Reabilitar para o bem viver: da gestão dos serviços aos cuidados
DOI:
https://doi.org/10.33194/rper.2026.43423%20Palavras-chave:
Enfermagem em Reabilitação, Gestão em Saúde, Assistência Centrada no Paciente, Bem-viver, Qualidade da Assistência à SaúdeResumo
Introdução: A diferenciação profissional entre enfermeiros generalistas e especialistas constitui um desafio para a gestão de serviços e de cuidados de reabilitação. Através de um enquadramento inovador que articula gestão, diferenciação profissional e bem-viver, este estudo explora como gerir serviços e cuidados de reabilitação no contexto desta diferenciação profissional, visando a articulação entre cuidados gerais e especializados para a promoção do bem-viver das pessoas.
Metodologia: Reflexão teórico-prática baseada em revisão narrativa da literatura científica e normativa sobre gestão de serviços de saúde e processos de reabilitação. A análise incluiu 38 artigos científicos e 15 documentos normativos, seguindo os princípios da análise temática.
Resultados: Identificaram-se cinco eixos de gestão: serviços de internamento não específico com necessidades de reabilitação; serviços especializados de internamento de reabilitação; gestão de cuidados continuados; gestão de serviços na comunidade; e gestão de cuidados de reabilitação. A análise evidenciou a diferenciação entre gestão de serviços e gestão de cuidados, destacando competências específicas em supervisão, liderança clínica e articulação interprofissional.
Discussão: O bem-viver através da reabilitação exige modelos de gestão inovadores que articulem múltiplos contextos assistenciais. Persistem desafios como envelhecimento populacional, escassez de profissionais e barreiras arquitetónicas. As perspetivas futuras apontam para modelos baseados em valor, tecnologias digitais, como telereabilitação e inteligência artificial, e participação ativa das pessoas como co-gestores do processo de reabilitação.
Conclusão: A gestão eficaz dos serviços e dos cuidados de reabilitação é estruturante para promover o bem-viver, exigindo articulação entre contextos assistenciais e complementaridade de competências profissionais.
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