Culturas da alfabetização e culturas do analfabetismo em Portugal: uma introdução à História da Alfabetização no Portugal contemporâneo
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1988103.06Palavras-chave:
taxas de alfabetização, contrastes regionais, população feminina e masculina, factores sócio-culturaisResumo
Os contrastes regionais que se encontram em Portugal quando, discriminando a população masculina da população feminina, regionalizamos as taxas de alfabetização, reproduzem no território português a demarcação entre o Sul e o Norte que caracteriza tantos outros fenómenos sociais e etnográficos nos países europeus do Mediterrâneo ocidental. Este facto constitui uma pista para se procurar avaliar de que modo a alfabetização no Portugal contemporâneo foi definida por certas condições culturais. Concebida a alfabetização como um processo de «vulgarização cultural», verificou-se que no Norte se podia encontrar uma situação mais favorável para esse tipo de processo do que no Sul. As diferenças com que era possível entrar em linha de conta tinham que ver com o tipo de sociedade, a influência da Igreja católica, a divisão de papéis sociais ente homens e mulheres (neste caso, desfavorável à alfabetização feminina no Norte), etc. A análise do sistema elementar de ensino público na segunda metade do século XIX veio confirmar como os factores sócio-culturais determinavam nessa época o progresso da alfabetização de massas em Portugal.

