O TERRORISMO DE ATORES SOLITÁRIOS NA UNIÃO EUROPEIA: TRANSFORMAÇÃO DA AMEAÇA E IMPLICAÇÕES SECURITÁRIAS

Autores

  • Oliveira

DOI:

https://doi.org/10.60746/8_19_48011

Resumo

O presente artigo analisa as dinâmicas do terrorismo perpetrado por atores solitários na União Europeia, avaliando de que modo este fenómeno reconfigura os desafios de segurança interna e institucional do projeto europeu. A investigação incide sobre casos registados em França e na Alemanha entre 2015 e 2025, explorando as características operacionais e ideológicas dos ataques e dos seus perpetradores. Recorrendo a uma metodologia mista, baseada na construção de uma base de dados ad hoc, foram analisados 29 ataques, dos quais resultaram 152 vítimas mortais e 653 feridos. Os dados revelam uma predominância de ataques associados ao extremismo islâmico (80% em França e 71,4% na Alemanha), com recurso frequente a meios de baixa complexidade, como armas brancas, outros objetos cortantes e veículos, dirigidos sobretudo contra soft targets. A análise permite identificar a aceleração dos processos de radicalização, frequentemente associados à exposição a conteúdos digitais, bem como as limitações dos modelos tradicionais de contraterrorismo perante formas de violência descentralizadas. O enquadramento teórico articula a teoria da complexidade crescente, a teoria da securitização e a teoria dos complexos de segurança. Os resultados demonstram que o terrorismo de atores solitários constitui uma transformação estrutural da ameaça terrorista na União Europeia, exigindo respostas institucionais coordenadas que conciliem eficácia securitária com a salvaguarda dos direitos fundamentais, num contexto marcado pela amplificação de dinâmicas populistas e nacionalistas.

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Publicado

2026-07-06

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Artigos