Inteligência Artificial na educação em fisioterapia: conhecimento, utilização e perceções de estudantes e docentes no ensino superior europeu
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47907Palavras-chave:
Inteligência Artificial; Educação; Profissões de Saúde; Fisioterapia; Ensino SuperiorResumo
Introdução: A Inteligência Artificial (IA) emergiu rapidamente como uma tecnologia transformadora, com potenciais implicações para a educação, a investigação e a prática clínica em saúde. Apesar da sua crescente relevância, existe evidência empírica limitada sobre a forma como estudantes e docentes das profissões de saúde compreendem, utilizam e percecionam a IA (Shishehgar et al., 2025; Tortella et al., 2025).
Objetivos: Explorar o conhecimento, os padrões de utilização e as atitudes face à IA entre estudantes e docentes de Fisioterapia, bem como as oportunidades, preocupações e necessidades formativas percecionadas relativamente à integração da IA na educação e investigação em Fisioterapia.
Material e Métodos: Estudo descritivo transversal, recorrendo a dois questionários estruturados online dirigidos a estudantes e docentes de Fisioterapia de instituições de ensino superior participantes na European Network of Physiotherapy in Higher Education (ENPHE). Os questionários foram distribuídos através das instituições membros da ENPHE entre 2024 e 2025. As respostas foram medidas sobretudo através de itens em escala de Likert e indicadores descritivos.
Resultados: Participaram 367 estudantes e 138 docentes. Entre os estudantes, 52,0% referiram familiaridade com conceitos básicos de IA e 54,8% reconheceram os seus potenciais benefícios para a aprendizagem e a futura prática clínica; contudo, apenas 43,1% indicaram consciência dos desafios éticos associados. Os estudantes utilizavam a IA sobretudo para apoio à produtividade, comunicação e aprendizagem. Os docentes demonstraram maior familiaridade (73,9% com conhecimento de conceitos fundamentais), usando-a principalmente em tarefas de produtividade pessoal, enquanto a integração no ensino e na investigação permaneceu mais limitada. Ambos os grupos manifestaram atitudes positivas, mas destacaram preocupações éticas, de proteção de dados e de impacto no pensamento crítico, sublinhando a necessidade de orientação institucional, formação e políticas claras.
Conclusões: Verifica-se uma crescente consciencialização e perceções positivas face à IA, a par de lacunas no conhecimento e na aplicação prática. Embora já utilizada para apoiar a produtividade e a aprendizagem, a sua integração sistemática no ensino e na investigação continua limitada. As instituições devem desenvolver formação dirigida, diretrizes éticas e adaptações curriculares que promovam o uso responsável da IA e reforcem a literacia em IA (Ali et al., 2026).
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