A crise económica e as transições para a democracia: Espanha e Portugal em perspectiva comparada
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1997141.04Palavras-chave:
crise económica internacional, processos democratizadores, Portugal, Espanha, 1973Resumo
O objectivo deste artigo é estudar a incidência ou repercussão que a crise económica internacional desencadeada em 1973 possa ter tido nos processos democratizadores acontecidos tanto em Portugal como em Espanha em meados dessa década. Não se trata de analisar a reciprocidade das relações entre ambas as mudanças de regime e as respectivas situações económicas, mas de ver se a crise económica interveio ou não como factor causal no acontecimento daquelas e, se o fez, através de que mecanismos, processos e agentes. A crise económica, de algum modo desdenhada pela literatura, foi mais estudada a partir de aproximações estritamente económicas ou entendida como um lastro para ambas as transições, como um elemento desestabilizador de uma jovem democracia, vulnerável pela sua curta existência e pelos problemas que arrastava: para além da própria recessão, concretamente, no caso espanhol, a violência terrorista e a apatia e o «cinismo político» dos seus cidadãos; no caso português, os autores enfatizam o agravamento da situação económica como resultado das políticas revolucionárias aplicadas do 3.° ao 5.° governos provisórios. Mas a crise económica internacional de 1973 apenas foi analisada como um possível elemento que forçou ou facilitou as democratizações peninsulares.

