Literacia da Alimentação e Nutrição e Qualidade de Vida dos Adolescentes em São Tomé e Príncipe

Autores

  • Ned-Lindger Neto da Conceição Universidade de São Tomé e Príncipe, São Tomé e Príncipe
  • Manuel Alberto Morais Brás Instituto Politécnico de Bragança, Portugal
  • Eugénia Maria Garcia Jorge Anes Instituto Politécnico de Bragança, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47490

Palavras-chave:

Literacia Alimentar; Qualidade de Vida; Adolescentes; São Tomé e Príncipe; Desigualdades Territoriais

Resumo

Introdução: A Literacia da Alimentação e Nutrição (LAN) corresponde à capacidade de aceder, compreender, avaliar e utilizar informação nutricional para promover escolhas alimentares saudáveis. Em São Tomé e Príncipe (STP), os adolescentes enfrentam uma dupla carga de malnutrição, associada a um contexto de transição nutricional e desigualdades territoriais. A relação entre LAN e Qualidade de Vida (QV) permanece pouco estudada neste contexto.

Objetivos: Analisar a relação entre a LAN e a QV dos adolescentes em STP e explorar a influência de variáveis sociodemográficas.

Metodologia: Estudo quantitativo, transversal e descritivo-correlacional com 150 adolescentes dos 12 aos 18 anos, provenientes de escolas públicas de diferentes distritos. Aplicaram-se um questionário sociodemográfico, a Escala de Literacia da Alimentação e Nutrição (E-LAN; α=0,74) e o KIDSCREEN-27 para avaliação da qualidade de vida (α=0,67–0,81). Os dados foram analisados no SPSS v.28 através de correlação de Pearson, ANOVA e regressão linear múltipla. O estudo obteve aprovação ética da CESIC (n.º 005/2025).

Resultados: Os participantes apresentaram níveis moderados de LAN (M=53,4; DP=8,7) e perceções satisfatórias de QV (M=124,6; DP=18,2). Não se observou associação significativa entre LAN e QV global (r=0,083; p=0,310), nem efeito preditivo da LAN na regressão múltipla (β=0,115; p=0,281). O distrito de residência foi o único preditor significativo da QV (β=-0,205; p=0,011), verificando-se valores superiores de bem-estar entre adolescentes residentes em contexto urbano. Os adolescentes urbanos apresentaram igualmente níveis mais elevados de LAN (p=0,017). Não foram observadas diferenças significativas segundo idade, sexo ou escolaridade materna.

Conclusões: Os resultados sugerem que fatores territoriais exercem maior influência sobre a qualidade de vida dos adolescentes do que a literacia alimentar individual. A promoção da literacia alimentar deverá ser acompanhada por políticas intersetoriais orientadas para a redução das desigualdades territoriais e para a criação de ambientes alimentares mais equitativos.

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Neto da Conceição, N.-L., Morais Brás, M. A., & Garcia Jorge Anes, E. M. (2026). Literacia da Alimentação e Nutrição e Qualidade de Vida dos Adolescentes em São Tomé e Príncipe. RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia – RACS, 8(SupIII). https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47490