Agricultura, território e património: linguagem e práticas alimentares em Chefchaouen (Marrocos)
DOI:
https://doi.org/10.31447/2021136Palavras-chave:
Chefchaouen, “dieta mediterrânica”, património, alimentaçãoResumo
Partindo do trabalho de campo etnográfico realizado em Chefchaouen (Marrocos), no rescaldo da classificação da “Dieta mediterrânica” como Património Cultural Imaterial pela unesco (2010; 2013), este texto procura refletir sobre as transformações das práticas alimentares na região à luz das políticas agrícolas nacionais e sobre a forma como a afirmação de uma narrativa patrimonial – apresentada como um valor adicional – vem trazer novos usos e significados à linguagem e às práticas locais relacionadas com os consumos alimentares no território. Centrando-se no conceito de beldi, amplamente utilizado em contexto marroquino no sentido de qualificar positivamente os produtos alimentares sob distintos pontos de vista, procurar-se-á discutir a forma como, em Chefchaouen, este conceito acabou por substituir o de “Dieta mediterrânica”, nos discursos produzidos sobre as práticas alimentares locais.