Totalitarismo, sociedade civil, transições
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1991110.03Palavras-chave:
transições políticas na Europa de Leste, reacção da sociedade civil ao totalitarismo, ausência de mercado competitivoResumo
Este artigo aborda as transições políticas na Europa de Leste como revoluções de cidadania, na sua combinação de colapso rápido, mobilização civil e dissolução do império a partir do centro. A modernização dessas sociedades não é suficiente para explicar as transições, que, para serem entendidas, precisam de ser vistas a partir da reacção da sociedade civil ao totalitarismo. O que caracterizava o regime comunista era um processo de «legitimação a partir de cima» que não deixava lugar à sociedade civil. Ora foi a sociedade civil que se revelou como principal protagonista e principal surpresa das transições da Europa de Leste, onde a dissidência intelectual desempenhou particular papel. O que está em jogo nas transições do Leste é a plenitude e a viabilidade da sociedade civil a curto e a longo prazo. O maior problema para a consolidação da sociedade civil num conjunto de interesses diversos é a ausência de um mercado competitivo. Não pode haver democracias sem mercados, mas a sociedade civil pode funcionar sem mercados. A arte da associação, cultivada pela dissidência, pode ser particularmente útil nesse sentido.

