Literacia da Alimentação e Nutrição e Qualidade de Vida dos Adolescentes em São Tomé e Príncipe
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47490Palavras-chave:
Literacia Alimentar; Qualidade de Vida; Adolescentes; São Tomé e Príncipe; Desigualdades TerritoriaisResumo
Introdução: A Literacia da Alimentação e Nutrição (LAN) corresponde à capacidade de aceder, compreender, avaliar e utilizar informação nutricional para promover escolhas alimentares saudáveis. Em São Tomé e Príncipe (STP), os adolescentes enfrentam uma dupla carga de malnutrição, associada a um contexto de transição nutricional e desigualdades territoriais. A relação entre LAN e Qualidade de Vida (QV) permanece pouco estudada neste contexto.
Objetivos: Analisar a relação entre a LAN e a QV dos adolescentes em STP e explorar a influência de variáveis sociodemográficas.
Metodologia: Estudo quantitativo, transversal e descritivo-correlacional com 150 adolescentes dos 12 aos 18 anos, provenientes de escolas públicas de diferentes distritos. Aplicaram-se um questionário sociodemográfico, a Escala de Literacia da Alimentação e Nutrição (E-LAN; α=0,74) e o KIDSCREEN-27 para avaliação da qualidade de vida (α=0,67–0,81). Os dados foram analisados no SPSS v.28 através de correlação de Pearson, ANOVA e regressão linear múltipla. O estudo obteve aprovação ética da CESIC (n.º 005/2025).
Resultados: Os participantes apresentaram níveis moderados de LAN (M=53,4; DP=8,7) e perceções satisfatórias de QV (M=124,6; DP=18,2). Não se observou associação significativa entre LAN e QV global (r=0,083; p=0,310), nem efeito preditivo da LAN na regressão múltipla (β=0,115; p=0,281). O distrito de residência foi o único preditor significativo da QV (β=-0,205; p=0,011), verificando-se valores superiores de bem-estar entre adolescentes residentes em contexto urbano. Os adolescentes urbanos apresentaram igualmente níveis mais elevados de LAN (p=0,017). Não foram observadas diferenças significativas segundo idade, sexo ou escolaridade materna.
Conclusões: Os resultados sugerem que fatores territoriais exercem maior influência sobre a qualidade de vida dos adolescentes do que a literacia alimentar individual. A promoção da literacia alimentar deverá ser acompanhada por políticas intersetoriais orientadas para a redução das desigualdades territoriais e para a criação de ambientes alimentares mais equitativos.
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