Elites agrárias e crescimento económico na periferia portuguesa do século XIX: o exemplo do Alentejo na era liberal (1850-1910)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1998146.14Palavras-chave:
elite económica regional, liberalismo, Alentejo, economia regionalResumo
Afastando-se da visão de um Alentejo marcado por um multissecular e inexorável percurso de atraso e empobrecimento relativo no contexto nacional, o artigo discute o papel desempenhado pela elite económica regional durante o liberalismo. Apoiado numa prosopografia centrada nos membros da elite regional da segunda metade do século XIX, o autor analisa as estratégias de investimento adoptadas, as bases do financiamento e alguns aspectos da organização e orientação empresarial. Deste ponto vista, não é dada como provada a visão clássica que, com base na conduta económica e social, classificava estes actores sociais como uma «elite tradicional». Pelo contrário, atendendo à forma diferenciada como participaram nos velhos e novos negócios que deram expressão ao relativo progresso «material» da região naquele período, é sustentado que a elite económica que então emergiu no Alentejo foi, ao lado de outros agentes nacionais e estrangeiros, uma protagonista relevante do sentido moderno que o conjunto da economia regional então tomou. Além disso, a análise centrada no investimento fundiário e na exploração da terra, uma opção de longo prazo indiscutível, não enfraquece necessariamente aquela perspectiva e só uma apreciação superficial pode associar este empenho à persistência de um influxo aristocrático, uma «tara» frequentemente atribuída à burguesia nacional.

