Transformar a partir dos interstícios: hortas urbanas comunitárias face à crise ecossocial
DOI:
https://doi.org/10.4000/154scPalavras-chave:
iniciativas ecossociais de base comunitária, hortas urbanas comunitárias, ecologia política, transição ecossocialResumo
Neste artigo abordamos o caso das hortas urbanas comunitárias de Madrid, integradas no Programa Municipal de Hortas Urbanas Comunitárias. Estas iniciativas situam-se nos interstícios entre a gestão comunitária e a gestão institucional pública em termos “ecológicos” e “sustentáveis”. A sua expansão e institucionalização envolvem práticas e relações entre diversos agentes, a partir das quais emergem novas exigências de gestão dos chamados urban green commons (baldios verdes urbanos) e se possibilitam formas de governação partilhada. Neste contexto, analisamos como as hortas urbanas comunitárias enfrentam o desafio de se manterem como espaços transformadores – atualizando os laços comunitários, a reciprocidade e o cuidado mútuo, reformulando as formas de relação com a “natureza” na cidade e o abastecimento alimentar – sem serem absorvidos por lógicas mercantis ou marginalizados para o espaço assistencial ou do voluntariado comunitário.