A organização da indústria automóvel na península de Setúbal
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1996139.03Palavras-chave:
fábricas Renault e AutoEuropa, processo de globalização, novos sistemas produtivos, hibridação dos modelos organizacionais, relações industriaisResumo
Este artigo analisa as fábricas Renault e AutoEuropa (Ford-VW) em Setúbal, salientando o processo de globalização em que se inserem. Estudam-se sucessivamente vários aspectos: as relações com as empresas fornecedoras de componentes, os modelos tecnológicos e de organização produtiva, as políticas de gestão de recursos humanos, os diferentes padrões de relações industriais, as culturas organizacionais. A crise dos modelos tradicionais (taylorismo e fordismo) conduz as empresas a ensaiarem novos sistemas produtivos, baseados na participação e implicação dos trabalhadores. A Renault aproxima-se mais de um fordismo em mutação e a AutoEuropa de um modelo toyotista (lean production), mais moderno e implantado de raiz (greenfield site). Verifica-se também uma hibridação dos modelos organizacionais, que resulta da adaptação das empresas às culturas nacionais e locais e da especificidade do contexto sócio-económico. Os modelos técnicos e organizacionais são criados e recriados, ao defrontarem-se com diferentes tradições políticas e culturais. As relações industriais inserem-se no sistema institucional, salientando-se as dimensões societais, que devem ser privilegiadas nos estudos comparativos internacionais dos sistemas de trabalho.

