Envelhecimento Ocupacional e Qualidade de Vida: Um Estudo Transversal em Bombeiros Florestais Portugueses
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47849Palavras-chave:
Envelhecimento; Qualidade de vida; Saúde Ocupacional; Bombeiros; SF-36Resumo
Introdução: O envelhecimento da força de trabalho representa um desafio crescente nas profissões de elevada exigência física, nomeadamente no combate a incêndios florestais. A Qualidade de Vida Relacionada com a Saúde constitui um indicador multidimensional particularmente relevante nestes contextos, por permitir avaliar simultaneamente as dimensões física e mental da saúde percecionada.
Objetivos: Examinar a associação entre a idade e a Qualidade de Vida Relacionada com a Saúde em bombeiros florestais do norte de Portugal.
Metodologia: Estudo transversal realizado entre 2022 e 2023, com 181 bombeiros florestais (idade média 38,4 ± 10,5 anos; 73,5% do sexo masculino) de cinco corpos de bombeiros do distrito de Bragança. A Qualidade de Vida Relacionada com a Saúde foi avaliada através da versão portuguesa do SF-36, com oito domínios e duas pontuações compósitas, Componente Física e Componente Mental. Recorreu-se à correlação de Spearman para analisar a associação entre a idade e cada domínio, e ao teste de Kruskal–Wallis com comparações post-hoc de Bonferroni para comparar grupos etários.
Resultados: Os participantes apresentaram níveis globalmente elevados de Qualidade de Vida Relacionada com a Saúde. A idade correlacionou-se negativamente com a Função Física (r = −0,163; p = 0,029) e a Componente Fisica (r = −0,160; p = 0,031), e positivamente com a Vitalidade (r = 0,172; p = 0,021) e a Componente Mental (r = 0,175; p = 0,018). O teste de Kruskal–Wallis revelou diferenças significativas na Função Física entre grupos etários (H = 10,50; p = 0,033), com o post-hoc a identificar uma diferença significativa entre os grupos 20–29 e 60–69 anos (p = 0,025).
Conclusões: A idade associa-se a um padrão divergente na Qualidade de Vida Relacionada com a Saúde dos bombeiros florestais — declínio físico em paralelo com a preservação ou melhoria do bem-estar mental. Estes resultados desafiam visões simplistas do envelhecimento ocupacional e sustentam o desenvolvimento de estratégias de saúde diferenciadas por idade no setor.
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