A revolta de Torres Novas – 1844
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1996135.03Palavras-chave:
cabralismo, revolta de Torres Novas, preparação da revolta, situação política da insurreição, rescaldo da revoltaResumo
Em Fevereiro de 1844 o ministério cabralista completava dois anos de vida. Tratava-se de um recorde absoluto: desde o advento do regime liberal, uma década atrás, somente o governo Bonfim (de que Costa Cabral também fizera parte) durara mais de doze meses. Mas a promessa de estabilidade e progresso que o cabralismo desde o início arvorou veio acompanhada de um rigor político pouco usual, onde só cabiam os fiéis. Isto equivalia, para a maioria dos políticos, a uma «travessia do deserto» de duração imprevisível, habituados como estavam até aí a constantes arranjos com o governo do momento, o que lhes permitia influenciar o poder ou nele participar. A oposição formada por estes sectores de matizes diversos, coligada contra a situação, decidiu agir. A revolta de Torres Novas de 4 de Fevereiro de 1844 é uma das manifestações dessa acção por parte de alguns destacados elementos dos sectores referidos. Seguiremos inicialmente os passos dos conjurados na preparação da revolta e, paralelamente, avaliaremos o conhecimento que o governo tinha destes movimentos. Analisaremos depois o pano de fundo político em que germinou a insurreição, o comportamento dos regimentos militares em presença e a caminhada das forças rebeldes até Almeida, o último reduto da sua prolongada resistência ao cerco dos militares governamentais. Finalmente, ocupar-nos-emos do rescaldo do levantamento (por alguns votado de antemão ao desastre) e das razões do seu fracasso.

