Venda dos bens da coroa em 1810-1820: os reflexos de uma crise nacional
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1993122.06Palavras-chave:
análise do volume de vendas, vendas de bens da coroa porrtuguesa, efeito das vendas na concentração da propriedade rural particularResumo
Pela primeira vez se dá a conhecer a que foi a maior operação de venda de bens da coroa efectuada antes de 1834, imposta pela gravíssima situação do reino e pelas limitações ao crédito interno e externo. O valor do conjunto das vendas, porém, ficou muito aquém das necessidades: apurados apenas 439 contos quando a dívida do erário no final de 1819 ultrapassava os 17.000 contos. A análise por regiões mostra que o maior volume de vendas registou-se no distrito de Santarém (lezírias), distrito de Lisboa, Alentejo e distrito de Castelo Branco. No resto do país era visível a falta de capitais pela ausência de compradores. O grupo mais destacado é o dos comerciantes da praça de Lisboa (quase 30% das compras efectuadas em hasta pública), mas entre eles não se contando os maiores, que preferiam aplicar os seus capitais em bancos e operações no estrangeiro. Quanto aos grandes donatários da coroa, nobreza titulada e instituições religiosas, estão completamente ausentes tanto das remissões de foros como das vendas em hasta pública; estreitando-se assim a base fundiária a que poderiam ter acesso, contribuía-se para a debilitação do regime senhorial. Por outro lado, não deve ser desprezado o efeito destas vendas na concentração da propriedade rural particular, quer por mais abastados lavradores e criadores locais, quer por rentistas exteriores - fenómeno particularmente visível no Ribatejo, Alentejo e Beira Baixa.

