Nota introdutória
o alargamento e o futuro da União Europeia
Resumo
Ao longo da história da integração europeia, o alargamento tem desempenhado um papel fundamental na concretização dos objetivos fundacionais da União Europeia (UE) – promoção da paz, estabilidade e prosperidade –, através do aprofundamento da integração política e económica. Contudo, se a inclusão de novos Estados-Membros tem sido vista como uma plataforma privilegiada para a consolidação da democracia e para a concretização de reformas estruturais no espaço da UE, ela tem igualmente suscitado questões complexas. De entre estas, destacam-se as relacionadas com os critérios de adesão, a capacidade de integração de novos membros e a resposta a novas necessidades das políticas europeias, que colocam em causa a coesão interna da União. Este equilíbrio difícil entre expansão e integração é agravado pelo atual contexto geopolítico, marcado pela guerra na Ucrânia, pela tensão crescente no Médio Oriente, por crises migratórias e por múltiplos desafios à democracia. O debate sobre a revitalização do processo de alargamento europeu, com a abertura de negociações com a Ucrânia, a Moldova e a Bósnia e Herzegovina, e o reconhecimento do estatuto de candidato à Geórgia, em 2024, bem como o seu impacto no futuro da UE, não se esgota, portanto, no processo de adesão dos novos candidatos. Ele exige antes uma reflexão abrangente sobre a capacidade de a UE se adaptar às imbricadas mudanças que ocorrem nos níveis local, regional e internacional, fortalecendo as suas políticas internas e externas, promovendo uma efetiva autonomização estratégica e reforçando as suas parcerias em diferentes escalas das relações internacionais.