Ambiente de Prática de Enfermagem num Serviço de Urgência Polivalente numa Unidade Local de Saúde de Portugal: um estudo transversal
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47561Palavras-chave:
Ambiente de Prática, Enfermagem, Qualidade dos Cuidados, Serviço de Urgência Polivalente, Unidade Local de SaúdeResumo
Introdução: Os Serviços de Urgência Polivalente são contextos de elevada complexidade, exigência e imprevisibilidade, onde o Ambiente de Prática de Enfermagem assume um papel determinante na qualidade, segurança e eficiência dos cuidados prestados. A identificação das características do Ambiente de Prática de Enfermagem nestes contextos constitui um contributo relevante para a implementação de estratégias de melhoria organizacional e profissional (Amaral et al., 2013; Azevedo et al., 2020; Lake et al., 2019).
Objetivo: Avaliar a perceção dos Enfermeiros de um Serviço de Urgência Polivalente de uma Unidade Local de Saúde de Portugal sobre o Ambiente de Prática de Enfermagem.
Material e Métodos: Trata-se de um estudo de natureza quantitativa, descritivo correlacional. Foi aplicado um questionário aos Enfermeiros de um Serviço de Urgência Polivalente de uma Unidade Local de Saúde de Portugal com questões de caráter sociodemográfico e a escala “Ambiente da Prática do Índice de Trabalho em Enfermagem” (PES-NWI), validada para Portugal por Amaral (2014). O tratamento estatístico foi realizado no SPSS versão 29.0.
Resultados: Os participantes evidenciaram perceções globalmente desfavoráveis relativamente ao Ambiente de Prática de Enfermagem. As dimensões da PES-NWI com classificações menos favoráveis foram "Capacidade de Gestão, Liderança e Apoio aos Enfermeiros" e "Adequação de Recursos Humanos e Materiais", refletindo fragilidades ao nível da liderança, suporte organizacional e disponibilidade de recursos. Estes resultados sugerem a existência de constrangimentos com potencial impacto na qualidade dos cuidados, na segurança dos doentes e na satisfação dos profissionais.
Conclusões: As perceções negativas identificadas refletem fragilidades organizacionais que podem comprometer a segurança e a qualidade dos cuidados, corroborando a evidência científica que associa o Ambiente de Prática de Enfermagem aos resultados dos doentes, dos profissionais e das organizações. É premente implementar medidas de mudança cultural e investir na melhoria das condições de trabalho, promovendo ambientes de prática mais favoráveis e uma efetiva cultura de ambientes de trabalho salutares. O estudo identificou a necessidade de implementação de intervenções organizacionais e da posterior avaliação do seu impacto, permitindo iniciar um ciclo contínuo de melhoria orientado para a excelência e qualidade dos cuidados. Importa, ainda, dar continuidade à investigação através da inclusão de mais SUP e de outros contextos hospitalares, de forma a obter conclusões mais robustas a partir de amostras mais significativas e representativas.
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