Entre o universal e o singular: etnografia da produção de conhecimentos e formas de subjetivações em instituições lacanianas de psicanálise
Resumen
Este artigo analisa as controvérsias dentro do campo da saúde mental entre, de um lado, abordagens biomédicas, que destacam os aspectos neurofisiológicos, e, de outro, psicológicas, pautadas nos aspectos subjetivos, produzindo uma tensão entre sabres e técnicas universais e singulares na produção de conhecimentos e formas de subjetivação entre um polo e outro. A partir de pesquisa etnográfica realizada em instituições lacanianas de psicanálise, descrevo e analiso não só rupturas, mas, principalmente, continuidades na forma de produção de conhecimento e de tecnologias de cuidado dos saberes e práticas psi. O objetivo é problematizar como psicanalistas lacanianos, mesmo afirmando-se críticos da medicina científica, reproduzem a mesma estrutura universalista e normatizadora de formas de subjetivação presentes nos enquadramentos terapêuticos dos transtornos mentais.