Irrupção, mudança e realinhamento do sistema de partidos em Espanha (1977-1993)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1996135.02Palavras-chave:
configuração do sistema de partidos, Espanha, 1977-1993, pluralismo limitado e moderado, sistema de partido predominanteResumo
A configuração do sistema de partidos em Espanha passou ao longo da transição e consolidação democrática por várias etapas: uma primeira, de pluralismo limitado e moderado (que coincide com as duas primeiras eleições gerais de 1977 e 1979 e com o governo da UCD); uma segunda, de sistema de partido predominante (depois do triunfo do PSOE em 1982 e com a revalidação da sua maioria absoluta nas eleições de 1986 e 1989); uma terceira, de regresso ao pluralismo limitado e moderado (depois de o PSOE perder a maioria absoluta em 1993 e a direita se apresentar como partido sólido e alternativa real de governo). Na primeira fase, o facto mais saliente foi o consenso entre forças políticas e agentes sociais, que possibilitou o enfrentar da crise económica, pactuar as reformas estruturais e acordar o quadro político-jurídico da Constituição. O sistema de partidos apresentou-se limitado quanto ao seu número e moderado nas posições ideológicas reais. Na segunda fase, a hegemonia socialista, que tirou partido da crise de identidade, de liderança e de organização da direita, enfrentou a crise económica e levou a Espanha à integração na CEE e na NATO. A descoberta de casos de corrupção e o esgotamento do projecto político, por um lado, e a refundação do PP, a consolidação da sua nova direcção e o centramento do seu discurso político, por outro, levaram à perda da maioria absoluta do PSOE e à previsível vitória dos populares em 1996.

