«A guerra de todos contra todos» (ensaio sobre a instabilidade política antes da Regeneração)

Autores

  • Maria Fátima Bonifácio Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL

DOI:

https://doi.org/10.31447/AS00032573.1992115.03

Palavras-chave:

instabilidade política e governativa, implantação da monarquia constitucional, sociedade portuguesa, função de arbitragem da Coroa

Resumo

Este artigo pretende explicar as causas da instabilidade política e governativa durante a implantação da monarquia constitucional (1834-51) a partir do exame do funcionamento do sistema político. A principal conclusão a retirar é a de que, independentemente dos antagonismos que dividiam a sociedade portuguesa de então, «a guerra de todos contra todos» constituiu uma consequência inevitável da ausência dos pressupostos essenciais de um sistema de governo representativo: acordo sobre a Lei Fundamental, cultura política pluralista e partidos organizados. Faltando estes pressupostos, estabeleceu-se o império das facções. Estas, por definição mesma, tendem a anarquizar a competição política, instituindo o recurso sistemático a meios ilegais e violentos de luta pelo poder. Nestas circunstâncias, todo o poder é visto como ilegítimo, o que, por seu turno, legitima a ilegalidade e a violência. Este círculo vicioso, apenas quebrado com a pacificação constitucional e a recomposição partidária operadas pela Regeneração, era ainda agravado pela forma, que também aqui se analisa, como a Coroa exercia a função de arbitragem da política portuguesa. Favorecendo a monopolização do governo pela direita, bloqueava a alternância e a rotação das elites no poder, promovendo indirectamente o recurso a meios de oposição ilegais ou violentos.

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Publicado

2025-04-01

Como Citar

Bonifácio, M. F. (2025). «A guerra de todos contra todos» (ensaio sobre a instabilidade política antes da Regeneração). Análise Social, 27(115), 91–134. https://doi.org/10.31447/AS00032573.1992115.03

Edição

Secção

Artigos