Revoluções: A «República Velha» (ensaio de interpretação política)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1992115.01Palavras-chave:
1ª República Portuguesa, instabilidade política, terrorismo de massa, oposição democrática e republicanaResumo
A extrema instabilidade da 1.a República Portuguesa, tendo suscitado muitos comentários, nunca mereceu uma explicação. Este artigo tenta dá-la, analisando a história do regime entre 1910 e 1917. Trata, em primeiro lugar, da necessária idenficação da República ao Partido «Democrático» de Afonso Costa, herdeiro do Partido Republicano da «propaganda», ou seja, do período de oposição à Monarquia. Mostra depois como essa força minoritária e circunscrita social e geograficamente só podia sobreviver pelo terrorismo de massa, cuja mecânica descreve. Mas mostra também como esse terrorismo não bastava para dominar as oposições (monárquicas e republicanas) e permitir que se criasse um poder de Estado legítimo e sólido. Este argumento ajuda a compreender a guerra civil larvar em que o regime sempre viveu. Na sua segunda parte, o artigo pretende esclarecer que a participação de Portugal na Primeira Grande Guerra e o envio de um Corpo Expedicionário para a França se destinavam a unir o país sob as instituições republicanas e a hegemonia do Partido «Democrático». A seguir, demonstra como essa política intervencionista dissolveu a aliança social em que assentava o republicanismo e contribuiu decisivamente para isolar e tornar vulnerável o Partido «Democrático». Por fim, o artigo descreve como se juntaram as forças que em Dezembro de 1917 promoveram o movimento comandado por Sidónio Paes e aboliram de facto e de direito a Constituição de 1911.

