Rousseau, a compaixão e as crises da modernidade
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1998146.06Palavras-chave:
Rousseau, compaixão, humanidade universal, justiça política, realismo iluministaResumo
Primeiro grande crítico moderno da modernidade, Rousseau estabeleceu novos patamares de autodescontentamento e abriu caminho a novas esperanças de regeneração social. Foi particularmente crítico em relação ao antigo realismo iluminista, com a sua fé imatura no poder redentor do «interesse próprio esclarecido». Sem rejeitar o realismo enquanto princípio, Rousseau considerava, no entanto, que o realismo genuíno deveria apoiar-se menos na razão (logo no interesse próprio racional) e mais no sentimento não intermediado pela racionalização. Enquanto primeiro grande defensor da compaixão entre os pensadores seculares do Ocidente, promoveu-a, justamente, como sendo a base mais realista da moralidade. Não deixou, contudo, de revelar uma profunda consciência dos limites da compaixão e da tensão existente entre, por um lado, a humanidade universal e, por outro, a justiça política.

