Três culturas
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1998146.16Palavras-chave:
valores éticos e profissionais da profissão, prestígio e imagem do médico, crise universal da medicina, nova cultura empresarial, novos paradigmas de actividade clínicaResumo
Assiste-se presentemente a uma crise universal da medicina, pondo em causa o prestígio e a imagem do médico e questionando os valores éticos e profissionais da profissão. O autor defende que na raiz de tal crise, que tem uma expressão nacional particular, se encontra um profundo conflito entre a cultura profissional tradicional, baseada, por um lado, nos valores hipocráticos tradicionais e, por outro, no corporativismo de raiz medieval, uma nova cultura empresarial, que cria conflitos de interesses até agora ignorados, e uma cultura política cada vez mais interveniente não só em matérias de gestão, mas ainda na definição de regras de comportamento ético e disciplinar. O aparecimento de novos paradigmas de actividade clínica e as consequências da interacção destas três culturas obrigam os médicos a procurar novas soluções que as harmonizem de forma a não se diluírem os valores éticos fundamentais da medicina e ao mesmo tempo assegurem um continuado progresso científico e técnico e uma intervenção sócio-política mais esclarecida. Só assim poderá superar-se uma crise de identidade, que não deve ser considerada simplesmente resultado de uma infundada perseguição a um grupo profissional de impecável tradição.

