Impactos das alterações climáticas na saúde mental: desafios emergentes para a saúde pública
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47593Palavras-chave:
Alterações climáticas, Saúde mental, Ecoansiedade, Eventos climáticos extremosResumo
Introdução: As alterações climáticas têm originado temperaturas recorde e eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, constituindo uma ameaça crescente à saúde mental. Estes fenómenos afetam a saúde psicológica, aumentando a incerteza e a perceção de risco, potenciando ansiedade, stresse, depressão e perturbação de stresse pós-traumático (Stewart-Ruano et al., 2025). Os impactos são mais acentuados em grupos vulneráveis, como crianças, idosos, pessoas com doença mental pré-existente e populações socioeconomicamente desfavorecidas. Na União Europeia e no Reino Unido, cerca de 84 milhões de pessoas vivem com problemas de saúde mental (WHO, 2021).
Objetivo: Identificar e sintetizar os principais problemas de saúde mental associados às alterações climáticas, analisando mecanismos de impacto e grupos vulneráveis, com vista a informar estratégias de prevenção e intervenção em saúde pública.
Material e Métodos: Realizou-se uma scoping review nas bases de dados Scopus e Web of Science, complementada por relatórios da Agência Europeia do Ambiente. Utilizaram-se os termos de pesquisa “climate change”, “mental health” e “eco-anxiety”. Foram considerados estudos publicados entre 2020 e 2026, em língua inglesa, que abordassem a relação entre alterações climáticas e saúde mental. Após remoção de duplicados e aplicação dos critérios de elegibilidade, foram incluídos 15 estudos para análise.
Resultados: A evidência demonstra que as alterações climáticas estão associadas a problemas de saúde mental, incluindo perturbação de stresse pós-traumático, ansiedade e depressão, particularmente após eventos climáticos extremos. As temperaturas elevadas relacionam-se com o agravamento de perturbações mentais pré-existentes e com o aumento do risco de suicídio. Emergem formas específicas de sofrimento psicológico, como a ecoansiedade, particularmente acentuada em grupos vulneráveis, incluindo mulheres, populações socioeconomicamente desfavorecidas e indivíduos mais jovens, nomeadamente da Geração Z. Estes efeitos resultam de múltiplos mecanismos, como a exposição a eventos traumáticos, o stresse térmico e a perceção de ameaça ambiental.
Conclusão: As alterações climáticas representam um desafio crescente para a saúde pública, com impacto na saúde mental e no bem-estar psicossocial, podendo assumir uma dimensão global. Torna-se essencial o desenvolvimento de políticas públicas integradas que promovam a mitigação das alterações climáticas e reforcem a resiliência psicossocial das populações, com especial enfoque nos grupos mais vulneráveis.
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