As consequências económicas do império: Portugal (1415-1822)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1998146.12Palavras-chave:
império português, consequências económicas, custos de conservação do império, estrutura dos gastos da coroa, comércio colonialResumo
Este estudo começa por advogar as vantagens e destaca depois as particularidades do império português: a sua precocidade e o facto de ter desenvolvido diferentes modos de organização que funcionavam em diversos contextos geográficos e que foram em parte concorrentes e em parte consecutivos. Examinam-se, em seguida, as principais consequências económicas do império. Mostra-se como o império favoreceu a integração económica (sem ter elevado significativamente a produtividade), como promoveu a construção do Estado, as migrações e a concentração da população em Lisboa. Revela também o limitado impacto que teve na agricultura e na indústria, embora na fase derradeira do império atlântico português as exportações para o Brasil de produtos da indústria nacional fossem certamente significativas. No entanto, nunca foram tão importantes como a função de entreposto que Portugal desempenhava entre o Brasil e os outros países europeus. Esta foi uma das razões por que o império se revelou sempre muito limitado como motor do crescimento económico, sendo outras os próprios custos da conservação do império e a estrutura dos gastos da coroa. Além disso, uma boa parte dos ingressos gerados pelo comércio colonial foi absorvida por estrangeiros (que forneciam capitais, competencias técnicas e recursos). Na verdade, é essa a conclusão: o facto de um pequeno país, com meios escassos, ter construído um império que abarcava o mundo talvez possa apenas explicar-se pela sua capacidade para mobilizar a energia de outros.

