Impacto das Intervenções de Saúde Digital na Qualidade de Vida de Sobreviventes de Cuidados Intensivos:
Revisão de Escopo
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47597Palavras-chave:
Saúde digital; Qualidade de vida; Sobreviventes de UCI; Cuidados intensivos; TelesaúdeResumo
Introdução: A sobrevivência após internamento em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) tem aumentado significativamente. Contudo, muitos sobreviventes apresentam limitações físicas, cognitivas e psicológicas persistentes, enquadradas no síndrome pós-cuidados intensivos (PICS), que comprometem a qualidade de vida relacionada com a saúde (Needham et al., 2012). As intervenções de saúde digital têm emergido como estratégia para apoiar a recuperação após a alta hospitalar.
Objetivos: Mapear a evidência científica sobre o impacto das intervenções de saúde digital na qualidade de vida de adultos sobreviventes de UCI após a alta hospitalar.
Material e Métodos: Revisão de escopo conduzida de acordo com as orientações metodológicas do Joanna Briggs Institute (Peters et al., 2020). A questão de investigação foi estruturada segundo a estratégia PCC: adultos sobreviventes de UCI (População), intervenções de saúde digital (Conceito) e período pós-alta hospitalar (Contexto). Foi realizada uma pesquisa nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science para estudos publicados entre 2010 e 2025. Foram incluídos estudos primários que avaliaram intervenções de saúde digital em sobreviventes de UCI e que reportaram a qualidade de vida como desfecho principal ou secundário. A seleção dos estudos e a extração dos dados foram realizadas por revisores independentes.
Resultados: Foram incluídos cinco estudos. As intervenções identificadas compreenderam telemedicina, aplicações móveis e realidade virtual. A qualidade de vida foi avaliada principalmente através dos instrumentos EQ-5D-5L e SF-36. Verificou-se elevada heterogeneidade relativamente às populações, intervenções e medidas de resultado. Nenhum estudo demonstrou melhorias estatisticamente significativas na qualidade de vida relacionada com a saúde. Contudo, intervenções com componentes psicológicas, nomeadamente realidade virtual e aplicações móveis de mindfulness, evidenciaram benefícios na redução de sintomas de ansiedade, depressão e stress pós-traumático. As intervenções de realidade virtual apresentaram ainda elevada aceitabilidade e satisfação por parte dos participantes.
Conclusões: A evidência sobre o impacto das intervenções de saúde digital na qualidade de vida de sobreviventes de UCI é limitada. Embora algumas intervenções demonstrem potencial para melhorar sintomas psicológicos associados ao PICS, estes benefícios não se refletiram em melhorias significativas da qualidade de vida. São necessários estudos mais robustos para avaliar a efetividade destas intervenções após a doença crítica.
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