Elites locais e mobilidade social em Portugal nos finais do Antigo Regime
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1997141.03Palavras-chave:
oligarquias municipais, elites locais, mobilidade socialResumo
A análise das oligarquias municipais, progressivamente cristalizadas no trânsito do século XVI para o século XVII, tem constituído um dos temas dominantes da recente historiografia portuguesa. A cronologia desse processo coincidiria, assim, com análogas tendências detectáveis em outras categorias sociais, como a primeira nobreza do reino ou o alto clero. Tal perspectiva corroboraria, de resto, algumas observações feitas, desde há muito, pela investigação genealógica, de acordo com as quais a mobilidade social se revelaria em Portugal muito mais acentuada nos finais da Idade Média e no século XVI, o período áureo da expansão colonial, do que nos dois séculos ulteriores. Neste texto questiona-se, no entanto, essa leitura. Em primeiro lugar, porque as elites camarárias, ao invés de configurarem uma categoria social uniforme, revestiam uma enorme diversidade quanto ao seu rendimento e estatuto nobiliárquico, hierarquizando-se claramente no espaço. De igual modo, os níveis de cristalização e encerramento eram variáveis. Para mais, mesmo nas câmaras mais ricas e selectas existiam algumas vias de ingresso que parecem contrariar tal imagem. Finalmente, a ideia de um investimento preferencial de todas as elites locais nas administrações camarárias ignora o lugar relativamente subalterno do estatuto que as mesmas conferiam a quem nelas participava. As mais importantes casas da província, bem como os indivíduos particularmente bem sucedidos, podiam visar mais alto: servir a monarquia, chegar a Lisboa e ingressar nos círculos da corte.

