Comunicação remota em enfermagem mediada por TIC: competências digitais, desafios e necessidades formativas em Portugal
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47565Palavras-chave:
TIC; Telessaúde; Enfermagem; Comunicação; Saúde digitalResumo
Introdução: A transformação digital em saúde tem vindo a alterar os modelos de comunicação entre enfermeiros e utentes, sobretudo através das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), telessaúde e contactos remotos. Estas soluções podem melhorar o acesso, a continuidade dos cuidados e o acompanhamento de utentes com doença crónica ou limitações de deslocação, mas colocam desafios relacionados com literacia digital, segurança, privacidade, qualidade relacional e humanização dos cuidados.
Objetivos: Mapear a evidência sobre a comunicação enfermeiro-utente mediada por TIC e compreender, no contexto português, que tecnologias são utilizadas, que dificuldades são sentidas pelos enfermeiros e que necessidades formativas emergem desta prática.
Metodologia: O estudo integrou dois momentos complementares. Inicialmente, realizou-se uma scoping review, com pesquisa em LILACS, PubMed, ScienceDirect e literatura cinzenta, tendo sido incluídos 10 estudos. Posteriormente, desenvolveu-se um estudo empírico de métodos mistos convergente, com inquérito online e entrevistas semiestruturadas. Participaram 194 enfermeiros no questionário e foram realizadas 24 entrevistas, com análise quantitativa e análise temática dos dados.
Resultados: A revisão evidenciou que as TIC podem favorecer o acompanhamento, a educação para a saúde, o apoio a cuidadores e a continuidade dos cuidados, desde que existam competências comunicacionais adaptadas ao meio digital. Contudo, foram identificadas barreiras técnicas, organizacionais, éticas e relacionais. No estudo empírico, verificou-se que a comunicação remota em enfermagem permanece limitada e fortemente assente em meios convencionais, como telefone fixo e telemóvel, sendo reduzida a utilização de videochamada e aplicações de telessaúde. As principais dificuldades relacionam-se com baixa literacia digital dos utentes, limitações de compreensão ou audição, problemas tecnológicos, omissão de informação e dificuldades na partilha de materiais terapêuticos. A maioria dos participantes reconheceu insuficiências na formação académica e manifestou disponibilidade para formação em comunicação digital.
Conclusões: A comunicação enfermeiro-utente mediada por TIC constitui um complemento relevante aos cuidados presenciais, mas continua subutilizada. A sua integração segura, ética e humanizada exige formação específica, protocolos institucionais, suporte técnico, proteção de dados e estratégias de adaptação comunicacional centradas no perfil do utente.
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