Uma leitura de género sobre mobilidades e acessibilidades em meio rural

Cristiana Carvalho, Catarina Sales Oliveira

Abstract


Na contemporaneidade persistem fortes assimetrias na relação com o território (Carmo, 2014) sendo que em Portugal a zona interior é palco há várias décadas de um processo de despovoamento e perda de serviços (Fermisson, 2000). Por outro lado, a relação entre género e mobilidade apresenta especificidades dignas de nota visto que as mulheres têm necessidades e usos diferenciados de mobilidade e transporte e enfrentam obstáculos específicos (Hanson, 2013; Sales Oliveira, 2014). Neste sentido considerou-se relevante abordar a questão da mobilidade e acessibilidade rural de uma perspetiva de género no contexto português.

De molde a efetuar uma primeira abordagem exploratória ao tema, a investigação decorreu sobre a forma de estudo de caso, com recurso às técnicas de inquérito por questionário e de mobility mapping de uma aldeia da Beira Interior.

Encontrou-se uma composição social com maior diversidade do que o esperado mas ainda assim com uma forte presença de pessoas idosas e de baixas habilitações. A posse de carta de condução e de veículo automóvel particular é um recurso díspar e central na construção de uma assimetria de padrões e perfis de mobilidade.

Contudo, ao contrário do que seria de esperar, as mulheres não revelam menor mobilidade que os homens, pois apesar de serem mais elas quem não possui carta de condução ou veículo próprio/particular, são também quem mais frequentemente recorre a formas de mobilidades alternativas, nas quais as redes de contactos representam um importante fator.

Nowadays there are still strong asymmetries in the relationship with territory (Carmo, 2014), and in Portugal the inner country has been for several decades the scene of depopulation and loss of services phenomena (Fermisson, 2000). At the same time, the relationship between gender and mobility has specific characteristics since women have different needs and uses of mobility and transportation and face specific obstacles (Hanson, 2013; Sales Oliveira, 2014). This article discusses both these questions and tries to address the issue of rural mobility and accessibility from a gender perspective in the Portuguese context. In order to develop an exploratory approach the methodological option was a case study, using the techniques of survey and mobility mapping, of a village in Beira Interior. We found a social composition with greater diversity than expected but still with a strong presence of elderly people and low qualifications. Ownership of a driving license and a private vehicle is an unequal resource and a central element for the asymmetry of mobility patterns and profiles. However, contrary to what could be expected, we cannot say that women experience less mobility than men, since although they are the ones who do not have a driving license or a private vehicle, they are also the ones who most often use other mobility resources in which their social networks represent an important factor.


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