As rodas de Rio de Onor: um princípio estrutural e estruturante
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1990108.01Palavras-chave:
Rio de Onor, comunitarismo, aldeia como forma social, rotatividadeResumo
De entre todos os princípios de organização e partilha identificados pelo autor ao estudar o comunitarismo de Rio de Onor sobressai o da rotatividade, pela sua posição estrutural, pela sua recorrência, pela variedade de circunstâncias em que pode ser accionado, pelo seu dinamismo adaptativo. Mas, sobretudo, porque nele se projecta a aldeia como forma social em permanente construção e reprodução enquanto totalidade de partes com iguais direitos. O modelo simples que permite o funcionamento das rodas - a ordem que as casas ocupam na povoação -, a permanente circulação das tarefas a cumprir e da quota-parte dos recursos pela totalidade (ou a maioria) das casas, a equidistancia em que se encontram por referência a um centro que é a aldeia (sendo a sua totalidade a própria aldeia), produzem um efeito de estruturação espacial, social e ideológica que define um universo político que neste artigo se procura também caracterizar.

