Salazar, a «fórmula» da agricultura portuguesa e a intervenção estatal no sector primário
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1991110.04Palavras-chave:
posições salazaristas, ultraproteccionismo conservador, reformismo liberalizante, organização corporativa da lavouraResumo
Produto de outras investigações do autor (sobre a organização corporativa da lavoura e a evolução dos organismos de coordenação económica a ela ligados), este artigo procura: a) analisar as sucessivas e aparentemente contraditórias posições salazaristas perante a «questão em epígrafe», desde o profundo, se bem que gradual, reformismo da Questão Cerealífera (1916) até à guinada ultraproteccionista e conservadora dos anos 30 (Campanha do Trigo) e ao regresso pé ante pé à primitiva, ocorrido cerca de um quarto de século mais tarde pela mão de Correia de Oliveira, seu ministro e discípulo; b) explicar a evolução acabada de referir, ligando-a designadamente à do comércio internacional, à da emigração e à da situação financeira do Estado; c) sugerir que a queda do regime salazarista não veio alterar fundamentalmente a problemática em apreço, que continua a depender dos mesmos factores; pelo que não será de estranhar que ultraproteccionismos conservadores e reformismos liberalizantes continuem a alternar em Portugal, numa dança cíclica.

