Sarah Affonso, mulher (de) artista
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1995131.08Palavras-chave:
Sarah Affonso, díade Sarah-Almada, abandono da carreira, injustiça conjugal, autocolocação, decisão voluntaristaResumo
Revisitando memórias de Sarah Affonso, que sobretudo falam da sua vida como mulher de Almada Negreiros, este artigo reflecte sobre a típica divisão sexual (inclusive estética) do trabalho num casal de artistas. Onde a domesticidade, a pintura «feminina» e mesmo o abandono da carreira recaem sobre a mulher, a favor do talento e do sucesso do marido. A questão da (in)justiça conjugal exige, porém, um olhar mais complexo, atento aos modos específicos e às racionalizações que concorrem para reparar o desequilíbrio. Na díade Sarah-Almada, não havendo igualdade, existe, contudo, algo como um consenso de equidade, estribado tanto na assunção da legitimidade das diferenças individuais - que encontra o seu justificativo numa ética artística - como na autocolocação de Sarah face ao laço conjugal. É esta autocolocação, a decisão voluntarista de viver assim a sua vida, que aqui nos interessa.

