Promoção da autoimagem na pessoa em programa de hemodiálise:
contributos da evidência para a intervenção de enfermagem
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.48092Palavras-chave:
Hemodiálise; Imagem Corporal; Cuidados de Enfermagem; Adaptação psicossocialResumo
Introdução: A doença renal crónica (DRC) e a hemodiálise associam-se frequentemente a alterações da autoimagem, com repercussões na autoestima, adaptação à doença, participação social e qualidade de vida (Lev-Wiesel et al., 2022). Embora diversas intervenções psicoterapêuticas demonstrem benefícios nestes domínios (Zahra et al., 2023), a sua implementação não integra, na maioria dos casos, o âmbito autónomo da enfermagem. Torna-se pertinente identificar contributos da evidência científica para a prática de enfermagem.
Objetivos: Identificar, com base na evidência científica, estratégias potencialmente transferíveis para a prática de enfermagem na promoção da autoimagem da pessoa com DRC em programa de hemodiálise.
Material e Métodos: O presente resumo apresenta resultados preliminares de uma revisão integrativa da literatura, que sustentou a construção de uma sessão de sensibilização para a equipa de enfermagem. A pesquisa foi realizada nas bases de dados CINAHL Complete, MEDLINE, PubMed e Scopus, utilizando descritores MeSH, CINAHL Headings e palavras-chave sobre DRC, hemodiálise, imagem corporal e cuidados de enfermagem. Foram considerados estudos publicados entre janeiro de 2020 e maio de 2026, envolvendo adultos e idosos em programa regular de hemodiálise. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, foram incluídos cinco estudos, submetidos a análise temática e síntese narrativa.
Resultados: Os cinco estudos incluídos analisaram Logoterapia, Terapia de Aceitação e Compromisso, Terapia Metacognitiva, Intervenções Espirituais e uma revisão sistemática de psicoterapias. Da síntese da evidência emergiram contributos potencialmente transferíveis para a prática de enfermagem, organizados nas dimensões emocional (comunicação terapêutica, escuta ativa, validação emocional e promoção da esperança), cognitiva (apoio à adaptação e reforço das capacidades preservadas), relacional/social (promoção da participação social e referenciação) e espiritual (exploração de fontes de significado, esperança e valores pessoais).
Conclusões: Os resultados preliminares sugerem que a promoção da autoimagem requer uma abordagem multidimensional, integrando as dimensões emocional, cognitiva, social e espiritual (Lev-Wiesel et al., 2022; Zahra et al., 2023). Embora especializadas, estas intervenções fornecem princípios terapêuticos aplicáveis a cuidados de enfermagem centrados na pessoa. A comunicação terapêutica, a escuta ativa, a validação emocional, a promoção da esperança, o apoio à adaptação, a identificação precoce do sofrimento emocional e a referenciação constituem estratégias compatíveis com o âmbito autónomo da enfermagem.
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