A saúde mental em estudantes do ensino superior
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47885Palavras-chave:
Saúde mental, Autoestima, Solidão, Depressão, Ensino SuperiorResumo
A saúde mental dos estudantes universitários tem assumido crescente relevância científica e social, particularmente no contexto pós-pandemia, marcado por um aumento significativo de sintomas de ansiedade e depressão. A transição para o ensino superior envolve exigências académicas, sociais e pessoais que podem comprometer o ajustamento psicológico dos estudantes, tornando particularmente relevante a análise de fatores individuais e relacionais associados à sua saúde mental. O presente estudo teve como objetivos caracterizar os níveis de saúde mental dos estudantes do Instituto Piaget, analisar a associação entre a autoestima e a solidão, examinar diferenças nos indicadores de saúde mental em função do ano curricular e da área de formação e avaliar o contributo da autoestima e da solidão para os níveis de ansiedade, depressão e stress. Para tal participaram 267 estudantes da rede nacional de IES do Instituto Piaget. Os participantes apresentaram uma média de idades de 23.4 anos (DP=9.96), sendo maioritariamente do sexo feminino (56.9%) e pertencentes às áreas de Ciências Sociais e Humanas. Adotou-se uma metodologia quantitativa de natureza correlacional, utilizando instrumentos psicométricos validados para a amostra em causa: a Rosenberg Self-Esteem Scale (RSES), a Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS-21) e a UCLA Loneliness Scale. Os resultados indicaram uma correlação negativa forte entre autoestima e solidão (ρ = -.57; p < .001), sugerindo que níveis mais elevados de autoestima estão associados a menores níveis de solidão.
Não foram observadas diferenças significativas nos indicadores de saúde mental em função do ano curricular. No entanto, estudantes das áreas de Ciências Sociais e Humanas apresentaram níveis de stress significativamente superiores. A análise preditiva indicou a autoestima como principal fator protetor, associada à redução de ansiedade, depressão e stress. Por outro lado, a solidão emergiu como fator de risco relevante para a depressão. Verificou-se ainda que 19.5% dos participantes apresentaram níveis severos de ansiedade e 17.6% níveis severos de depressão.
Em suma, os resultados evidenciam a necessidade de implementar programas institucionais focados na promoção da autoestima e redução da solidão, como estratégias fundamentais de intervenção na saúde mental em contexto universitário.
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