As Forças Armadas portuguesas como elemento de um «Estado de Ordens» – sua situação em regime de sufrágio universal
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1997141.05Palavras-chave:
modelo do «Estado de Ordens», Forças Armadas, regime político democrático-liberal, sufrágio universal, opinião pública portuguesaResumo
O presente texto apresenta uma aplicação do modelo do «Estado de Ordens» à sociedade política portuguesa actual, centrado nas Forças Armadas. Este modelo estabelece que o poder político é partilhado entre os herdeiros funcionais das três ordens do Antigo Regime - Administração Pública/povo; Forças Armadas/nobreza; Igreja Católica/clero. A aplicação centrar-se-á no relacionamento deste modelo com um regime político democrático-liberal, assente no sufrágio universal. O projecto de investigação agora apresentado visa, em segundo lugar, testar a percepção que a opinião pública tem deste modelo, que já foi submetido a idêntica prova por uma sondagem de opinião, com amostra probabilística, efectuada em 1985. Para concretizar este objectivo será efectuada uma sondagem à opinião pública portuguesa com base numa amostra probabilística. Será constituído um painel, baseado também em amostra probabilística, ao qual serão feitas três consultas. As consultas serão feitas com intervalos semestrais. Este modelo teórico incorporará variáveis adicionais ao modelo testado em 1985. Do ponto de vista global, a principal será o efeito do sufrágio universal. Do ponto de vista endógeno às Forças Armadas, as novas variáveis serão, essencialmente: alteração das condições de prestação do serviço militar, integração de mulheres nos quadros militares, novas missões. O projecto procura, em terceiro e último lugar, ancorar a problemática de ameaças à segurança vs. capacidade de resposta num modelo teórico de legitimidade e autoridade, referido «Estado de Ordens» acima sumariado, e verificar a pertinente percepção pela opinião pública.

