A Rússia e o alargamento da NATO

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DOI:

https://doi.org/10.31447/AS00032573.1995133.05

Palavras-chave:

Rússia, política externa, alargamento da NATO

Resumo

Cinco anos depois do fim da guerra fria e da dissolução da União Soviética, a política externa da Rússia continua numa fase de transição, à espera de uma estabilização do regime pós-comunista e de uma definição coerente da sua identidade e dos seus interesses nacionais. Inicialmente, a orientação dominante, numa linha de continuidade da política de abertura do «novo pensamento político», procurava uma aliança com os antigos adversários. Mas as dificuldades internas levaram, desde finais de 1992, a uma viragem onde as tendências «euro-asiáticas» pareciam prevalecer sobre as correntes «atlantistas». Essa linha, por sua vez, foi corrigida por uma posição mais realista e pragmática, a partir de 1994, com os acordos sobre a desnuclearização da Ucrânia, ou a cooperação com as potências ocidentais na resolução da guerra civil na Bósnia-Herzegovina. Porém, essa atitude não impediu uma crescente oposição russa contra o alargamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que se tornou a questão mais saliente da política externa da Rússia nas suas relações com os Estados Unidos e a Europa. Os responsáveis oficiais consideram estar em causa o estatuto da Rússia como grande potência e a sua posição nos equilibrios regionais: a extensão das fronteiras da Aliança Atlântica significaria uma ameaça à segurança estratégica da Rússia e uma nova divisão da Europa. A rigidez da posição russa acentuou-se durante o último ciclo eleitoral. A resolução do problema do alargamento da comunidade transatlântica e da integração da Rússia num arranjo estável dos equilibrios do pós-guerra fria só poderá avançar depois da sua conclusão.

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Publicado

1995-09-29

Como Citar

Gaspar, C. (1995). A Rússia e o alargamento da NATO. Análise Social, 30(133), 709–764. https://doi.org/10.31447/AS00032573.1995133.05

Edição

Secção

Dossiê-O futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte