Uma análise do impacto das políticas europeias na colaboração internacional em investigação científica em Portugal e no Reino Unido
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1996135.08Palavras-chave:
investigação científica, medidas institucionais da União Europeia, Portugal e Reino Unido, colaboração internacional, políticas europeias, comunidade científica europeiaResumo
Vários estudos bibliométricos têm recentemente salientado o aumento das colaborações internacionais em investigação científica. Diversos factores têm sido identificados como contribuindo para este aumento e entre estes estão medidas institucionais especificamente definidas com este intuito. Este é o caso, em particular, dos programas-quadro de investigação e desenvolvimento tecnológico da União Europeia, que requerem que cada proposta seja apresentada conjuntamente por investigadores de, pelo menos, dois Estados membros. Com este quadro institucional, desenvolveu-se um estudo bibliométrico da produção científica de ambos os países nos períodos de 1981 a 1991 (Reino Unido) e de 1980 a 1993 (Portugal), analisando possíveis alterações nas práticas de colaboração devido à implementação dos programas europeus. Os resultados mostram que, enquanto tal impacto é visível no caso britânico, em particular nas áreas disciplinares particularmente apoiadas pelos programas europeus (as ciências da vida e aplicadas), o mesmo não se passa em Portugal, onde não é visível um impacto claro das políticas europeias nas tendências de colaboração internacional. Estes resultados questionam a eficiência destas políticas em desenvolver ligações entre todos os participantes, em particular com as regiões menos favorecidas. É, no entanto, visível a emergência de uma «comunidade científica europeia».

