Porto Santo: biografia cultural e espetacularização de uma canção
DOI:
https://doi.org/10.4000/154shPalavras-chave:
Max, Porto Santo (canção), cosmopolitismo, “aportuguesamento”, Guy Debord, espetacularizaçãoResumo
O cançonetista madeirense Max foi dos mais populares artistas da música ligeira portuguesa nas décadas de 50 e 60 do século passado. A canção Porto Santo (1953) está entre os seus maiores êxitos em palco e em disco. Ao revisitar a letra surgiu uma visão contrastada, despida da emotividade romântica e nostálgica. Transpareceu um quotidiano pleno de incertezas. Na origem da canção esteve um jingle para promoção radiofónica de um produto comercial – a água mineral extraída numa das poucas nascentes de água doce disponíveis naquela pequena ilha semiárida. O êxito nacional da canção explica-se pelo arranjo feito de acordo com as vogas cosmopolitas da época. No entanto, tinha plasticidade suficiente para a posterior incorporação no “aportuguesamento” – a política governamental da época –, pela qual se regeu a música comercial. Recentemente a canção está a ser reciclada como emblema sónico para uma ilha carente de identificadores culturais e desafiada por uma vaga dominadora provocada pelo turismo. Nesta biografia cultural sugiro a aplicação da teoria debordiana da sociedade do espetáculo.