CapacitaVoz: implementação e avaliação preliminar de um programa multidimensional de promoção da saúde vocal em docentes do ensino superior
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.48067Palavras-chave:
promoção da saúde vocal, docentes do ensino superior, terapia da fala, saúde ocupacionalResumo
Introdução: A utilização intensiva da voz pelos docentes do ensino superior constitui um importante fator de risco para o desenvolvimento de alterações vocais, com impacto na comunicação, no desempenho pedagógico, na saúde ocupacional e no bem-estar. A evidência científica demonstra que programas estruturados de promoção da saúde vocal favorecem a adoção de comportamentos preventivos, promovem a literacia em saúde e melhoram a função vocal (Vermeulen et al., 2022; Ramos et al., 2025). Neste contexto, a Terapia da Fala assume um papel crescente na conceção de modelos de promoção da saúde orientados para a capacitação dos profissionais da voz.
Objetivos: Descrever o desenvolvimento, a implementação e a avaliação preliminar do CapacitaVoz enquanto modelo multidimensional de promoção da saúde e capacitação vocal dirigido a docentes do ensino superior.
Material e Métodos: O CapacitaVoz foi desenvolvido no âmbito do projeto comunitário Voz Saudável como um programa estruturado de promoção da saúde vocal, integrando componentes educativas, treino vocal, estratégias de autocuidado e metodologias participativas. A avaliação preliminar foi realizada através de um estudo piloto observacional, longitudinal e prospetivo, com componente quase-experimental pré e pós-intervenção, sem grupo de controlo. Participaram quatro docentes do ensino superior. A avaliação integrou três dimensões: vocal (medidas acústicas, aerodinâmicas e áudio-percetivas), psicossocial (fatores associados ao uso vocal e perceção dos participantes) e pedagógica (literacia em saúde vocal, aquisição de conhecimentos e satisfação). Os dados foram analisados através de estatística descritiva e inferencial (p<0,05).
Resultados: A avaliação multidimensional evidenciou resultados favoráveis. Na dimensão vocal observaram-se melhorias estatisticamente significativas em indicadores objetivos de estabilidade vocal (jitter e shimmer; p<0,05), acompanhadas por melhorias na avaliação áudio-percetiva. Na dimensão psicossocial verificou-se maior consciencialização dos fatores de risco e das estratégias de proteção vocal. Na dimensão pedagógica registaram-se elevados níveis de literacia em saúde vocal, satisfação e reconhecimento da aplicabilidade dos conteúdos à prática profissional. A triangulação entre medidas objetivas, avaliações áudio-percetivas, instrumentos de autorrelato e indicadores pedagógicos permitiu uma avaliação abrangente e consistente do programa.
Conclusões: A avaliação preliminar sugere que o CapacitaVoz constitui um modelo de promoção da saúde vocal exequível e promissor para docentes do ensino superior. Requer confirmação em estudos futuros.
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