A evolução do sistema partidário português à luz de mudanças económicas e políticas (1976-1991)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1996139.02Palavras-chave:
evolução do sistema de partidos, desenvolvimentos políticos e económicos, influência sobre o voto, governos de coligação, governos de maioriaResumo
Neste artigo a evolução do sistema de partidos é analisada à luz de desenvolvimentos políticos e económicos. Pretende-se apenas demonstrar quais os factores explicativos da mudança no sistema de partidos, analisando de que maneira mudanças políticas e percepções de mudanças económicas influenciaram o voto e como desenvolvimentos políticos e económicos se influenciam mutuamente, contribuindo, assim, para as mudanças no sistema de partidos. A estabilidade governativa depende da evolução da situação económica do país. Os governos de coligação têm tido mais dificuldade em formular políticas coerentes, devido não só às dificuldades de coordenação de políticas entre parceiros de coligação, como também à instabilidade económica que se viveu até 1985. Governos de maioria de um só partido tiveram mais facilidade em formular políticas não só devido à simplifícação do processo de tomada de decisão, como também à melhoria da situação económica. A adesão de Portugal à UE, coincidindo com um período de prosperidade, serviu para reforçar a estabilidade do sistema. A análise dos ciclos político-económicos numa economia pequena e aberta levou à descoberta de que as políticas distributivas em Portugal adquirem uma importância maior, especialmente antes das eleições, dada a falta de bases sociais dos partidos. No entanto, nem sempre houve booms pré-eleitorais, nomeadamente em 1979, 1983 e 1995. Os governos incumbentes tinham assumido um compromisso externo, isto é, os empréstimos ao FMI (1979, 1983) e os critérios de Maastricht (1995), impedindo políticas de expansão antes das eleições, independentemente do tipo de governo (coligação ou maioria).

