Perspectivas de justiça social
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1998146.07Palavras-chave:
justiça social, democracias liberais contemporâneas, globalização, multiculturalismoResumo
Será que a ideia de justiça liberal ainda é politicamente relevante nas democracias liberais contemporâneas? Se analisarmos as circunstâncias em que o conceito ganhou forma, verificaremos que foram os liberais, os católicos progressistas e outros quem primeiro o usou, em finais do século XIX e princípios do século XX, com o objectivo de fornecer uma base ética que permitisse avaliar as instituições económicas e sociais existentes. Corporizou uma concepção de sociedade amplamente orgânica: em especial (a) no facto de a justiça social dever ser posta em prática no seio de uma comunidade política bem definida; (b) de instituições como a propriedade privada terem consequências determinadas e verificáveis; (c) de o Estado ser capaz de reformar e regular essas instituições; (d) de ser possível, com esse objectivo, alcançar um consenso político acerca de princípios de justiça social. Estas asserções enfrentam o desafio de desenvolvimentos recentes, em especial a globalização e o multiculturalismo, que parecem transportar-nos para lá das circunstâncias da justiça social. Argumenta-se, contra isto, com o facto de o Estado continuar a ter um papel central, sobretudo ao criar as condições que permitem às nações competir com êxito nos mercados globais, e com o facto de as diferenças culturais não precisarem de culminar em desentendimento sobre os princípios de justiça social. A busca de justiça social depende agora da capacidade para desenvolver formas mais fortes de cidadania que compensem os efeitos de fragmentação da globalização e do multiculturalismo.

