Perfis demográficos e modos de industrialização – o caso do Barreiro
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1988100.15Palavras-chave:
relação entre família e indústria, Barreiro, perfil demográficoResumo
Este artigo tem como objectivo ilustrar e problematizar a relação entre família e indústria num lugar particularmente significativo do tecido industrial português contemporâneo: o Barreiro, cidade situada na margem sul do Tejo que cresce, desde finais do século XIX, à sombra de uma experiência industrial. Trata-se de um trabalho com indicadores demográficos (níveis de feminilidade, celibato, nupcialidade, natalidade, mortalidade e fecundidade, entre outros) construídos a partir dos dados contidos nos recenseamentos gerais da população, entre 1864 e 1981. No sentido de abrir pistas de reflexão e de debate, procura-se comparar esse perfil demográfico com outro, referente a um contexto industrial, mas de natureza profundamente diferente. É o caso do distrito de Braga, cuja dinâmica industrial nos anos 80 tem vindo a ser abundantemente salientada na literatura sociológica portuguesa. Conclui-se que, embora os perfis demográficos do Barreiro e de Braga se tenham modernizado ao longo do século, pois regrediram taxas de fecundidade-natalidade e mortalidade, essa evolução geral que aponta no mesmo sentido não deixa de revelar flagrantes elementos de diversidade. Os caminhos demográficos que ambos percorreram não são, de facto, os mesmos: pontos de partida e pontos de chegada podem não coincidir; as velocidades, os ritmos de transformação são diferentes; as datas-chave, os «timing» da mudança não são os mesmos.

