
apodrecimento dos grãos ou de danos por aves.
O conhecimento do comportamento anual das chuvas em cada localidade permite aos agricultores
escolher o ciclo de cultivo adequado, assegurando que a maturação das plantas ocorra sem interrupções por