Contributo para o conhecimento da agrodiversidade no concelho de Santa Cruz, Madeira

Agrodiversidade e a Agricultura na Madeira

  • Miguel Angelo Almeida Pinheiro de Carvalho Universidade da Madeira https://orcid.org/0000-0002-5084-870X
  • Carla Ragonezi Universidade da Madeira
  • Fabrício Lopes de Macedo Universidaded da Madeira
  • Gonçalo Nuno Antunes
  • Gregório Freitas Banco de Germoplasma ISOPlexis. Universidade da Madeira
  • Humberto Nóbrega

Resumo

O concelho de Santa Cruz, costa sul da Madeira, com 81,5 km2, tem 4 patamares climáticos e diferentes condições agroecológicas. A evolução da agrodiversidade iniciou-se, com o povoamento, e sofreu alterações históricas e geográficas. Num primeiro período, a agrodiversidade biofísica, específica e intraespecífica aumentou e diversificou-se, devido à construção de agrossistemas, introdução de culturas, sucessão de ciclos agrícolas, adaptação às condições agroecológicas, pragas, doenças ou ação do homem. Neste período está documentada a introdução de um elevado número de espécies agrícolas e o aparecimento de variedades locais. Num período posterior, a agrodiversidade sofreu uma drástica redução, com a diminuição das áreas agrícolas, abandono das culturas, extinção de variedades locais ou espécies agrícolas. Os registos históricos indicam a utilização de 72 espécies “agrícolas”, no concelho. As referências documentais indicam como culturas mais importantes o trigo, vinha, cana-sacarina, cevada, centeio e sumagre. Várias outras culturas desempenharam, um papel importante na economia do concelho, sendo cultivadas para fins alimentares, comerciais, industriais, culturais ou religiosos. A distribuição e adaptação destas espécies aos agrossistemas e condições agroecológicas deu origem a um número indeterminado de variedades locais. Apesar das limitações dos registos históricos algumas variedades locais remontam a entre 500 a 140 anos, nomeadamente o trigo da serra, castas malvasia e tinta antiga de Gaula, pêra caniça, banana da terra, feijão corno de carneiro e couve de João Ferino, que podem ser relacionadas com a histórica do concelho. A análise desta agrodiversidade foi realizada, a fim de estabelecer as alterações históricas e geográficas ocorridas em 11 culturas representativas do concelho.

Downloads

Dados de Download não estão ainda disponíveis.

Biografia do Autor

Miguel Angelo Almeida Pinheiro de Carvalho, Universidade da Madeira

Professor Associado com Agregação em Bioquímica e Biotecnologia. Título de agregação atribuído, pela Universidade da Madeira (UMa), em 2004. Doutorado em Biologia, especialidade de Bioquímica e Fisiologia Vegetal, pela Universidade de Voronezh, Federação Russa, em 1991. Mestre em Biologia, especialidade de Bioquímica, em 1987. Investigador do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais do Mediterrâneo. Docente, da Universidade da Madeira, desde novembro de 1992. Responsável pelo Painel do domínio estratégico de Bio-sustentabilidade da RIS-RAM. Membro do Observatório para o Clima, Estratégia Clima Madeira, SRARN. Coordenador e Fundador do Banco de Germoplasma ISOPlexis/ Germobanco (BG ISOPlexis), em 1996, que integra a rede Germobanco, de bancos de germoplasma agrícola da Macaronésia. Unidade que desenvolve investigação fundamental ou aplicada nos domínios da agricultura, alimentação e sustentabilidade. 

Publicado
2019-08-12
Secção
Geral