A intervenção de Enfermagem de Reabilitação na pessoa submetida a implantação de dispositivos cardíacos
DOI:
https://doi.org/10.33194/rper.2026.35652Palavras-chave:
Reabilitação Cardíaca, Enfermagem em Reabilitação, Elétrodos Implantados, PacemakerResumo
Introdução: A implantação de dispositivos cardíacos permite o aumento da sobrevida na pessoa com doença cardíaca, mas interfere na capacidade de autocuidado, muitas vezes pela falta de conhecimentos sobre as necessidades de adaptação. Os programas de reabilitação cardíaca têm como uma das suas componentes core a educação para a saúde. Neste sentido, torna-se fundamental um programa de reabilitação, cuja componente educacional se foque na melhoria da capacidade funcional com promoção da independência no autocuidado. Surgiu, assim, a necessidade de avaliar a eficácia de um programa educacional na obtenção de ganhos em conhecimento resultantes de responsabilidade da enfermagem de reabilitação em utentes submetidos a implantação de dispositivos cardíacos.
Metodologia: Estudo exploratório que compara os conhecimentos sobre a adequada gestão terapêutica da população submetida a implantação de dispositivos cardíacos, antes e após.
Resultados: Foram incluídos 18 utentes, maioritariamente do sexo masculino (61%) e que apresentavam uma média de idade 73,17±9,02; 61% em regime de ambulatório e os demais em internamento (39%). Após o programa educacional houve um ganho de 30% do nível de conhecimento das pessoas.
Discussão: Uma intervenção de enfermagem de reabilitação na componente educacional, estruturada e individualizada, deveria ser parte do cuidado das pessoas com necessidade de implantação destes dispositivos, com ganho em conhecimento e com aparente melhoria da capacidade de autocuidado terapêutico. Contudo, os regimes de intervenção ambulatória encetam desafios importantes para a resposta dos enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação, pelo diminuto contacto presencial e continuidade de cuidados, abrindo a possibilidade para a implementação de uma metodologia de cuidados de telessaúde.
Conclusão: A reabilitação é crucial para a recuperação das pessoas com dispositivos cardíacos, dado que conduz a ganhos de conhecimento com possibilidade de impacto na capacidade de autocuidado, devendo ser disseminada noutros contextos.
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