Arte e indústria na transição para o século XX: a fábrica dos Bordalos (1884-1924)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1988100.09Palavras-chave:
fábrica de cerâmica, escola de desenho industrial, fábrica Bordalo Pinheiro, indústria portuguesaResumo
Em 1884, confluem para Caldas da Rainha - uma vila com tradição na olaria e faiança decorativas - uma unidade de produção cerâmica e uma escola de desenho industrial. A fábrica é um projecto que, apesar de inicialmente propriedade de uma sociedade anónima, foi criado, gerido e mantido pela família Bordalo Pinheiro, ao longo de duas gerações. Assumindo como objectivo estratégico a renovação da cerâmica nacional no ramo da faiança, esta fábrica procurou abarcar todos os domínios sensíveis da modernização daquela indústria. A escola, surgida num contexto de incentivos e apoios públicos ao desenvolvimento da indústria nacional, manterá um estatuto oscilante entre a formação prática e profissional e a qualificação artística elementar. Fábrica e escola, mutuamente atraídas, ensaiarão uma articulação estreita por um breve período. Críticos da época viram (ou desejaram ver) na experiência traços de uma «íntima aliança da arte com a indústria». Este ensaio tenta descrever esses traços, ao longo de um trajecto que, comummente celebrado como um êxito artístico, fracassou no plano industrial - tanto financeira, como técnica, como comercialmente. Analisa as razões do insucesso, passando em revista os testemunhos da época.

